|Album Review| - O derradeiro esforço pop dos Chairlift

Chairlift - Moth

 7,5/10 



2016 arranca com uma onda de synth pop com Moth, o terceiro álbum de estúdio de Chairlift, o duo nova-iorquino composto por Caroline Polachek e Patrick Wimberly que vem a Portugal em junho ao festival NOS Primavera Sound. "Moth" é o subsequente de Something, apresentando-se como um álbum de redenção à desleixada produção do seu primeiro LP Does You Inspire You. Neste seu novo álbum reenforçam-se os níveis de produção e observa-se um som limpo, mas com uma certa falta de originalidade, tendo influências excessivamente marcadas. 

A tracklist é iniciada por "Look Up", um crescendo que contrasta com o resto do álbum pela sua seriedade e expressão de angústia. Demonstra ser uma das mais relevantes músicas no álbum pela angelicalidade das vozes, pelo subtil baixo tocado por um saxofone e pelas grandes exclamações do refrão que conferem à faixa um grande valor de revolta. A partir de "Polymorphing" o álbum adota uma atitude bastante mais sensual luxuriosa. Esta segunda música é indubitavelmente uma das mais cativantes de todo o álbum e tem uma grande influência de Rhye, na minha opinião, que também se prolonga pelo resto do álbum, por exemplo, em "Crying In Public" e "Show U Off". Prosseguindo pela tracklist é notável uma acentuação na parte eletrónica e, tematicamente, um grande carácter sensual, em "Romeo", "Ch-ching" e "Show U Off". Por vezes, esta sensualidade até se expande a uma superficialidade, que é quebrada, por exemplo, na sentimental "Crying in Public". O álbum no seu desenvolvimento possui traços de muitas influências diferentes, como Rhye ou Metronomy. Em "Moth To The Flame", a faixa com mais potencial de single, observa-se ainda uma melodia que faz lembrar Grimes e em "Ottawa To Osaka" não é rebuscado dizer que se ouve uma extra acessível FKA Twigs. Na penúltima música do álbum, "Unfinished Business", é possível fazer-se uma comparação com Bjork, nas mudanças tonais delicadas e vibrantes. "No Such Thing As Illusion" fecha o álbum com uma mixórdia de sintetizadores e vozes desorganizados à volta de um baixo repetitivo. Um final sinceramente pouco digno para este álbum. Chairlift, conseguem, então, trazer a 2016 um álbum relativamente acessível e cativante, ainda que rodeado de influências e inspirações. 

Músicas a ouvir: "Polymorphing", "Show U Off", "Look Up", "Crying In Public".

Texto por: Pedro Maia

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