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|Album Review|

Unknown Mortal Orchestra ­- Multi-Love 

 8/10 



Ao terceiro disco, os Unknown Mortal Orchestra decidem inovar e trazer um tópico diferente do abordado nos trabalhos anteriores. Se em II, o LP mais conceituado da banda, a solidão predominava (“Isolation can put a gun your in hand / It can put a gun your in hand”), em Multi-Love o tema principal é a relação poliamorosa que Ruban Nielsen e a sua mulher construíram durante o último ano com uma mulher que Ruban conheceu numa viagem. O álbum torna-se assim mais fácil de explicar: o nome é de óbvio entendimento e as letras das músicas ganham assim uma nova imagem e um novo significado.

Nielsen enquieta-se sobre a sua vida, agora que tem um casal de 3 pessoas, na faixa que dá nome ao álbum: Multi-Love (“Multi-love's got me on my knee / We were one, then become three / Mama, what have you done to me? / I'm half crazy”), mas também sobre a vida dos outros, pois acredita que é esta partilha e amor, mesmo pelo que desconhecemos, que poderiam erradicar as desigualdades sociais e a banalização da crueldade (como se comprova em “Extreme Wealth and Casual Cruelty”: “If we were just strangers then we would fall in love again / Abandon extreme wealth and casual cruelty”). Apesar destas crenças, o neozelandês também se pergunta se o seu comportamento é correto perante a sua mulher, em canções como “The World Is Crowded”: “She made me watch Evangelion / In another life did she blow my brains out?”.

Multi-Love é um álbum que não segue completamente a linha lo-fi e psicadélica dos seus antecessores, utilizando um pouco dessa base, à qual junta uma componente electrónica. Dá protagonismo aos órgãos e sintetizadores, que orgulhosamente, a banda restaurou, como visto em várias publicações nas redes sociais. Esta sonoridade funky disco resulta num bom complemento a canções como “Necessary Evil”, mas os dois singles (“Multi-Love” e “Can’t Keep Checking My Phone”) têm momentos que fazem acreditar que os UMO se querem identificar como novos embaixadores da soul-pop, à semelhança de nomes como Jungle, mas este papel não lhes encaixa bem.

Este é o álbum mais experimental do projeto de Ruban Nielsen, mas chega a ter intros e interludes, que consideramos desnecessários em canções como “The World Is Crowded” e “Puzzles”. Contudo, os restantes momentos deste terceiro longa duração estão tão bem construídos que camuflam estes aspetos mais negativos que acabámos de frisar.

Por fim, a última canção de Multi-Love, “Puzzles”, é uma música que podia perfeitamente ser uma inspiração para os grupos oprimidos americanos, na qual Nielsen se questiona sobre as constantes lutas dos EUA e dos seus constantes rótulos a pessoas “diferentes”: “America, open up your door / Is it right to always fight against “the other?" /What is a “person of color?" / Is it wrong to have zone that isn’t monochrome?”, terminando o álbum com este mote de marginalização, que o seu poli-amor (Multi-Love) pode ter.


Texto: Eduardo Antunes

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