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Indie Music Fest - Dia 4


Ao segundo dia da celebração da música independente nacional, o Palco #IMF e a Fábrica Eletrónica iniciaram os seus trabalhos, construindo um dia com mais concertos que o dia anterior.
Como esta foi a edição mais concorrida do Indie Music Fest, houve alguns percalços no caminho, nomeadamente com questões ligadas ao campismo, como a água e a eletricidade, devido a uma das fontes de energia ter estado a arder, levando a um atraso nos soundchecks e também nos concertos. Contudo, o espírito mágico do Bosque do Choupal manteve-se intacto. Havia pessoas a chegar neste dia, alguns apressados depois de uma semana de trabalho, para poderem passar 2 dias em Baltar, a respirar música portuguesa.





O Palco #IMF foi aberto por Taipa & The Blackbirds, banda que dá corpo ao projeto pessoal de Rui Taipa, que aqui perde um pouco do seu ar de singer-songwritters de músicas folk e assume uma roupagem mais pop-rock das suas canções. Taipa sentiu-se, sobretudo, humilde, por estar a ocupar o palco principal, quando outras bandas de renome foram destinadas a palcos menores, como o próprio referiu. 




Esta sua mistura de estilos desde o country ao rock português (chegou a apresentar algumas semelhanças com porta-bandeiras nacionais como Ornatos Violeta e os Toranja), levou a que a plateia fosse contemplando, cada vez mais, a sua música. Taipa é um homem de guitarra na mão, mas não se fica por aí. Tocou também harmónica e um instrumento mal-amado: o kazoo. A festa ficou concluída quando fizeram um cover do êxito de Pharell Williams, a mundialíssima "Happy".





No segundo dia do festival deu-se um concerto bastante importante, falamos do concerto dos Los Black Jews e damos elevada importância porque a banda lisboeta mudou de identidade, passaram a chamar-se Migthy Sands e este foi o penúltimo concerto com o antigo nome.




Passando a história informativa à frente voltamos à reportagem, os Los Black Jews, banda composta por 5 músicos, quase que não coube no Palco Cisma, mas tudo foi possível. A banda encantou-nos com o seu surf-rock, que envolvido pela natureza permitiu criar um ambiente muito relaxado. Iniciaram o seu concerto com um cover e logo de seguida começaram a tocar o seu reportório, o público todo estava rendido e abanava a cabeça como um bom ouvinte de surf-rock. O dia foi marcado por alguns atrasos nos horários e os Los Black Jews foram obrigados a acabar duas músicas mais cedo de forma a dar permissão ao início  do concerto dos Capitães da Areia. 






De volta ao Palco #IMF, os Capitães da Areia registaram um dos concertos de maior destaque do festival, e um dos que maiores assistências teve. Em palco, apresentaram-se apenas como trio: António Moura na bateria, Tiago Brito na guitarra e sintetizadores, e Pedro de Tróia na voz com a sua raquete de ténis, qual guitarra qual quê? Vasco Ramalho, está fora da banda devido a viver no estrangeiro, e Inês Franco, responsável por alguma parte eletrónica e pelo trabalho atrás do Mac, não estiveram no Bosque de Choupal a viver este grande concerto. 




Pedro de Tróia tomou as rédeas deste concerto e foi alertando os seus ouvintes para os perigos dos alces e outros animais, enquanto dava um concerto apaixonado e enérgico, com uma synth pop de uma epopeia dos tempos modernos que é A Viagem dos Capitães da Areia a Bordo do Apolo 70, o seu segundo álbum. O pão com marmelada, cantado em "A Partida Para o Espaço" foi um verdadeiro sucesso, tendo até sido atirado por Pedro, para o público, assim como um copo de vinho. Houve ainda tempo a subida de postes por Pedro e a um crowd-surf iniciado com um abraço a um fã em êxtase.




Chegaram do mesmo distrito, mas o seu som não é local. Os Malcontent trazem um rock algo tradicional, mas com umas nuances do noise e do indie rock, feito para gente adulta, e pronto a ser ouvido em todo o lado. No Palco Portugal 3.0/Antena 3 demonstraram o controlo caraterístico à sua música que não parte para maiores "violências musicais" e não chega a tomar registos agressivos, mantendo uma sobriedade obscura que funciona aqui como a marca desta banda da cidade invicta. 



