Top Albuns of 2015

Com um pouco de atraso, escolhemos os 20 álbuns que se destacaram para nós, nos primeiros 6 meses deste ano. Aqui fica a lista, sem qualquer tipo de ordem particular.


Father John Misty – I Love You Honeybear



O antigo membro dos Fleet Foxes, Joshua Tillman, aventura-se no segundo álbum sob o alter-ego de Father John Misty. I Love You, Honeybear conta a história de amor mais profundo e mais revelador que este conheceu. Neste álbum conceptual, Joshua retrata a sua busca pelo amor e a sua fuga das intimidades, até que conhece Emma.  Father John Misty apostou numa história amorosa de carácter biográfico, que começa com uma epopeia dos tempos modernos, “I Love You, Honeybear”, e atravessa muitos momentos sombrios e emocionantes, nesta viagem sobre a vida amorosa de Tillman.


Courtney Barnett ­- Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit



Após três EPs, a música australiana de indie-rock Courtney Barnett descobriu a sua fórmula de sucesso. A cantora e compositora conseguiu criar a sua identidade, utilizando três dos instrumentos mais populares e utilizados no dia-a-dia (guitarra, baixo e bateria). A australiana compôs as músicas deste álbum durante um ano e apenas as mostrou à sua banda uma semana antes das gravações, para que estas canções tivessem um som “fresco”. O que não deixa de ser curioso é que o seu maior single deste longa duração, “Pedestrian at Best”, foi escrito nos últimos minutos de gravações, sendo este um exemplo da descontração e capacidade de improviso de Courtney.

Sufjan Stevens ­- Carrie & Lowell


Passaram 5 anos desde que Surfjan Stevens nos presenteou com um álbum de estúdio, que aliava a electrónica e o art rock às suas raízes de folk. Volvidos estes 5 anos, Stevens volta às raízes e apresenta-nos um álbum de uma naturalidade brilhante. Carrie & Lowell é uma parte de Stevens, é um trabalho frontal, sem rodeios e que nos encanta pela simplicidade cristalina que apresenta nas 11 canções acústicas que compõem este regresso aos longa durações, no qual Stevens homenageia a sua mãe (Carrie), que faleceu em 2012, e também o seu padrasto (Lowell). 

Alabama Shakes ­- Sound & Color


Passados 3 anos desde o lançamento do primeiro álbum (intitulado Boys & Girls), os Alabama Shakes editaram o seu segundo longa duração, denominado Sound & Color, que mantém a mesma base musical que o seu antecessor, mas onde assistimos a um refinamento do seu som. Os Alabama Shakes já não são apenas a banda que resgatou o roots rock e que deixou a sua vocalista Brittany Howard brilhar. Os americanos estenderam o seu som até atingir os mundos da americana e do indie, fazendo com que sejam uma das presenças mais desejadas pelo público e pelos media em qualquer festival de renome.


Björk - Vulnicura


Björk auspiciava um álbum diferente de todo o seu trabalho, mas Vulnicura está na linha de Biophilia, o seu penúltimo LP. Mas este aspeto não é, de todo, algo negativo. Vulnicura é um trabalho cru da islandesa, carregado de todo o seu experimentalismo e que nos mergulha num universo floreado e primaveral e, também, algo alienígena, contrastando com o cenário mais obscuro e estrelado de Biophilia. A música que acompanha a voz de Björk é quase uma banda sonora, que faz a perfeita junção de música clássica e trilhas de violino com sons electrónicos e um clima espacial que permeia o disco todo.


Jessica Pratt - On Your Own Love Again


Jessica Pratt é uma singer-songwritter americana que personifica o movimento freak folk dos anos 60 e 70. On Your Own Love Again é um álbum lo-fi que configura nas maiores obras deste ano. A voz de Jessica e o seu dedilhar de guitarra são um elevada dose de serenidade, à qual ninguém pode ficar indiferente. Temas como “Game That I Play” e “Greycedes” levam-nos a comparar Pratt a grandes nomes do folk como a célebre singer-songwritter Stevie Nicks. Depois de dois álbuns de grande êxito (Jessica estreou-se com um álbum homónimo em 2012) só nos resta esperar a possibilidade de ver uma das artistas mais genuínas da atualidade, em terras portuguesas.


