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|Album Review|

Fidlar - Too

7/10 



FIDLAR é um acrónimo para “Fuck It, Dog, Life’s A Risk”, que significa que nada é certo por isso mais vale aproveitar a vida. Este mote é bastante presente na mentalidade da banda. No inicio da sua carreia estes jovens encontravam-se regularmente em conflitos com a polícia, cantavam sobre cerveja barata e drogas que não prestavam. Agora já estão mais maduros e lançaram o seu segundo longa duração, Too.
Esta banda sediada em Los Angeles, Califórnia começou a tocar junta há seis anos atrás. 

O guitarrista/vocalista Elvis Kuehn, e o seu irmão Max Kuehn, baterista, já tocavam em bandas desde os seus 11 e 10 anos, respectivamente. Mais tarde quando Elvis começou a trabalhar como estagiário na Kingsize Soundlabs, este conhece Zac Carper, engenheiro na discográfica. Rapidamente surge a vontade de criar uma banda e Zac chama o seu amigo Brandon Schwartzel, que se tornou no baixista dos FIDLAR, e Elvis chama o seu irmão Max e assim surge umas das mais influentes bandas de punk da actualidade.



A banda não podia ter escolhido melhor canção para iniciar este álbum, como “40oz. On Repeat”. A música é uma autentica declaração de amor às drogas, que ajudam o vocalista a passar por problemas como a ansiedade social e a solidão em que este se encontra, "But I’m that kind of special person that drinks too much/Cause nobody understands me".
"Punks" e "Leave Me Alone" são as músicas que fazem a transição entre os dois álbuns, tendo uma sonoridade muito semelhante ao homónimo da banda lançado em 2013. O que difere é o estado de espírito de Zac, nota-se que o músico já se encontra algo desgastado com a vida. Estas conclusões são evidenciadas em "Punks", onde Zac acaba com uma espécie de declaração, não cantada, "Relationships are fucking wack/ They make me want to smoke crack/ And girlfriend or boyfriend can suck my dick/ Masturbate, let's make it quick". O segundo single "West Coast" é já uma música mais festiva, com “ahhhs” antes das estrofes e a falar-nos de ficar bêbado durante viagens.



Neste segundo LP nota-se que a banda leva um caminho um pouco diferente do garage- punk. Em "Why Generation", as influencias mais rock vêm ao de cima e resultam numa música diferente e com um refrão muito explosivo. Segue-se a "Sober",  música em que somos surpreendidos por estrofes faladas, onde  Zac tem uma discussão com uma rapariga, mostrando a dificuldade em falar com esta e a revolta que sente pela mesma. "What? You are the one making this whole situation awkward / I'm just asking you / How you are and you say / "Oh I can't be bothered" / What is this? High school?". Esta música contem também o refrão mais catchy do álbum, capaz de ficar na nossa cabeça durante um dia inteiro. Em "Drone" somos surpreendidos com um baixo muito presente no intro e nos refrões, algo não muito normal nas músicas da banda, mas que encaixa muito bem na dinâmica desta faixa. 



Em abril do ano passado o vocalista Zac teve 3 overdoses sob o efeito de heroína. A música "Overdose" é uma exploração direta destes eventos que em muito prejudicaram a relação que os 4 amigos tinham, quase levando ao terminum do projeto. Zac recebeu um telefonema de Billie Joe Armstrong, vocalista dos Green Day, que também passou por problemas de adição a drogas, e que o fez perceber que tinha que mudar. Desde então já se encontra há um ano e meio sóbrio voltando a estabelecer todos os laços perdidos com os restantes membros da banda. 


O álbum acaba com cinco minutos e meio de "Bad Habits". A música explora um tema nunca antes falado no primeiro LP, o crescimento, associado à velhice, algo que com o avançar dos anos seja normal todos começarmos a pensar. Esta última faixa tem uma ambiguidade muito boa, onde encontramos afirmações que relembram os sonhos que todos temos, “I’ve got my whole life to figure it out”, mas que rapidamente passa para “Oh my God, I’m becoming my dad!” a realização de que estamos a ficar velhos. 

Nota-se neste LP que existe uma conotação de evolução, quase como se tratasse de um trabalho de transição para algo que a banda ainda não está bem segura do que seja. Deixa muita curiosidade em saber quais vão ser os arranjos musicais que os 4 rapazes vão expor para os fãs, visto que já em “40oz. On Repeat” a música toma uma nova dimensão no formato live

Músicas a ouvir: “40oz. On Repeat”,  "West Coast", "Drone" e "Bad Habits".


Texto por: Bruno Costa 

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