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La Luz

MAUS HÁBITOS, 13 DE SETEMBRO


Foi numa terça-feira à noite de início de ano letivo e profissional, que o Maus Hábitos recebeu na sua sala de concertos as americanas La Luz e uma enchente de pessoas, talvez movidas pelo início do ano a meio-gás. Também não nos podemos esquecer que o concerto funcionava como warm-up para o Mucho Flow, organizado pela Revolve. Sediadas na cidade que originou inúmeras bandas e artistas de renome da área mais rock ou até grunge, Seattle, surgem em 2012 com a vontade de formar uma nova banda de Shana Cleveland (vocalista e guitarrista) e Marian Li Pino (baterista), ambas integrantes numa outra banda de Seattle, os The Curious Mistery. Alice Sandhal (teclista) e Abbey Blackwell (antiga baixista) juntam-se à festa e compõem verdadeiramente as La Luz. Dois anos mais tarde, Abbey abandona o barco, revelando que não se adaptava à vida corrida das La Luz na estrada, e para o seu antigo lugar veio Lena Simon, compondo o alinhamento atual desta banda de forte inspiração surf rock.

Apresentando-se um pouco depois da hora combinada, provocando uma grande antecipação na lotada sala do Maus Hábitos, chegam ao palco e atravessam músicas apenas de Weirdo Shine, álbum produzido por um dos nomes fortes do garage Ty Segall, do qual se consegue reconhecer o trabalho, principalmente na abordagem que Shana faz das melodias na guitarra que cria, que deixam de ser tão melódicas e se arrastam mais nas canções. Parecia assim que seria um concerto de apresentação integral deste último trabalho, mas cerca de 5 músicas depois, surgem músicas tanto do EP Damp Face (2012) e do álbum de estreia It's Alive (2013), passando pelo seu maior êxito "Call Me In The Day", single deste mesmo álbum.

De corpo e alma nesse espírito despreocupado que marca o surf rock, dão liberdade ao público de definir o concerto, perguntando que música queriam ouvir de seguida, mas Marian, a baterista, foi a própria a responder sugerindo que tocassem uma música nova que ainda não foi divulgada, mas que foi aprovada pela unanimidade dos presentes no Maus Hábitos. Segue-se nova abertura de espaço para que o público escolhesse a próxima música a ouvir. Começa-se por ouvir um "more!" ao que as La Luz respondem favoravelmente, mas pedem por algo mais específico e um fã sugere "Big Big Blood", faixa do álbum de estreia. Para infelicidade deste fã, a banda recusou dizendo que a música já não faz parte dos seus alinhamentos há bastante tempo, começando a tocar uma outra música. No fim dessa mesma, fazem uma pausa e ouve-se a baterista a sugerir que tocassem a pedida música, ao que outros fãs respondem com entusiasmo gritando "Big Big Blood! Big Big Blood". A banda reage com agrado e "Big Big Blood" começa.

O concerto não deu tempo para muito mais. Houve ainda espaço para um pequeno encore também de temas mais antigos, cumprindo-se assim a lógica de viagem pela história da banda que as La Luz apresentaram. No fim agradecem com bastante alegria e sugerem um encontro na área de venda do seu merchandise. Nós sugerimos porém, um concerto da vocalista Shana Cleveland, dona do 6º melhor álbum do ano passado para a nossa redação, acompanhada pelos Sandcastles que a auxiliam nesse álbum, e também um breve regresso das La Luz. Esperemos que se concretize.



Texto: Eduardo Antunes 


Fotografia: Pedro Maia

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