Indie Music Fest - Dia 3



Depois de já terem passado pelo Bosque do Choupal nomes como PAUS e Riding Pânico, as expectativas pareciam estar em alta, de um modo geral, e sentia-se que os festivaleiros já começavam a ficar com a saudade típica do bosque mágico da celebração artística independente: o Indie Music Fest.


O terceiro dia começou com mais um concerto-secreto. Desta feita, foi escolhido um cenário muito mais acolhedor, perto de um rio. Os Fugly estavam encarregues de encantar o público neste cenário, e conseguiram fazê-lo, transformando o seu punk num surf-rock algo acústico, que os próprios revelam lhes ser estranho, pois esta era a sua primeira atuação sem bateria. A meio do concerto revelam que o seu concerto à noite, no palco Cisma, será bastante especial, pois marcará a despedida de Tommy, um dos seus elementos.




O último dia deste festival foi marcado por uma hora de atrasos nos concertos que acabou por permitir aos Ganso tocarem mais tarde e provavelmente ter mais público já com a barriga cheia. Este era um dos concertos mais esperados deste dia, aliás grande parte dos concertos de dia 3 eram ansiosamente esperados pelo público. Durante o concerto de Ganso muitos foram os momentos de festa, via-se uma cabeça de elefante num festivaleiro, bolas de praia a saltar, muito crowdsurf e mosh. Na sua setlist apresentaram uma nova música que faz parte do Vol. 2 Cuca Monga, “Grilo do Nilo”. Apesar de ter sido um concerto pequeno e que deixou o público a pedir mais, claramente que tão cedo não será esquecido. 



Passado cerca de 40-50 minutos o bosque já respirava os sintetizadores dos Savanna. O concerto deste quarteto que os portugueses muito bem conhecem foi marcado pelo triste anúncio de que o baterista estaria a dar o último concerto com a banda e que se iria ausentar. Independentemente da nostalgia que já se sentia durante o concerto é caso para dizer que os Savanna deram tudo o que podiam dar. Na sua setlist constaram músicas como “FuzZzZz”, “Dreams To Be Awake”, “Safari”, o cover dos Black Sabbath “Lord Of This World”, assim como o novo single “Get It Right”. Durante esta série de malhas anunciaram que ainda teriam uma surpresa no final do concerto. E como o que é prometido é devido, para acabar o concerto em grande, a banda convidou os Pista para se juntarem à festa e encerrarem mais uma etapa dos Savanna.

Com um alinhamento algo diferente do normal, os You Can’t Win, Charlie Brown chegaram ao palco principal deste Indie Music Fest, pouco antes das 22h. Sem David Santos (aka Noiserv), doente, e sem João Gil, com os Diabo na Cruz, na Festa do Avante, substituído por Zé Guilherme. Apesar de inicialmente o público ser pouco – talvez, muito por força de ser uma hora propícia para jantar – ao fim da 2ª música, o recinto deste palco principal já estava muito composto. O som dos You Can’t Win Charlie Brown foge um pouco à sonoridade mais rock e mexida deste festival, e sentiu-se esse desconforto por vezes neste concerto, apesar das novas músicas serem mais elétricas e puxarem mais reações dos festivaleiros. Contudo, a resposta do público era sempre favorável, tendo até se gravado um vídeo a desejar as melhoras a David Santos.

Voltando de novo ao palco principal os Salto deram um dos concertos mais memoráveis da noite. A energia transmitida por este grupo de amigos chegou a todo o público, que agradeceu da melhor forma possível, com longos aplausos, mosh e crowdsurf. A banda tocou um pouco de toda a sua discografia, um dos momentos altos do concerto foi quando o vocalista usou a mesa de samples e a banda fez uma jam que pós o público todo a gritar e a saltar. Seguiram com mais algumas músicas, das quais o single “Lagosta”, terminando o concerto de quase 50 minutos, mas dada a vontade do público de ter mais a banda voltou para arrasar com mais uma celebrada jam.

Neste terceiro dia consecutivo de festival a festa já decorre há muito tempo, nota-se o cansaço na cara dos festivaleiros, mas não no ambiente que estes dão aos concertos. E neste último dia foi no palco Cisma que se fez história. Estamos a falar do concerto dos Fugly. Esta banda punk-rock que veio dar mais consistência à cena punk portuguesa deu um dos melhores concertos da noite. Independentemente da tristeza que foi ter que dizer adeus ao Tommy o concerto foi marcado por lançamentos de confettis, dois festivaleiros com duas varas de luz química, muito mosh e crowdsurf naquele que é o palco mais pequeno do IMF, mas que por 40 minutos pareceu um mundo completamente à parte. A banda tocou músicas do seu EP Morning After dando aquele que para eles foi o melhor concerto até à data, palavras do vocalista. 

Os Octa Push eram um dos nomes grandes deste cartaz, apesar de fugirem à onda indie e terem um som eletrónico a que juntam muito afrobeat. Surpreendentemente, os indies enquadraram-se no espírito festivo dos Octa Push e o palco principal foi momentaneamente transformado numa pista de dança, que podia perfeitamente ter terminado as atuações deste festival. Tocando músicas antigas e músicas que farão parte do novo álbum, os Octa Push apresentaram alguns truques neste concerto, trazendo a palco Catarina Moreno, para cantar “Please, Please, Please”, assim como membros dos brasileiros Cachupa Psicadélica, servindo-se muitas vezes de projeções. A festa foi lançada e muito bem recebida pelo público deste Indie Music Fest.

Para fechar definitivamente as atuações, o som entusiasta dos PISTA começa a tocar no Palco Antena 3/Portugal 3.0, para os festivaleiros mais resistentes. Apresentam-se como sempre, “Bruno toca bateria, o Claudio e o Ernesto tocam guitarra. Não há baixo, mas cantamos e dançamos todos”, cumprindo com esta sua descrição do bandcamp. De facto, não há baixo nem sintetizadores, mas o rock dos Pista tem muito de eletrónico e de dançável, e os indies parecem reagir favoravelmente a isto mesmo, aguentando um longo concerto, antes de se iniciarem as últimas celebrações na tenda eletrónica com o showcase da Terrain Ahead.



Texto: Eduardo Antunes e Bruno Costa

Fotografia: João Coutinho (https://www.flickr.com/photos/jmcoutinho/)

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