Artigos Glass Journal

|Album Review|

Sufjan Stevens ­- Carrie & Lowell 

 8,5/10 



Passaram 5 anos desde que Surfjan Stevens nos presenteou com um álbum de estúdio, que aliava a electrónica e o art rock às suas raízes de folk. Volvidos estes 5 anos, Stevens volta às raízes e apresenta-nos um álbum de uma naturalidade brilhante. Carrie & Lowell é uma parte de Stevens, é um trabalho frontal, sem rodeios e que nos encanta pela simplicidade cristalina que apresenta nas 11 canções acústicas que compõem este regresso aos longa durações.

De facto, não são só as raízes musicais que identificamos neste trabalho. Stevens escreveu este trabalho em honra à sua mãe (Carrie), que faleceu em 2012, e também em honra ao seu padrasto (Lowell) que apesar de apenas ter sido casado com Carrie durante 5 anos, continuou a ser parte importante da vida de Stevens e, hoje, é responsável pela Asthmatic Kitty, a editora do músico de Detroit, Michigan. Carrie era bipolar, esquizofrénica e tóxico-dependente. A sua relação com o filho não era “um mar de rosas”, até porque Carrie abandonou os filhos, como descrito na música “Should Have Known Better”: "when I was three, three maybe four, she left us at that video store". Stevens, neste álbum, lamenta o tempo que passou com as pessoas erradas e procura reflectir sobre a relação com a sua mãe (“I forgive you, mother, I can hear you, and I long to be near you. But every road leads to an end” em “Death With Dignity”).

O que nos encanta, fundamentalmente, neste longa duração são as letras carregadas de significado que o músico de Detroit, Michigan, canta. Em “Drawn To The Blood”, este interroga-se sobre a tragédia familiar (“What did I do to deserve this now. How did this happen?”), reflete sobre as relações disconexas na família em “All of Me Wants All of You” (“You checked your text while I masturbated”) e fala de uma esperança negra, mas infindável em “Fourth of July” (“What could I have said to raise you from the dead? Oh could I be the sky on the Fourth of July?(…) We’re all gonna die”).

Stevens, que acaba por nos apresentar o lado menos sombrio deste LP na canção que lhe dá nome, lança um álbum que fará, certamente, parte dos destaques do ano, mas mais importante ainda, aproxima-se da sua mãe.


Texto: Eduardo Antunes

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