|Album Review| - Jacco Gardner: a imaginação de Tim Burton sobre a forma de música

Jacco Gardner ­- Hypnophobia 

 7,5/10 



Se há artista que no panorama atual nos remete para um mundo de imaginação conectado aos universos criados por Tim Burton e Wes Anderson nos seus filmes, este artista é o multi-instrumentalista holandês Jacco Gardner. Jacco inspira-se nas melodias psicadélicas dos anos 60 e cria estes ambientes que nos soam diferentes de toda a música que ouvimos nos nossos dias.
Depois de um Cabinet of Curiosities bem recebido pela crítica, em 2013, Jacco Gardner apresenta-nos Hypnophobia, um álbum que explora os territórios que no primeiro álbum o holandês já tinha desbravado. Neste segundo álbum, conseguimos detetar mais camadas em cada canção (é de destacar o facto de que o holandês grava todos os instrumentos em estúdio, há exceção da bateria). Outra diferença entre os dois álbuns é que em Hypnophobia, Jacco escolhe o instrumental sobre o vocal, existindo várias faixas deste longa duração que são instrumentais, como por exemplo “Grey Lanes”, música que nos transporta para um Universo tão estranhamente alternativo, onde viajamos no tempo até aterrarmos no período de Syd Barret, dos Pink Floyd.
Destacamos também “Before The Dawn”, a maior canção do álbum (totaliza mais de 8 minutos), no qual damos por nós a viajar num universo carregado de mistério, que só o holandês que junta o pop barroco ao psicadélico consegue criar. A letra de “Find Yourself” fala-nos dos sentimentos que vivemos quando estamos inseguros na nossa vida e da necessidade de nos encontrarmos nos momentos mais obscuros (“Let it take you to somewhere safe/ When the wind comes down/ You wonder where you've been (…) Find yourself now/In the shade). Esta força e vontade de sair da escuridão e do mistério tem paralelo no outro single deste trabalho, ao qual lhe dá nome.

O álbum não é uma mudança da forma estilística em comparação ao seu antecessor Cabinet Of Curiosities, o que pode levar a menores considerações sobre este trabalho. O facto de não ter feito uma mudança significativa é, acreditamos nós, uma mais valia para Jacco, porque atualmente os artistas procuram inúmeras vezes maneiras de alterar o seu género, acabando por cair numa carreira sem identidade e sem álbuns sólidos e coesos. De qualquer das maneiras, este álbum transporta-nos até à época medieval e onde a natureza nos parece falar. Hypnophobia é uma audição extremamente agradável e, ainda mais que isso, uma viagem infindável.

Texto: Eduardo Antunes

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