|Concert Review|

Festival Para Gente Sentada - 2015

SEXTA, 18 DE SETEMBRO

O Festival Para Gente Sentada mudou-se para Braga no passado fim de semana de 18 e 19 de setembro. Quem inaugurou o festival e os concertos espalhados pelo centro da cidade (acessíveis a todos que por lá passam) foram os Serushio. A dupla portuense atuou na Rua do Castelo junto ao famoso café A Brasileira, iluminando a rua com o som do seu rock blues.


Em dia de lançamento do seu álbum “Auto Rádio”, Benjamim ocupou o Largo São João de Souto. Enquanto Benjamim foi a Braga, terra da sua avó, “O Quinito foi para a Guiné”.
Enchendo a zona das “Frigideiras”, este lisboeta encheu-nos com um excelente reportório com temas frescos e outros já com alguma idade, como foi o caso de “Rosie”, uma música escrita em 1973 por Reinaldo Ferreira e Fausto e interpretada por AP Braga.


A acabar a atuação, já sem uma corda no baixo, tocaram “Volkswagen”, um tema em homenagem ao carro que acompanha Benjamim há algum tempo, incluindo nesta tour.


Um candelabro neoclássico sobre o público e cadeiras penduradas sobre o palco a fazer jus ao nome do festival. Este foi cenário com que Bruno Pernadas estreou uma das maiores salas de espetáculo do país. “Ahhhhh” foi a música com que os nove músicos começaram aquele que foi o último concerto da tour “How Can We Be Joyful in a World Full of Knowledge”. Um espetáculo onde músicos de qualidade foi regra: desde solos exuberantes a toda uma energia hipnotizante.


Infelizmente e para grande tristeza do público, “Galaxy” (uma música fresca que ainda não foi editada) não pôde terminar o concerto espetacular que Pernadas deu ao Theatro Circo.


“Estoy muito feliz por estar aqui” foi uma das frases que Yasmine Hamdam repetiu durante o concerto. A libanesa trouxe aos bracarenses o seu único álbum a solo, "Ya Nass" lançado em 2013.


Com um jogo de sensualidade entre a artista e o público, Yasmine surpreendeu com a música “Hal” do filme “Only Lovers Left Alive”. Descontraída e até descalça, animada e bem-disposta cativou desta maneira o público.   


Para fechar, em grande, o Theatro Circo no primeiro dia do festival nada mais nada menos que os Giant Sand. A banda vinda do Arizona, com três décadas de existência, passou por Braga para podermos usufruir do seu rock e country alternativo. Carismático e animado, Howe Gelb, vocalista e líder da banda não só agradeceu, repetidamente, a presença do público com muitos "obrigados" como também brindou dizendo "elections", à USA style, em vez de "cheers".


Como Gelb disse, é uma banda de compositores e produtores. Quem o provou foi o guitarrista, Mark Walton, e o baterista. Walton, a determinado momento e a pedido de Gelb, assumiu o controlo do microfone e brilhou, em espanhol, acompanhado do baixo e da bateria. Já o homem das baquetas, saiu da percussão e foi até às cordas da guitarra acústica. O álbum mais recente dos americanos, lançado este ano, Heartbreak Pass, que retrata a evolução da banda foi escutado no Minho. 


Apesar de não terem trazido o Grand Canyon, vieram os Giant Sant e trouxeram temas dos seus primeiros álbuns com já trinta anos. Assim sendo, foi o concerto com mais destaque da noite.

A noite não acabou no Theatro Circo e passou para o GNRation onde atuaram os seguintes artistas: Nuno Pinheiro, Mdou Moctar e Electric Shoes.

SÁBADO, 19 DE SETEMBRO

Sábado à tarde, centro da cidade, sol, calor e Peixe a dar o que ouvir na Rua do Castelo.
Apesar de barulhos de campanha eleitoral, sentados ou em pé, todos pararam para ouvir o Ex-Ornatos, que apresentou os seus dois projetos a solo, “Apneia” de 2012 e “Motor” de 2015.