Ibeyi - Ibeyi


As filhas do percussionista cubano Anga Diaz, Lisa e Naomi são as Ibeyi, palavra que na mitologia ioruba, da África Ocidental, designa os gémeos criados pela deusa Oxun. Este espiritualismo é algo que também carateriza o duo franco-cubano que se estreia, assim nos discos.  A sua sonoridade resulta da combinação dos universos musicias de cada uma. Naomi é mais ligada ao hip-hop e Lisa é uma fã de grandes vozes como Ella Fitzgerald ou Nina Simone. O resultado é uma música que soa apenas a Ibeyi, neo-soul e jazz que liga o mundo urbano às suas experiências cubanas.


Os Capitães da Areia - A Viagem dos Capitães da Areia a Bordo do Apolo 70


Após uma estreia pop-rock nos discos, os Capitães da Areia passaram alguns anos na construção de uma verdadeira epopeia dos tempos modernos. A Viagem dos Capitães da Areia a Bordo do Apolo 70 é um álbum sem comparação no panorama nacional e que retrata a viagem espacial da banda, pelo Apolo 70, que aqui funciona como uma nave-espacial. Nesta aventura deparam-se com uma série de confrontos, por vezes cómicos, com figuras portuguesas de renome, desde os Capitão Fausto, a José Cid ou Lena D’Água. Para além da vertente de entretenimento, este disco contempla-nos com grande momentos como “Ajax” ou “A Partida para o Espaço”, onde o foco é um pão com marmelada.


The Holydrug Couple - Moonlust


The Holydrug Couple têm em Moonlust o seu segundo disco, depois da estreia com Noctuary, em 2013. A sua música space-pop com o revivalismo do rock psicadélico transporta-nos para um mundo em constante viagem e algo espacial, sem os traços etéreos que, por vezes, os Tame Impala apresentam. Aliás, podemos mesmo classificar os The Holydrug Couple como os Tame Impala do Chile. Apesar destas comparações nunca serem do bom-agrado das bandas, os Holydrug Couple parecem-nos uma versão dos australianos mais adormecida e, também, mais trippy, pois as suas músicas incorporam-se todas, muito bem aliás, nesta grande viagem cerebral.


Holly Herndon - Platform


Ao primeiro olhar, a ruiva de olhos azuis Holly Herndon pode-nos remeter para uma música calma sobre as suas experiências amorosas. Não poderíamos estar mais enganados. Holly Herndon é uma artista de uma outra dimensão,  que cria um som tão partido e imprevisível que chega a ter alguns aspectos assustadores, principalmente se ouvirmos este álbum às escuras. A música da americana parece-nos lembrar de samples que chegam a artistas alienígenas como FKA twigs e Bjork, mas sem a preocupação de transformar essas faixas em canções, no verdadeiro sentido da palavra. 
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Braids - Deep In The Iris


Dois anos após  Flourish // Perish, chega às nossas mãos Deep In The Iris, da banda sediada em Montreal: Braids. Deep In The Iris é um álbum experimental de sonoridade pop, que nos chega como um som futurista e também de alguma serenidade, devido à voz de Raphaelle Standell-Preston, que foi devidamente ampliada pelo trabalho de produção. Este álbum esta também carregado de uma sensação de conquista, quer na instrumentalização como nas letras das músicas, que retratam temas difíceis como a prostituição, a violência doméstica e estigmas sociais.


Kendrick Lamar - To Pimp a Butterfly


Observando a capa de To Pimp a Butterfly, de Kendrick Lamar, pensamos em cenários de revolta e conquista, que nesta imagem parece ser uma revolta étnica. Mas este álbum fala de uma revolta individual de Kendrick. Revolta esta provocada pela miséria que vê pelo mundo fora: escravatura, descriminação, mortes, guerras, fome, e um interminável número de problemas deste mundo, que levam Kendrick a se perguntar onde permanece a cidadania e a solidariedade que, teoricamente, são aspectos da raça humana. Kendrick assume-se como um porta-voz da razão, e é por isso que To Pimp a Butterfly deve ser reconhecido.


Shana Cleveland & The Sandcastles - Oh Man, Cover the Ground


Normalmente os projetos paralelos de bandas não atingem grande patamar musical, pois a sua sonoridade é muito semelhante à banda mãe, parecendo um conjunto de canções inferiores às registadas em álbum pela banda-mãe. Shana Cleveland, das La Luz, com os “seus” The Sandcastles é a exceção que faz a regra. Aqui a sonoridade garage e surf rock é trocada pelo folk e pelo caráter de singer-songwritter de Shana, que consegue um álbum de uma acalmia excecional, cujos amigos dos Sandcastles ajudam a criar com o baixo e com os ritmos percussionados.


