Top Albums 2015 | Top 10



E assim chegamos ao fim da nossa lista dos melhores álbuns internacionais de 2015. Em seguida apresentamos o Top 10, assim como a lista atualizada dos 30 melhores álbuns para nós, na Glass Journal.


10. Courtney Barnett ­- Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit
Após três EPs, a música australiana de indie-rock Courtney Barnett descobriu a sua fórmula de sucesso. A cantora e compositora conseguiu criar a sua identidade, utilizando três dos instrumentos mais populares e utilizados no dia-a-dia (guitarra, baixo e bateria). A australiana compôs as músicas deste álbum durante um ano e apenas as mostrou à sua banda uma semana antes das gravações, para que estas canções tivessem um som “fresco”. O que não deixa de ser curioso é que o seu maior single deste longa duração, “Pedestrian at Best”, foi escrito nos últimos minutos de gravações, sendo este um exemplo da descontração e capacidade de improviso de Courtney.


9. Alabama Shakes ­- Sound & Color
Passados 3 anos desde o lançamento do primeiro álbum (intitulado Boys & Girls), os Alabama Shakes editaram o seu segundo longa duração, denominado Sound & Color, que mantém a mesma base musical que o seu antecessor, mas onde assistimos a um refinamento do seu som. Os Alabama Shakes já não são apenas a banda que resgatou o roots rock e que deixou a sua vocalista Brittany Howard brilhar. Os americanos estenderam o seu som até atingir os mundos da americana e do indie, fazendo com que sejam uma das presenças mais desejadas pelo público e pelos media em qualquer festival de renome.



8. Father John Misty – I Love You Honeybear


O antigo membro dos Fleet Foxes, Joshua Tillman, aventura-se no segundo álbum sob o alter-ego de Father John Misty. I Love You, Honeybear conta a história de amor mais profundo e mais revelador que este conheceu. Neste álbum conceptual, Joshua retrata a sua busca pelo amor e a sua fuga das intimidades, até que conhece Emma. Father John Misty apostou numa história amorosa de carácter biográfico, que começa com uma epopeia dos tempos modernos, “I Love You, Honeybear”, e atravessa muitos momentos sombrios e emocionantes, nesta viagem sobre a vida amorosa de Tillman.



7. Björk - Vulnicura


Björk auspiciava um álbum diferente de todo o seu trabalho, mas Vulnicura está na linha de Biophilia, o seu penúltimo LP. Mas este aspeto não é, de todo, algo negativo. Vulnicura é um trabalho cru da islandesa, carregado de todo o seu experimentalismo e que nos mergulha num universo floreado e primaveral e, também, algo alienígena, contrastando com o cenário mais obscuro e estrelado de Biophilia. A música que acompanha a voz de Björk é quase uma banda sonora, que faz a perfeita junção de música clássica e trilhas de violino com sons electrónicos e um clima espacial que permeia o disco todo.


6. Shana Cleveland & The Sandcastles – Oh Man, Cover The Ground
Normalmente os projetos paralelos de bandas não atingem grande patamar musical, pois a sua sonoridade é muito semelhante à banda mãe, parecendo um conjunto de canções inferiores às registadas em álbum pela banda-mãe. Shana Cleveland, das La Luz, com os “seus” The Sandcastles é a exceção que faz a regra. Aqui a sonoridade garage e surf rock é trocada pelo folk e pelo caráter de singer-songwritter de Shana, que consegue um álbum de uma acalmia excecional, cujos amigos dos Sandcastles ajudam a criar com o baixo e com os ritmos percussionados.


5. Tame Impala - Currents
Ao terceiro álbum, o cérebro por trás dos Tame Impala, Kevin Parker, decidiu reinventar a banda, apesar de saber que poderia perder fãs que se dedicam mais ao rock e às guitarras. Currents nasce, assim, contra a corrente dos australianos, mas ao mesmo tempo é o álbum que os Tame Impala tinham de criar. O “abandono” das guitarras pelos sintetizadores não abriu lugar a riffs de guitarra que os Tame Impala já tinham mostrado dominar, mas deram lugar a um conjunto de influências que resultam extraordinariamente em Currents. Falamos de géneros como r&b e hip-hop, mas também de synthpop e new wave. Este parece ser mesmo o ano em que a eletrónica passa a fazer parte do quotidiano da música psicadélica, pois para além de Tame Impala, outros artistas como os Unknown Mortal Orchestra fizeram este exercício.