Peixe, mais uma vez, encantou o público com a sua delicadeza e as suas influências de jazz. “É um prazer estar em Braga. Espero voltar brevemente a esta linda cidade” finalizou Pedro Cardoso.


Fim da tarde no Rossio da Sé, hora ideal para Time for T. A banda vinda de Brighton, não inteiramente inglesa, voltou a Portugal, terra natal do vocalista, Tiago Saga. Foi então "Long Day Home". Apesar de estarem 4 ao invés de 5 integrantes devido a logística de transporte, a zona história de Braga encheu-se para ouvi-los.
O GPS que os orienta juntamente com a carrinha que os acompanha, foi falado em Braga, no seu mais recente single, "TOMTOM". Sempre com boa disposição e ainda com o seu português bem falado, Tiago convidou o público a abraçar a pessoa que estava a seu lado, sendo ou não uma desconhecida, para introduzir "Free Hugs".


Na cidade de origem da banda, Tiago, Martin (bateria), Joshua (baixo) e Harry (guitarra), conhecem um mendigo mas também poeta, chamado "Johnny". Por acharem que é de extrema importância pessoas como o Johnny serem imortalizadas e eternamente relembradas, escreveram sobre ele. Os grandes frequentadores de Portugal não se ficaram apenas por temas menos recentes uma vez que, tocaram aquele que, provavelmente, será o próximo single intitulado de "Rescue Plane”.
Para terminarem a atuação à sua maneira, pediram para que se quebrasse o nome do festival e, todos de pé "abanassem o capacete".


Foi B Fachada quem, na sala mais iluminada de Braga, abriu a segunda e última noite do festival. Apesar de só em palco, o Theatro Circo estava cheio, pronto para receber e aplaudir o fachadês. "Sozinho no Róque", do álbum B Fachada de 2011, um tema que raramente toca, foi o primeiro a ser ouvido e apesar de "a puberdade ser uma dieta", o lisboeta estava de barriga cheia após jantar na capital Minhota.


Com apenas quarenta e cinco minutos de poder sobre o palco, partiu logo para a pergunta "Quem Quer Fumar com o B Fachada?" e, seguidamente, sublinhou que não devemos dar só música à bófia, mas a todos nós. "TóZé" e "Pifarinho" juntaram-se à festa, sendo "Pifarinho" uma das mais recentes músicas de Bernardo Fachada, contando apenas com um ano de vida.


Apesar de sentado, o público não deixou de vibrar e dançar ao som das batidas africanas e eletrónicas, presentes em muito do reportório apresentado naquela noite, como por exemplo, em "Afroxula".
Não trouxe a famosa Braguesa mas não se esqueceu de "Mané" que disse adeus a Braga.


O último concerto no Theatro Circo foi dado pelos Mercury Rev, banda que já conta com 31 anos. Os norte-americanos, um dia antes de atuarem na capital Minhota, editaram o primeiro álbum em sete anos, denominado “The Light in You”.
Aplaudidos logo de início, começaram com “The Queen of Swans”, um tema pertencente ao seu mais recente álbum.


O culminar do concerto aconteceu quando Jonathan Donahue, vocalista, relatou uma história sobre um grande amigo que faleceu. “Sabem quando o vosso telemóvel toca e vocês sabem, quando olham para o visor, que algo mau aconteceu? Já me aconteceu. Atendi o telemóvel e recebi a notícia que um amigo meu, uma grande e bondosa pessoa, faleceu. E eu sei que se ele aqui estivesse, nesta linda sala, adoraria. Por isso, esta música é para ele”- proferiu Jonathan, dedicando a música “Sea of Teeth” dos Sparklehorse.


Sendo o concerto mais esperado da última noite do Festival, a Gente Sentada satisfeitíssima com a atuação, louvou os nova-iorquinos.
A noite prolongou-se para o GNRation com The Filthy Pigs, Filho da Mãe & Ricardo Martins e, para finalizar, Dj COCO.



Terminou então, a primeira edição do Festival Para Gente Sentada em Braga, com um feedback bastante positivo. 


Textos: Carolina Bravo

Fotografia: Inês Pereira (https://www.flickr.com/photos/ineseaside/)

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