Vieram ao Bosque de Choupal mostrar à malta mais nova, que também existem projetos interessantes em Portugal, que não se iniciam aos 20 e poucos anos. Com o seu álbum Riot, Sound, Effects na bagagem, conquistaram mais alguns fãs, mas deixaram o aviso de que "não são os Jesus And The Mary Chain".




Os Brass Wires Orchestra atuaram no Palco #IMF e fizeram jus ao seu nome, já que trouxeram 9 elementos ao Bosque do Choupal, que tocaram desde guitarras e pianos a contra-baixos, saxofones, trompetes, entre um grande número de instrumentos. Os problemas técnicos que aconteceram durante o dia, voltaram a atacar, desta vez, no concerto dos BWO, o que levou a tempos-mortos que alguns dos músicos trataram de ocupar, com solos improvisados. Destacamos o improviso na bateria e também o solo a piano da bielorrussa Katherina




Apesar dos concertos deste dia terem sido apressados, de um modo geral, devido aos atrasos, os Brass Wires Orchestra tiveram ainda tempo para apresentar uma nova música à qual ligaram a um meedley de Alt-J, passando por "Breezeblocks" e "Matilda", onde houve um verdadeiro sing-a-long.




Os Astrodome, banda proveniente do Porto, conseguiu encher o Palco Cisma com um público muito acolhedor. A sua música concentra-se num género, pouco conhecido, o post-stoner, um misto do post-rock com um stoner-rock mais pesado que leva a plateia a abanar fortemente a cabeça, mas também a saltar nos rápidos e explosivos 
instrumentais.



O baterista, com um papel fulcral, tocava com toda a agressividade típica deste género musical fazendo saltar baquetas quase a cada música, mas rapidamente recuperava e as substituía por novas. Em álbum, esta banda apresenta semelhanças a Radio Moscow, mas em concerto mostram um arranjo bastante diferente, muito próprio, que lhes encaixa muito bem. O concerto teve uma duração normal, mas o público pediu por mais, mostrando que estavam contentes com a prestação dos nortenhos.




Salvador Seabra, Manuel Palha e Tomás Wallenstein são Modernos, um side-project dos Capitão Fausto que traz o garage rock de volta à modernidade e dá-lhe a qualidade típica das músicas dos Capitão Fausto. São também um dos projetos mais recentes com mais rápida consolidação e daí terem enchido o Palco #IMF neste dia 4 de setembro, tendo atuado na condição de cabeças-de-cartaz do Indie Music Fest





Com 2 EPs na bagagem, os Modernos tinham de ocupar o restante tempo do concerto e para isso fizeram um cover dos Feromona, deram lugar a uma música solo por Tomás Wallenstein num modo muito intimista (o que é raro!) e tocaram duas músicas do projeto de Salvador Seabra: El Salvador. A banda mudou de instrumentos, tendo Salvador tomado conta do microfone. A segunda destas duas músicas foi "Derradeira", música de pouco mais de 1 minuto dada a conhecer muito recentemente. A banda voltou ao seu estado normal, tendo contado com algumas participações dos restantes membros dos Capitão Fausto: Domingos Coimbra e Francisco Ferreira. O concerto acabou em modo de celebração com "Casa a Arder" a ser tocada pela segunda vez.






O Palco #IMF estava encerrado e as atenções viraram-se para o Palco Portugal 3.0/Antena 3, onde a outra banda finalista do Concurso Nacional de Bandas da Antena 3 atuou. Falamos dos Les Crazy Coconuts. A banda de Leiria teve um grande crescimento neste último ano, devido à sua caraterística inovadora: a junção de música entre o indie e o pop-rock com uma das danças mais mal-amadas: o sapateado



O protagonismo passa, assim, do vocalista Gil Jerónimo, para a dançarina Adriana Jaulino, que ocupa o lugar central no palco e tem um vestido algo exuberante. Foi, sem dúvida, um concerto cheio de energia, algum rock e muito brilho, a encerrar o palco com a curadoria da Antena 3, levando os restantes festivaleiros para a Fábrica Eletrónica, ou para umas horas de descanso no campismo.

Textos: Bruno Costa e Eduardo Antunes
Fotografia: Francisco M Soares (https://www.flickr.com/photos/franciscomoraissoares)

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