TRC ZigurFest'16


O TRC ZigurFest levou pelo 6º ano consecutivo um conjunto de bandas e de sorrisos que o torna cada vez mais um festival a ter em conta no panorama nacional. O ambiente peculiar e aconchegante juntando um cartaz sempre diversificado proporcionaram três dias de música e até de revelações relacionadas com as artes plásticas, destacando desde já o programa com a curadoria de João Pedro Fonseca que trouxe a Lamego e mais concretamente ao Teatro Ribeiro da Conceição o programa de residências artísticas Zona



DIA 1



Toda esta atmosfera invadiu o centro da cidade começando, no primeiro dia com os concertos de Homem em Catarse e Rapaz Improvisado. Bela forma de começar com estes dois protagonistas e já habituais no festival itinerário Um ao Molhe. De seguida, o público dirigiu-se para a Alameda do Castelo e sobre um ponto alto com vista para a cidade revelou-se a eletrónica de Citizen: Kane e dos Desterronics, coletivo de música improvisada brutal, nascido no Desterro e sediado em Lisboa. Após o jantar, o bonito Jardim da Câmara foi invadido pelos Leviatã, duo formado por Bernardo Barbosa (Ermo) e por Marco Duarte, e pelos Torto, o grande nome da noite. Um primeiro dia onde ficaram patentes três palcos belíssimos acompanhados por música chill, eletrónica e alternativa que permitiram uma relação do público com a cidade muito importante, já que um dos principais objetivos da ZigurArtists é exatamente promover um contacto forte entre a cidade e o festival. Objectivo conseguido.


DIA 2


Os concertos do segundo dia, 2 de Setembro, já foram passados na habitual Rua da Olaria e no interior dum dos teatros mais bonitos (senão o mais bonito) do Alto Douro. A tarde foi invadida pelo surpreendente duo de jazz de Viseu, Galo Cant'às Duas, pelo diálogo das duas guitarras de Fazenda e pelo trio de música jazz, tribal e de grande improvisão, os Alforjs. A noite trouxe-nos já no conforto do Teatro o encantador concerto de Joana Guerra que com a sua voz e o seu violoncelo apaixonou o público lamecense. Surma e Luís Severo num ambiente muito mais pop, mostraram o que de bom está para vir e o que de bom já se faz no panorama nacional. Uma noite acolhedora e especial. De seguida novamente na Rua da Olaria o Palco Castelinho foi assombrado pela atuação do mais novo e mais recente membro da ZigurArtists. Com os seus 19 anos, Nuno Vicente revelou todas as suas qualidades e um som extremamente cativante variando com sons dentro do techno, electro ou noise. De seguida os Baleia Baleia Baleia deram com o seu punk um dos melhores concertos do festival. Ricardo Cabral na bateria e Manuel Molarinho no baixo e na voz arrebataram completamente o palco Olaria. O público subiu ao palco, cantou e dançou como nunca. De seguida, para terminar bem a noite, o ritmo inquietante de Ramdom Gods tomou conta da Olaria.


DIA 3


O terceiro e derradeiro dia começou com dois concertos perfeitos para acordar o pessoal da ressaca do dia anterior, o trio rock vindos diretamente de Rio Tinto, os 800 Gondomar e o stoner experimentalista dos Solar Corona. De seguida o palco pertenceu a Berlau & AM Ramos, duo formado por Fernando Ramalho (Blaze & The Stars) e António Ramos (Sax On The Road). Uma viagem tranquila e de intimidade psicadélica. Novamente no Teatro os Burgueses Famintos com Manuel Molarinho no baixo e João Silveira na voz e acompanhados pelo artista visual João Pedro Fonseca revelaram a sua polivalência através duma loucura textual e de sons negros e crus. Os OZO num diálogo meticuloso e absolutamente irrepreensível misturaram o som do piano e da bateria duma forma muito inteligente. Pedro Oliveira e Paulo Mesquita deram sem dúvida um dos melhores concertos do festival. Por fim o grande nome dos Pop Dell'Arte, que dispensa apresentações, mostrou que apesar dos vários membros que a banda foi tendo desde o início da carreira, João Peste lidera um colectivo que continua num fantástico momento de forma. Uma banda que se tornou numa lenda viva. Para fechar a noite de salientar os concertos arrebatadores de Killimanjaro e de Marvel Lima que deixaram a rua da Olaria completamente à pinha. O festival terminou com a eletrónica feita a partir de instrumentos analógicos dos Roundhouse Kick. Abandonámos a Olaria já a pensar no ano seguinte, afirmando sem dúvidas que o ZigurFest é já uma certeza no panorama nacional. Obrigado Zigur!




Texto e Fotografia: João Taveira (https://www.flickr.com/photos/janektaveira/)

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