Artigos Glass Journal

Indie Music Fest - Dia 3


O Bosque do Choupal, em Baltar, Paredes, foi durante os dias 3, 4 e 5 de setembro, a capital da música independente portuguesa e nós estivemos lá para vos dizer o que é o Indie Music Fest e como foi esta edição. 

Esta foi a edição mais concorrida do Indie Music Fest, que teve os seus bilhetes perto de esgotar, mas apesar deste aumento dos festivaleiros, em Baltar existia um espírito de camaradagem difícil de encontrar por estas alturas. Respirava-se, sobretudo, tranquilidade, devido à magia do Bosque, mas também houve lugar para festas e algum descontrolo em horas mais tardias.
O Indie Music Fest é um festival que procura utilizar da melhor maneira todo o seu espaço, que referimos já agora não ser muito, tendo o campismo "encostado" ao recinto, que tinha um mercado e uma exposição de arte independente, à semelhança do seu nome.


Neste primeiro dia, apenas estiveram em atividade os palcos Cisma e Portugal 3.0/Antena 3, mas foi no primeiro que se abriu o Indie Music Fest, ao som do blues dos Moonshiners, banda de Aveiro. Como todos sabemos, ser a primeira banda a abrir um festival nunca é fácil, as pessoas ainda se estão a habituar ao ambiente e a explorar os canto à casa, mas o quarteto fez um excelente trabalho.



O seu blues demorou cerca de 3 músicas para conseguir contagiar o público a dançar, mas quando começou durou até ao fim. Tudo corria da melhor forma até que ouve uma pausa inesperada devido a uma falha de electricidade quase a meio do espectáculo, deixando tudo às escuras e sem som. Este acontecimento foi superado facilmente pela boa disposição da banda e do público que como esperado fez barulho ao ver as luzes a apagarem. O espectáculo deixou na cara de cada um a felicidade de ouvir a música contagiante dos Moonshiners.



Duas horas após este concerto de abertura da banda de Aveiro, os Bispo iniciam, de uma forma ainda algo lenta, a sua festa. Esta lentidão foi dando aso a um maior ritmo e uma hipnotização cada vez mais acelerada dos ouvintes. A viagem bispal, sem qualquer ligação religiosa, iniciou-se em “Cancun” com 2 membros na tripulação. 



Francisco Ferreira nas teclas e voz, Domingos Coimbra na bateria. Ao longo desta viagem, a tripulação Bispo foi crescendo, alargando-se a Manuel Palha em teclas e sintetizadores complementares, Salvador Seabra nas congas e até Tomás Wallenstein a dançar e, ocasionalmente, a tocar pandeireta. Eram todos os membros dos Capitão Fausto a bordo desta viagem musical neste confinado espaço que era o Palco Cisma.


No fim desta viagem, chegámos ao Palco Portugal 3.0/Antena 3, onde os Eat Bear, um dos finalistas vencidos do Concurso Nacional de Bandas organizado pela Antena 3, inquietaram o público presente no Bosque do Choupal para esta celebração da música independente. 



O concerto foi marcado por uma maior energia do que aquela que tivemos oportunidade de reportar, aquando do concerto com os Toy e os Clinic no Hard Club. Desta feita, o indie rock com tons de garage desta banda da cidade invicta sobressaltou vários espectadores, que levaram a um concerto num modo algo frenético, que teve, inclusive, crowdsurf do vocalista, o baixista a tocar deitado no palco e dois espetadores a dançar no palco, a pedido dos portuenses.


Um pouco depois da meia noite iniciou-se, no palco Cisma, o concerto dos Cave Story. A banda das Caldas da Rainha é cada vez mais conhecida e acarinhada pelo público português, o que fez com que dessem um dos melhores concertos do primeiro dia. O concerto começou com uma das músicas mais antigas da banda, a "Crystal Surf" que quase toda ela podia ser um hino aos Joy Division, desde o baixo bastante presente, assim como toda a dinâmica que a envolve sempre a lembrar a mítica banda inglesa. O concerto prosseguiu e logo na segunda música a poeira característica deste palco começou a levantar e nunca mais parou.



Os Cave Story lembram muitas bandas, uma das mais presentes, são os americanos Parquet Courts, mas as suas influências não são só do garage rock ou do post-punk, mas também um pouco da vertente psicadélica. O concerto foi marcado também por uma invasão de palco, pelos mosh's constantes, pelo stage diving do vocalista e do baterista, que foi substituído no final do concerto pelo vocalista, onde tocou apenas com o baixista. 



O primeiro dia encerrou com o explosivo concerto de Plus Ultra, composto por membros de antigas bandas como Ornatos Violeta, Zen e Mosh. Os espectáculos dos Plus Ultra são conhecidos por serem muito agressivos, e este não ficou aquém das expectativas, parecia que o mosh era o imperativo que se vivia no público. Gon, o vocalista, teve sempre uma atitude explosiva e inesperada, pedia por vezes bebida ao público, tendo sido sempre bem servido com a habitual cerveja de festival. 



A meio do concerto quase que expôs os seus glúteos, mas apenas mostrou meio rabo, fazendo toda a gente gritar de êxtase.  Mesmo na parte final do espectáculo Gon trocou com Kinorm, o baterista, e tocou algumas batidas auxiliado da guitarra, mas nada que fizesse o público transbordar de loucura. Em seguida os lugares voltam a ser repostos e a banda termina com uma gritaria arranhada, distorções pesadas e rápidas batidas na bateria, que deliciaram o público com um último mosh do dia.  

Textos: Bruno Costa e Eduardo Antunes
Fotografia: Francisco M Soares (https://www.flickr.com/photos/franciscomoraissoares)

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