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|Album Review|


Everything Everything - Get To Heaven

4,5/10 



Ao terceiro álbum, os Everything Everything encontram-se na crítica situação de aumentar a sua reputação, mantendo a qualidade inigualável dos registos anteriores. Ao mesmo tempo, os ingleses têm como problema o facto de serem uma banda com poucos seguidores, apesar de serem muito bem recebidos pela crítica. Este facto talvez se explique devido à sua música, que é muito difícil definir, e que contem elementos da pop, da electrónica, do indie e do art rock, sendo um produto algo alienígena, para algumas pessoas.

Denote-se que para esta crítica, consideramos o álbum na sua edição deluxe.

Este longa duração, musicalmente segue as pisadas dos seus antecessores, ao mesmo tempo que dá alguns passos em novas direcções. O início a capella de “To The Blade” é uma excelente maneira de começar este terceiro disco, sendo uma música que encaixava perfeitamente nos dois álbuns anteriores. Segue-lhe o single “Distant Past”, música que também segue a mesma ordem de pensamentos, apesar de se notarem uns elementos mais pop e radio-friendly, entendendo-se, assim, a sua escolha como canção de destaque. “Get To Heaven” é a canção que se segue e com o seu ritmo dançável constitui um dos momentos mais descontraídos e de melhor qualidade deste álbum.

Após este início de grande qualidade, o álbum vai perdendo o seu valor. “Regret é o outro single deste álbum, mas após algumas audições, torna-se um pouco repetitivo. Esta questão da repetição é, de facto, a questão pilar de todo o álbum e é o que o torna um álbum de menor categoria que os anteriores.

“Spring Sun Winter Dead” marca o início da inspiração africana e tribal na sonoridade dos Everything Everything, sendo este o melhor exemplo deste rumo escolhido, de todo o LP. Os cerca de 7 segundos inicias de “The Wheel (Is Turning Now)” são um momento de um certo impacto, que a música não consegue prosseguir. Sucede-lhe “Fortune 500”: instrumental electrónico de qualidade que os vocais não conseguem manter. Perto do final desta música, a sonoridade ganha uns contornos poderosos e gloriosos, sendo uma bela maneira de fechar a canção.

A oitava música é “Blast Doors”, música de alguma agressividade vocal, nomeadamente nos versos da canção, que não encaixa tão bem na sonoridade dos Everything Everything. À nona música, “Zero Pharaoh”, começamos a ficar algo exaustos, o que não é um bom presságio para as 8 canções que ainda permanecem por ouvir. Instrumentalmente, é uma música sólida e que pretende construir, novamente, o momento final de apoteose.

“No Reptiles”, “Warm Healer” e “We Sleep In Paris” transportam uma tristeza, provocada por romances menos pacíficos. Na primeira destas 3, encontramos uma letra com as comparações e metáforas usuais nestes britânicos: “Oh baby it's alright, it's alright to feel like a fat child in a pushchair old enough to run”. A terceira música referida marca também o início das faixas que pertencem apenas à edição deluxe. E as razões de estas músicas serem, apenas, incluídas na  versão extensa estão à vista de todos. Nenhuma música se destaca, salvo “Hapsburgg Lipp”, que mesmo juntamente das demais canções deste álbum, não resulta muito bem. “President Heartbeat” quase parece uma paródia a músicas pop-rock, quer na sua letra, como nos seus vocais e instrumentais. Este é dos pontos mais baixos deste álbum. “Brainchild” e “Yuppie Supper” têm instrumentais interessantes, mas as músicas acabam por resultar em minutos de alguma monotonia.
É com “Only As Good As My God” que se encerra Get To Heaven. Esta é uma música que pegou em vários dos pontos que menos gostámos deste trabalho – agressividade, monotonia, pop-rock que pouco diz – sendo uma má maneira de fechar um trabalho que conta com algumas músicas de verdadeira qualidade.

A pontuação dada ao álbum acaba por refletir a desilusão que este álbum criou, após dois LPs de grande aceitação pela crítica, que lhes valeu algumas nomeações prestigiadas. De referir também o abandono da sonoridade mais negra e misteriosa que Arc, álbum de 2013, instaurou, e, por conseguinte, o abraço à pop, à música festiva e a ritmos tribais. Get To Heaven é, por fim, um álbum no qual a banda inglesa, pretende aumentar a sua reputação, mas com o qual pode acabar por perde-la. 

Texto: Eduardo Antunes

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