Indie Music Fest - Dia 5



O dia 5 de setembro marcou o fim desta edição da celebração da música independente no Bosque do Choupal: o Indie Music Fest. Foram 3 dias de pura magia portuguesa em Baltar, Paredes.
Esta foi uma edição marcada por alguns problemas ao longo do caminho, quer ligados ao campismo como problemas de ordem técnico no som dos concertos. A organização procurou responder a estas questões da melhor maneira possível, mantendo o espírito do festival intacto, neste dia que contaria com um dos maiores nomes do panorama musical português do século XXI, os Linda Martini.


Neste dia fomos surpreendidos com uma mensagem da organização para comparecermos na zona de press as 16, que as 16:30 iam partir dois autocarros com os repórteres e com cerca de 40 pessoas para assistir ao concerto surpresa. Este concerto foi dado num formato a solo por Taipa




Esta surpresa teve cerca de meia hora, onde o músico tocou algumas músicas mais antigas, sempre auxiliado da sua guitarra acústica e por vezes de um bombo. Perto do fim fomos novamente surpreendidos por uma declamadora de poesia, que juntamente com Taipa criaram momentos únicos nos rochedos perto do miradouro de Baltar. A poetisa expôs poemas de Bukowscki, do jovem português Pedro Craveiro e de Adília Lopes.




No terceiro dia iniciamos os concertos oficiais às 19:15 com o punk-rock, surf-rock dos portistas The Sunflowers. Mais uma vez o dia começa no Palco Cisma, a banda com claras influências na cena punk californiana, não conseguiu encher na totalidade este palco, mas a festa foi feita por todos os que ali compareceram. 

O concerto começou e ainda havia algumas pessoas a chegarem ao palco. Pelo fim da primeira música o público já estava formado. Toda a gente recebia muito bem o duo com com as suas cabeças a abanar, mas o verdadeiro êxtase veio  quando o vocalista, Carlos de Jesus, tirou a roupa e revelou um vestido muito curto. 



Neste momento era previsível a música que se seguiria, a grande malha “I'm A Woman, I'm A Man”. Foi a partir daqui que os mosh’s começaram e a festa arrancou. Um dos problemas dos mosh’s neste palco é a poeira que estes levantam, que fez com que o público se afastasse um pouco da linha da frente para poder respirar. O fim deste concerto contou com um sem número de loucuras. Carlos saltou para perto da sua audiência e entregou uma litrosa vazia a um espectador para este fazer slide na guitarra, mas a atitude punk não acabou aqui. O duo trocou de instrumentos e tocaram a última música como se este fosse o seu último concerto. 




Antes desse concerto muito esperado, fomos ver os Old Yellow Jack, que abriram o Palco #IMF neste último dia do Indie Music Fest. Os lisboetas descrevem-se como uma banda de "post-pizza" e, de facto, têm bastantes elementos de "post" na sua música. Não falamos de pizza, mas sim de post-rock e de post-punk, ligados a outros estilos como o indie rock. Como já se percebeu até aqui, são uma banda divertida, mas a diversão não chegou a todos os festivaleiros do Indie Music Fest, já que o público era parco neste primeiro concerto do dia no palco principal.



O alinhamento das músicas foi algo diferente e arrojado pois tocaram as canções novas, que ainda não foram editadas, de uma rajada, deixando para o final as canções do EP Magnus, produzido por Francisco Ferreira. No fim, viu-se que a aposta foi ganha, já que a resposta foi francamente positiva.




Continuando no palco principal do Indie Music Fest, o Palco #IMF, com os Thunder & Co. O duo lisboeta mudou a direção do festival por menos de 1 hora, passando de um festival indie, para um festival eletrónica e de dança, apesar de durante pouco tempo. Foi um concerto enérgico e que, devido à sua vertente mais dançável, talvez devesse ter sido uma aposta mais noturna do que foi.



De qualquer das maneiras, a festa fez-se, apesar dos próprios Thunder & Co. perceberem, e afirmarem, que este trata-se de um festival "do pessoal do rock". Talvez, devido a cortarem um pouco com a agressividade vista anteriormente em Sunflowers, os Thunder & Co. levaram a uma hora de dança contagiante para o seu público, que vibrou com os singles "Apples" e "ONO" e que ficou contente com o conjunto de agradecimentos que os homens do palco dirigiam.





Os vimaranenses Toulouse já não são nenhuns desconhecidos e como prova disso apresentaram o seu espetáculo no Palco Portugal 3.0/Antena 3.

