Artigos Glass Journal

|Album Review|

Angel Olsen - MY WOMAN

 7,5/10 


Com um muito aclamado Burn Your Fire For No Witness na bagagem há já 2 anos, a americana de St.Louis, Missouri, Angel Olsen, apresenta o seu terceiro longa-duração, MY WOMAN, cujo foco, como a própria referiu à Pitchfork, é “a complicada confusão que é ser mulher”. Os próprios video-clips e singles apresentados expõem, de um modo muito sintetizado, diferentes fases que espelham esta “confusão” indexada ao género feminino, indo desde desgostos amorosos à tutoria de uma imaginária irmã e à emancipação da mulher.

Angel Olsen com MY WOMAN, acaba por se definir como uma artista algo política ou socióloga, mesmo que essa não tenha sido a sua ideia principal, ao que parece. Contudo, apesar desta vontade não ser clara, nota-se uma vontade de abordar o papel da mulher, mesmo que à primeira vista, as canções deste disco pareçam navegar em desvaneios românticos.

Políticas aparte, com MY WOMAN, Olsen consegue captar a subtileza folk que eleva este disco em momentos como a brilhante última música “Pops”, que por vezes se transforma numa mescla de indie e de country, em canções como “Never Be Mine”, que, surpreendentemente, acaba por resultar muito bem.


A etérea “Intern” ou a emocional fervorosa “Not Gonna Kill You”, afiguram-se como figuras de proa deste álbum, mas falar de MY WOMAN e não falar de “Shut Up Kiss Me”, o segundo single, seria quase um crime. Melodicamente, parece um aprimorar da linha de músicas como “Forgiven/Forgotten” - o que já por si só é dizer muito -, numa perspetiva mais crua e que acaba por resultar como mais apoteótica. A mensagem é também clara “Shut up kiss me / Hold me tight”. Este é o grito corajoso e devastado de Angel Olsen, numa ânsia de melhores dias e de melhor comunicação na relação amorosa em questão. Angel Olsen não se assume muito distanciada dos seus registos anteriores, e “Shut Up Kiss Me “, este grito entre o indie rock e o pop, com muito glitter à mistura, acaba por concluir de forma muito clara esta ideia. Mas a verdade é que Angel Olsen não precisa de ser camaleónica, precisa apenas de ser a genuína artista que é, que consegue ter momentos verdadeiramente angélicos como de verdadeiro alvoroço, reunidos num trabalho que parece cada vez mais adulto.


Músicas a ouvir: “Intern”, “Not Gonna Kill You”, “Pops”, “Shut Up Kiss Me"

Texto por: Eduardo Antunes

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