Panda Bear - Panda Bear Meets The Grim Reaper


Noah Lennox é Panda Bear. Noah Lennox é também um dos menbros da banda Animal Collective e, apesar de ser americano vive na capital portuguesa Lisboa. O desafio no seu novo trabalho parece ter sido identificar aquilo de mais orgânico, mais humano, por trás de tantos reverbs, efeitos e experimentalismo, algo que ele cumpriu sem decepcionar. Panda Bear Meets The Grim Reaper é um álbum de confronto de Lennox com a morte. O álbum acaba por resultar tão bem devido à pintura que Panda Bear lhe dá, tornando em algo muito fresco, mesmo retratando um aspeto tão sombrio.


Belle & Sebastian - Girls in Peacetime Want to Dance


Ao lermos o nome do álbum percebemos o rumo que os Belle & Sebastian estão, agora, a tomar, após 8 álbuns da banda escocesa que em 2016 celebra 20 anos de carreira. Esta é uma abordagem mais pop e disco à música indie dos Belle & Sebastian. Girls In Peacetime Want To Dance marca também o primor técnico que os escoceses estão a desenvolver, à semelhança de outros nomes do universo indie como Arcade Fire. Perdem-se assim, as melodias definidas nos acordes de guitarra, mas ganha-se uma musicalidade mais abrangente, e que leva a que este álbum se destaque.


Viet Cong - Viet Cong


Os Viet Cong surgem através do indefinido hiatos da banda Women, devido ao falecimento do guitarrista.  A banda canadiana surge, assim, em 2012, editando dois EPs nos anos que lhe seguiram, chegando a 2015 com este seu novo álbum. A sonoridade deste álbum anda à volta dos universos do post-punk e do indie rock, que nos liga a nomes como The National. Os Viet Cong apresentam-se de forma algo sombria e misteriosa e compõem este álbum que parece retratar instintos de sobrevivência e uma guerra pessoal, provocada pelo adormecimento do próprio.


Toro y Moi- What For?


Com apenas 28 anos, Chazwick Bradley Bundick, mais conhecido pela junção espano-francesa Toro y Moi é um reconhecido músico e produtor. É referido como um dos principais responsáveis pelo sucesso do movimento chillwave,  e a sua música bebe elementos de vários estilos como a eletrónica, a pop, o indie e o r&b. Ritmos muito descontraídos e com muito groove, que são influenciados pelo artistas com quem Chazwick trabalha. Este álbum é um excelente complemento a Multi-Love, álbum deste ano, dos Unknown Mortal Orchestra, no qual Toro y Moi se envolveu.


Dreamweapon - Dreamweapon


A banda portuguesa foi criada em 2011 e chega-nos em 2015 com um álbum homónimo, com o selo da Lovers & Lollypops, após várias demos lançadas, assim como um EP, também, homónimo. O álbum inicia-se com uma sinfonia de guitarras, que nos vai introduzindo numa outra dimensão. Este trabalha destaca-se precisamente nesta questão. É um álbum coeso de post-rock que imerge os ouvintes numa viagem, que chega a parecer, quase infindável, por diversos universos, sendo até um bom trabalho meditativo e de exploração pessoal. Uma odisseia, portanto, que constitui um dos destaques nacionais.


Mikal Cronin - MCIII


Após 2 álbuns bem recebidos pela crítica, o norte-americano Mikal Cronin volta a apostar numa sonoridade garage, mas com rasgos de pop à singer-songwritter, que tem paralelo em nomes como Bruce Springsteen. Sem abandonar o seu registo habitual, vemos em MCIII um álbum de baladas, enriquecidas instrumentalmente, que nos remetem para outros trabalhos, como MCII, de 2013. A incorporação de instrumentos como o violino encorpou fortemente este álbum, que apesar de delicado é um álbum robusto, e que prova a qualidade de composição do músico americano.


King Gizzard & The Lizzard Wizzard - Quarters


Os King Gizzard & The Lizard Wizard consideram-se uma banda de garage, mas na verdade são muito mais que isso. São uma banda experimentalista, que defende o space-rock e o psych-jazz, construindo canções tranquilas, mas ao mesmo tempo expressivas. Quarters é um conjunto de 4 extensas canções que resulta devido à sua tonalidade lo-fi na abordagem ao psicadelismo. Este é, também, o trabalho mais acessível dos australianos, que não provoca grandes conflitos com este álbum. Quarters também soa a uma jamming session da banda, e é essa naturalidade que nós valorizamos.

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