|Album Review| - A influência dos 80s no upbeat dos Chvrches

CHVRCHES - Every Open Eye

 7/10 




Dois anos após o lançamento do arrebatador The Bones of What You Believe, os escoceses Chvrches, são dos maiores porta-bandeiras do synthpop e do pop eletrónico “cantado para gente do indie”. É assim normal que, neste curto espaço de tempo, tenham surgido vários projetos que se fizeram cobrir deste “chapéu musical” que é o ressurgimento do synthpop. Em Every Open Eye, os Chvrches reafirmam a sua vontade de ser o maior sinónimo do synthpop, bebendo da música pop dos anos 80, e apresentando um álbum conciso, sem falhas a nível produtivo e também na construção do próprio LP.




Neste Every Open Eye encontramos uma dualidade, que não estava tão presente em The Bones Of What You Believe. Nesse primeiro álbum, encontrávamos músicas mais “felizes”, que carregavam nas suas letras, um sentimento em menor êxtase, falando, principalmente, de relacionamentos falhados. Em Every Open Eye, encontramos uma maior definição dos temas, existindo músicas claramente “despreocupadas”, como os singles “Never Ending Circles” e “Clearest Blue” e músicas mais carregadas como “Playing Dead” e “Bury It”. Nas restantes, encontramos o tal misto, a tristeza disfarçada, mas desta vez, não se fala só de relacionamentos. Lauren Mayberry fala também da discriminação sexual que viveu, das tentativas de agressão sexual que sofreu e da emancipação das mulheres e dos jovens, como se vê na letra de “Make Them Gold”, “we will take the best parts of ourselves and make them gold”, que constitui uma das músicas com maior potencial deste álbum, devido à sua vertente apoteótica.


É também possível de notar, em Every Open Eye, um ritmo mais acelerado e constante, principalmente na eufórica “Clearest Blue”, que só chega a abrandar um pouco na sexta faixa do álbum, “High Enough To Carry You Over”, cantada por Martin Doherty, que nos remete para alguns registos dos Daft Punk. Depois desta música, o álbum vai baralhando com esta questão rítmica, mas sempre de olhos na pista de dança. Uma pista de dança que cativa facilmente todos, e se coloca num terreno em que tanto é pop como é underground. Isto apesar de os escoceses terem vindo dizer, recentemente, que se deve procurar eliminar os estigmas contra a música pop e admirar a sua arte, como se admira os demais géneros.


Esta natureza consistente e aguerrida de fazer pop é o que valoriza, principalmente, Every Open Eye, onde vemos Lauren Mayberry mais confiante, mesmo que por vezes em registos vocais um pouco diferentes do seu, fortemente apoiada pelos dois homens da eletrónica Martin Doherty e Iain Cook.


Every Open Eye, sem ter o impacto de The Bones of What You Believe, prova que os Chvrches não sucumbiram perante a árdua tarefa de criar um segundo álbum, e que estarão aqui durante muito mais anos, a defender o trono do synthpop, que já parece ser seu.


Músicas a ouvir: “Leave a Trace”, “Clearest Blue”, “Make Them Gold” e “Keep You On My Side”.


Texto por: Eduardo Antunes

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