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|Album Review|

Capitão Fausto - Capitão Fausto Têm Os Dias Contados

 8,5/10 




A juventude já lá foi e os Capitão Fausto são uma banda de adultos. Este parece ser o mote deste álbum, e mesmo que as letras das suas 8 músicas nos levem a uma viagem de altos e baixos nesta questão da adulthood, esta é a ideia geral que este álbum está a provocar. Depois de um jovem explosivo Gazela e de um psicadélico Pesar o Sol chega-nos Capitão Fausto Têm Os Dias Contados, um álbum sofisticado, sinfónico e "sóbrio" o suficiente para ser levado a sério não só pelos jovens portugueses que cedo puseram os olhos nestes 5 rapazes, mas também pelos "burgueses" da música e cultura portuguesa.

Depois de uns anos em que todos ambicionavam ser rotulados de "psicadélicos", muito por culpa dos revivalismo causado pelos Tame Impala de Kevin Parker, as bandas que usaram e abusaram deste género chegam a 2015 e 2016 com o problema de perceberem o que fazer de novo, para que não fiquem presos ao status quo do psicadelismo e que caiam no esquecimento. Kevin Parker, de modo muito inteligente, levou a pop até aos seus Tame Impala, que agora se dotam de uma música muito mais eletrónica e acessível, mas de enorme qualidade. Os Capitão Fausto optaram por responder com esta versão do seu rock muito mais orientada para o pop, onde todas as camadas musicais parecem ter um papel, e em que os devaneios instrumentais estão muito mais controlados e repensados de modo a beneficiarem este LP.

Esta evolução não é só notória na parte instrumental das músicas, em que podemos apontar referências como os Beatles ou os Beach Boys a este ...Dias Contados. As letras que Tomás Wallenstein canta demonstram uma maturidade que não era usual nos Capitão Fausto. Quer seja a falar de liberdades pessoais - em "Amanhã Tou Melhor" -, dos desvaneios amorosos (ainda que sempre com este caráter mais adulto) - em "Semana a Semana" e "Corazón" -, ou até da morte - em "Morro na Praia" e "Os Dias Contados" -  os Capitão Fausto já não sentem a necessidade de cantarolar gritos de emancipação juvenil, nem de dizerem metáforas de difícil compreensão como a sua "está a chover dentro da sala de estar" - em "Santa Ana" de Gazela. 

Os Capitão Fausto são agora um reflexo de si mesmos, jovens adultos num mundo complicado e com tendência a complicar, sem receio de contar o que lhes vai na alma, seja até o temido regresso a casa e a perda da liberdade consequente, seja a indefinição da vida que os jovens adultos têm de enfrentar nos tempos que correm, ou seja qualquer outro tema que, segundo os próprios, pode ser do mais "piroso" ou "foleiro" possível. De qualquer modo, os Capitão Fausto não têm os dias contados. Não têm os Capitão Fausto, como decerto não os tem este disco.

Músicas a ouvir: "Morro na Praia", "Corazón" e "Alvalade Chama Por Mim" 

Texto por: Eduardo Antunes

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