|Album Review| - Os vícios como inspiração dos DIIV

DIIV - Is The Is Are

 6/10 





Os DIIV começaram a sua carreira em 2012 com Oshin. Este reúne em 40 minutos um ambiente relaxado e reflexivo, construindo um momento perfeito para uma rápida introspeção. Esteticamente, os sintetizadores tomam conta do baixo e os vocais acabam por ser pouco interessantes e estar impregnados até à exaustão com reverb. Assim, as guitarras tomam a definição dominante da melodia, que é de facto prazerosa e, em algumas faixas, cativante, apesar de haver entre as mesmas pouca variação estilística. A banda adota um estilo entre o shoegaze, dream pop, indie rock e ainda post punk. Apesar de todo o meu criticismo, a banda fundada por Zachary Cole Smith, dos Beach Fossils, tem tido uma crescente popularidade entre os artistas do mesmo género, influenciando-se e servindo de influência para artistas como White Fence, Wild Nothing, The Drums, Real Estate, Lotus Plaza ou Yuck, entre outros. É também impossível referir as referências musicais de DIIV sem mencionar My Bloody Valentine, Slowdive ou a influência dos 80's com bandas como New Order ou The Cure. Apesar de todo este hype, quando ouço o álbum de 2012 pergunto-me se as suas melodias dominantes ficarão na minha memória durante muito tempo. Oshin acaba por ser facilmente esquecível. 


Em setembro, então, é lançado o primeiro single de Is The Is Are, "Dopamine", e rapidamente este se torna um dos álbuns mais esperados de 2016. É uma faixa envolvente, com um ritmo entusiasmante e uma sobreposição de guitarras como camadas na música, existindo diferentes melodias combinadas que, como um crescendo, levam a um melodioso, pacífico e homogêneo clímax. Quanto aos vocais, por sua vez, sinto uma grande aproximação a Kevin Parker, apresentando um timbre suave e tranquilizador, que dá o aperfeiçoamento final que esta faixa precisava para concretizar todo o pacifismo que pretende transmitir. Ainda é importante referir a sua temática que é especialmente popular na generalidade do álbum: as drogas e demais dependências. O álbum em que este single se integra, consequentemente, acaba por não fugir a esta nova estética. "Out Of Mind" abre o álbum e é sem dúvida resultado duma visão diferente do estilo adotado por DIIV. É calma, refletiva, mas, acima de tudo, muito mais objetiva, simples e direta. Eventualmente, poder-se-á não experienciar todo o potencial desta música nas primeiras duas ou três vezes que é ouvida. E assim acontece em toda as restantes faixas deste álbum. De facto, é necessária alguma dedicação para que eventualmente o gosto por este álbum cresça no ouvinte, mas é certamente mais compensatório do que em Oshin. 

Segue-se "Under The Sun" que, à semelhança de "Dopamine", revela uma energia nova e refrescante em DIIV. Existe um abandono quase total da influência post punk da banda e os vocais ganham vida. As guitarras trazem ao ouvinte um inegável espirito de liberdade e a própria percussão acaba por intensificar essa energia. No entanto, a banda acaba por voltar às suas origens no álbum de 2016. Com "Bent (Roi's Song)" sente-se uma influência do anterior trabalho, Oshin. E como esta, poderei apontar algumas outras, o que resulta numa das maiores características que consigo apontar neste álbum: a ambivalência. Enquanto que em algumas faixas observo com grande clareza o que a banda pretende executar, noutras, acaba por ser de difícil compreensão o porquê de certos momentos fazerem parte do corte final do álbum, pois não demonstra qualquer nova aproximação da banda ao seu som que não tenha sido explorado em momentos anteriores. Graças a isto, a essência do álbum admitidamente inspirado em Elliott Smith acaba por se afogar em temas algo repetitivos e desnecessários. Esta ambivalência não se demonstra explicitamente delineada, sendo que as faixas mais fracas tendem a esconder-se por entre outros temas mais sólidos, ficando dispersas entre os mais melódicos, relaxantes e até viciantes. Assim, o ouvinte recebe uma compilação pouco coesa de faixas bem compostas em contraste com outras completamente desperdiçadas. Algumas destas faixas que considero mais massadoras e desinteressantes são, por exemplo, "Bent (Roi's Song)", "Incarnate Devil" e "Mire (Grant's song)". 

Revelam-se, em geral, aproximações falhadas e desleixadas a shoegaze, com vocais que parecem ser influenciados por Elias Bender Rønnenfelt ou Holograms, mas de uma forma claramente menos agressiva. A música que dá nome ao álbum contrasta com os temas enumerados. "Is The Is Are" é empolgante e usa uma energia semelhante a "Dopamine". Como esta, existe "Healthy Moon", na qual o indie rock está mais presente do que em qualquer outra música do álbum; "Loose Ends" e "Dust", nas quais se ouve uma sonoridade ao estilo de Connan Mockasin, mas bastante acelerada. "Waste of Breath" fecha o álbum retomando o estilo deprimente mas relaxado do qual a banda nunca se consegue afastar verdadeiramente. Assim, DIIV reúnem em "Is The Is Are" uma hora de inconformidades, apesar de haver um aperfeiçoamento do seu som original. É inegável a existência de faixas com uma excelente produção, mas acabam por se misturar com outras mais desinteressantes e mal construídas, o que leva o público alvo a ficar confuso da sua opinião no que toca a este álbum. 

Músicas a ouvir: "Out Of Mind", "Under The Sun", "Dopamine", "Healthy Moon"

Texto por: Pedro Maia

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