4. Julia Holter – Have You In My Wilderness
Julia Holter é uma compositora, teclista e intérprete, mas, acima de tudo, com Have You In My Wilderness, demonstra mais uma vez ser um mostro do revivalismo da música barroca, com ares de pop e folk.  É também autora de graciosidades, como as músicas "Feel You" e "Silhouette", que nos permitem embarcar em viagens no tempo, acompanhados da sua companhia. "Have You In My Wilderness" é um disco inquietante, que prende o bom ouvinte e carregado de requinte em música pop, caraterística que só encontramos em algumas artistas como Joanna Newsom ou a própria Kate Bush.  


3. Sufjan Stevens ­- Carrie & Lowell
Passaram 5 anos desde que Surfjan Stevens nos presenteou com um álbum de estúdio, que aliava a electrónica e o art rock às suas raízes de folk. Volvidos estes 5 anos, Stevens volta às raízes e apresenta-nos um álbum de uma naturalidade brilhante. Carrie & Lowell é uma parte de Stevens, é um trabalho frontal, sem rodeios e que nos encanta pela simplicidade cristalina que apresenta nas 11 canções acústicas que compõem este regresso aos longa durações, no qual Stevens homenageia a sua mãe (Carrie), que faleceu em 2012, e também o seu padrasto (Lowell).


2. Kendrick Lamar – To Pimp a Butterfly
Observando a capa de To Pimp a Butterfly, de Kendrick Lamar, pensamos em cenários de revolta e conquista, que nesta imagem parece ser uma revolta étnica. Mas este álbum fala de uma revolta individual de Kendrick. Revolta esta provocada pela miséria que vê pelo mundo fora: escravatura, descriminação, mortes, guerras, fome, e um interminável número de problemas deste mundo, que levam Kendrick a se perguntar onde permanece a cidadania e a solidariedade que, teoricamente, são aspectos da raça humana. Kendrick assume-se como um porta-voz da razão, e é por isso que To Pimp a Butterfly deve ser reconhecido.


1. Jessica Pratt - On Your Own Love Again
Pode parecer algo surpreendente, mas para nós a surpresa está na ausência de Jessica Pratt de alguns dos grandes tops do ano. Pratt é uma singer-songwritter americana que personifica o movimento freak folk dos anos 60 e 70. On Your Own Love Again é um álbum lo-fi que configura na maior obra deste ano para a Glass Journal. A voz de Jessica e o seu dedilhar de guitarra são uma elevada dose de serenidade, à qual ninguém pode ficar indiferente. Temas como “Game That I Play” e “Greycedes” levam-nos a comparar Pratt a grandes nomes do folk como a célebre singer-songwritter Stevie Nicks. Depois de dois álbuns de grande êxito (Jessica estreou-se com um álbum homónimo em 2012) só nos resta esperar a possibilidade de a Glass Journal poder contemplar a sua arte em terras portuguesas.

Lista atualizada:
30. Viet Cong – Viet Cong
29. Vince Staples – Summertime ’06
28. Holly Herndon - Platform
27. Nicolas Jaar - Pomogranates
26. D’Angelo And The Vanguard – Black Messiah
25. Kurt Vile – b’lieve I’m goin down
24. Ibeyi - Ibeyi
23. Kelela – Hallucinogen
22. Jamie xx - In Colour
21. Donnie Trumpet & The Social Experiment - Surf
20. King Gizzard & The Lizard Wizard - Paper Mâché Dream Balloon
19. John Grant – Grey Tickles, Black Pressure
18. Kamasi Washington – The Epic
17. Steven Wilson – Hand. Cannot. Erase.
16. The World Is A Beautiful Place & I Am No Longer Afraid To Die - Harmlessness
15. Clarence Clarity - No Now
14. FKA Twigs - M3L1SSX
13. Panda Bear – Panda Bear Meets The Grim Reaper
12. Destroyer - Poison Season
11. Joanna Newsom - Divers
10. Courtney Barnett ­- Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit
9. Alabama Shakes ­- Sound & Color
8. Father John Misty – I Love You Honeybear
7. Björk - Vulnicura
6. Shana Cleveland & The Sandcastles – Oh Man, Cover The Ground
5. Tame Impala - Currents
4. Julia Holter – Have You In My Wilderness
3. Sufjan Stevens ­- Carrie & Lowell

2. Kendrick Lamar – To Pimp a Butterfly
1. Jessica Pratt - On Your Own Love Again




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