Sempre que se ouve o dream-pop, indie-rock dos Toulouse é quase impossível não associar com os norte americanos DIIV. As duas bandas têm semelhanças, mas os portugueses imprimem nas suas músicas caraterísticas muito próprias tornando-se numa nas revelações da música portuguesa.






Durante todo o seu concerto o público maravilhou-se com a sua música, a voz sempre associada a um pedal loop fazia com que as músicas tivessem uma dimensão extra. 
O concerto foi marcado pela sua música dream-pop misturado com um surf rock, por uma nova música que a banda tocou e pelo anúncio do seu primeiro álbum, a ser lançado pela Revolve, no próximo ano.



Em seguida a grande maioria dos festivaleiros dirigiu-se para o Palco #IMF para ouvir os Keep Razors Sharp que deram um dos melhores concertos do festival. O dia já era longo e o cansaço de 3 dias a acampar já se sentia nas pessoas, mas a energia que o quarteto conseguiu transmitir fez com que a festa continuasse, os mosh’s aconteciam em quase todas as circunstâncias, as pessoas saltavam e gritavam, criaram-se momentos para recordar.


Os Keep Razors Sharp são uma banda muito profissional e isso é algo que se faz sentir nos seus concertos. Foram das primeiras bandas que vimos que podíamos dizer que estavam a fazer uma tour europeia e que passaram por Portugal para fazer um concerto. 
No final da sua atuação fizeram uma grande viajem musical, com um instrumental a derivar entre o shoegaze e o psicadélico, não acabando assim, mas sim com uma explosão grandiosa digna de ficar retida na nossa cabeça durante quase uma semana. 



A noite estava cada vez mais perto de acabar e as pessoas notavam-se ansiosas e algo inquietas por receber o cabeça de cartaz do festival, os Linda Martini, mas sem nunca antes poderem passar pelo Palco Cisma para pôr os olhos no quinteto Big Red Panda.




A banda natural da terra nortenha de Ponte de Lima, encheu o pequeno palco e fez ouvir por todo o Bosque do Choupal, o seu stoner-rock com vertentes psicadélicas, já que se nas suas inspirações apontam nomes como Pink Floyd e Tame Impala. A banda foi sempre muito conversadora e de muito bom humor, o que fez com que se criasse um ambiente muito confortável.




Os Linda Martini chegam ao Palco #IMF emergidos em êxtase do público, que tanto esperava pelo derradeiro cabeça-de-cartaz desta edição do Indie Music Fest. Trazem um público fiel à celebração da música independente. Mais fiel ainda do que o público que se rendeu aos side-projects dos Capitão Fausto: Bispo e Modernos, que os Linda Martini consideram como "os putos mais fixes".


É também devido a esta fidelidade do público, que a ausência de Cláudia Guerreiro, suprimida pelo amigo Makoto Yagyu, é ultrapassada e não cria nenhum entrave ao concerto de destaque deste festival. 
Passado cerca de uma hora, os Linda Martini saem de palco para o já tradicional no mundo do show-biz encore. Infelizmente, o conceito parece ainda não ter chegado a todos, e muitos fãs, mesmo aqueles mais aguerridos, saem do espaço do palco principal, e dirigem-se para o Palco Portugal 3.0/Antena 3, para ver os Stone Dead. Quando regressam, os Linda Martini fazem a festa com os, muitos, que ainda restam e deixam, muitos, a pedir por mais.



Os concertos nesta edição do Indie Music Fest terminaram com a atuação dos Stone Dead.
A banda iniciou o concerto perto das duas da manhã e foi recebida muito bem, com um mosh mesmo na primeira música. Como já devem ter percebido o público do IMF gosta muito de mosh’s. A música do quarteto foi a mais indicada para a hora tardia, porque nada melhor do que um rock pesado para puxar pelos últimos cartuxos das pessoas.


Algo surpreendente foi a presença de uma harmónica no meio deste ambiente cheio de rock, mas encaixou muito bem. 
A organização não poderia ter feito uma melhor escolha para terminar os concerto do que ter escolhido os Stone Dead. Agora para encerrar definitivamente o Indie Music Fest estava aberta a Fábrica Eletrónica, mas muitos escolheram o regresso ao campismo.

Textos: Bruno Costa e Eduardo Antunes
Fotografia: Francisco M Soares (https://www.flickr.com/photos/franciscomoraissoares)

Sem comentários:

Com tecnologia do Blogger.