|Album Review| - Muita frustração com SBTRKT

SBTRKT - SAVE YOURSELF

 3/10 




SBTRKT mostrou o seu valor no seu EP self-titled de estreia em 2011. Este EP serviu também como introdução da sua imagem de marca, a máscara indígena, que trouxe consigo um estilo eletrónico inovador que bebe das diversificadas colaborações que, pelas palavras de Aaron Jerome, o artista que lidera este projeto a solo, "come from different places both musically and geographically". Quanto ao álbum de 2014, considero preferível a omissão. Apesar da desilusão que Wonder Where We Land trouxe à discografia deste artista, não fiquei nem um pouco desmotivado para ouvir o álbum anunciado para o presente ano. No entanto, a confiança depositada verificou-se imprudente.


SAVE YOURSELF reúne em 26 minutos um conceito interessante, apresentado pelo próprio autor num website criado para o lançamento do projeto, termo que Aaron insiste em utilizar, que contém um texto adjacente que descreve o conceito do álbum como sendo a sua opinião quanto à sociedade atual, direcionada para tudo o que pode ser negativo quer isso seja a poluição, a corrupção ou o racismo. Assim, SBTRKT transfere essa posição para um universo paralelo desejado no qual os humanos chegaram a um planeta no qual conseguiram assentar. 


Contudo, por muito que este conceito seja interessante, em muito pouco se reflete para além de na capa do álbum, que sem dúvida desperta curiosidade. O álbum é na sua essência caraterizado por uma parte eletrónica bem produzida o que contrasta com colaborações vocais não tão bem escolhidas, contribuindo para um sentimento geral de frustração e uma grande saudade das colaborações excelentes do primeiro álbum, como Little Dragon. O exemplo extremo disto será a colaboração com The-Dream que é, no entanto, responsável pela co-produção de algumas das músicas com maior valor comercial ou de single, como “Good Morning”. Esta, apesar de sofrer de todos os vocais exagerados e previsíveis, com vibratos genéricos e desnecessários, tem a meio da sua extensão um clímax bem sucedido, com layers sobrepostos de sintetizadores e, acima de tudo, uma interrupção dos vocais que alivia o ouvinte desta terrível colaboração. Será a demonstração final do quão pouco este álbum tem para oferecer, dizer que esta foi das minhas faixas preferidas. Como esta, duas outras faixas se destacam para mim na tracklist: a faixa inicial, “Gemini”, a parecer James Blake com timbres de sintetizadores mais suaves, e “Ready Or Not”, uma faixa que desperta o ouvinte com uma expressão agradável de genuinidade, após o tédio de “Revert”, talvez a pior música em que se integra o convidado preferido deste projeto (The-Dream). Seguindo a lógica do que faz isto um mau álbum, "Let Them In" e "TBD" são de menção obrigatória, existindo até uma sonoridade pseudo-transe na primeira. 



SBTRKT acaba então por trazer no seu 3º projeto uma tracklist curta, genérica, incoerente e, a meu ver, sem propósito, para além de não frutar nunca do tema escolhido. Contém, porém, algumas faixas que se destacam qualitativamente, mas mesmo essas se assemelham mais a tesouros perdidos de uma mixtape amadora.


Músicas a ouvir: "Ready Or Not", "Gemini" e "Good Morning" 

Texto por: Pedro Maia

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