50 Best Albums of 2016

O exercício de listar os melhores álbuns é aqui repetido. Desta feita, o foco está nos álbuns internacionais, que constantemente são aqueles que geram mais discussão, quer queiramos apelar ao nosso sentimento patriota ou não. É sobre estes álbuns que se fala mais, que se ouve mais e se assiste a verdadeiros fenómenos a nascer e também a desaparecer. 2016 foi infame neste aspeto, com os desaparecimentos de nomes como David Bowie, Leonard Cohen, Prince ou Sharon Jones, só para citar alguns. Tristezas à parte, esta é então a nossa lista dos 50 melhores álbuns com que 2016 foi brindado.


50. Kaytranada - 99.9%




49. Ka - Honor Killed The Samurai




48. Margaret Glaspy - Emotions and Math




47. Kaitlyn Aurelia Smith - EARS




46. Lambchop - FLOTUS




45. Eleanor Friedberger - New View




44. TOBACCO - Sweatbox Dinasty




43. Swans - The Glowing Man




42. Death Grips - Bottomless Pit




41. Michael Mayer - &




40. Yann Tiersen - EUSA




39. Anderson .Paak - Malibu




38. Childish Gambino - Awaken, My Love!




37. Thao & The Get Down Stay Down - A Man Alive




36. Jessy Lanza - Oh No




35. Whitney - Light Upon The Lake




34. Motion Graphics - Motion Graphics




33. Iggy Pop - Post Pop Depression




32. Marissa Nadler - Strangers




31. Kevin Morby - Singing Saw




30. Cate Le Bon - Crab Day




29. Chairlift - Moth




28. Deerhoof - The Magic




27. Car Seat Headrest - Teens Of Denial




26. Jamila Woods - HEAVN




25. Kendrick Lamar - Untitled Unmastered




24. Cass McCombs - Mangy Love




23. Jenny Hval - Blood Bitch




22. Noname - Telefone




21. King Gizzard and the Lizard Wizard - Nonagon Infinity




20. A Tribe Called Quest - We Got It From Here... Thank You 4 Your Service




19. Angel Olsen - MY WOMAN




18. Savages - Adore Life




17. Nicolas Jaar - Sirens




16. Bon Iver - 22, A Million




15. Leonard Cohen - You Want It Darker




14. Pantha Du Prince - The Triad




13. Esperanza Spalding - Emily' D+Evolution




12. Weyes Blood - Front Row Seat To Earth




11. Frank Ocean - Blonde




10. Regina Spektor - Remember Us To Life

Regina Spektor regressa aos longa-durações com já alguns anos de pausa desde o seu último álbum, mas anos estes que lhe aumentaram a notoriedade, devido à fama de "You've Got Time", tema que compôs para a série da Netflix Orange Is The New Black. Remember Us To Life é um disco que expõe a história de Regina e o seu pensamento sobre este mundo, agora num registo mais amadurecido e até dramático.
Melhor faixa: "Bleeding Heart".



9. Ian William Craig - Centers

Ian William Craig pode ser um perfeito estranho para muitos, mas Centres é já o seu 9º álbum, e muito provavelmente, o seu melhor. Este disco é para ser escutado sozinho, e de preferência para se permanecer sozinho depois da audição, tamanho é o rodopio pensativo que provoca. Através da gravação e regravação das suas próprias faixas, Ian William Craig contrói uma verdadeira jornada musical, onde os seus sintetizadores e seus vocais manipulados são as estrelas que nos guiam, mesmo nos momentos mais obscuros que este álbum consegue criar.
Melhor faixa: "Contain".



8. Meylir Jones - 2013

2013 marca a estreia a solo de Meylir Jones, vocalista dos Race Horses, que aqui reúne o que lhe aconteceu nesse ano, incluindo a viagem a Roma que o próprio faz questão de dizer que o inspirou profundamente. Volvidos 3 anos dessa viagem, chega-nos finalmente o resultado sobre a forma de um conjunto de canções barrocas, onde os deambulismos vocais de Meylir ganham um estranho sentido.
Melhor faixa: "Refugees". 



7. Kanye West - The Life Of Pablo

So Help Me God, Swish, Waves... afinal, nenhum destes chegou a ser o título definitivo do anunciado álbum do irreverente Kanye West. Lançado de forma repentina na plataforma TIDAL chegou The Life Of Pablo, um álbum "sem papas na língua", em que Kanye mostra verdadeiramente como é. Um homem de tamanha arrogância e ego que enchem qualquer sala deste mundo, e sim, ainda pior do que isto, infelizmente também é um apoiante de Trump. Atitudes de parte, The Life Of Pablo é um álbum poderoso, que na nossa opinião constitui o melhor álbum de hip-hop/rap, e dizer isso mesmo neste ano não é coisa pouca.
Melhor faixa: "Fade".



6. Nick Cave & The Bad Seeds - Skeleton Tree

Como tema recorrente do ano, foi a morte que inspirou este álbum. Skeleton Tree é o álbum mais difícil de digerir de 2016. Ao longo deste trabalho é nos apresentada a brutalidade emocional que é viver na pele de Nick Cave, dor tal que só poderia alguma vez ser tão grande após a morte dum filho. Arthur Cave faleceu em Julho do ano passado.
Melhor faixa: "Distant Sky".



5. Radiohead - A Moon Shaped Pool

Após 5 anos de espera, os fãs de Radiohead recebem A Moon Shaped Pool, um trabalho que reflete a mágoa e processo de aceitação de uma perda. Com algumas das faixas mais melancólicas do ano (mas não por isso menos cativantes), é uma obra complexa e intimista, que há quem diga ser resultante da separação recente de Thom Yorke com a sua esposa.
Melhor faixa: "Daydreaming".



4. ANOHNI - Hopelessness

Pondo um fim a Anthony and the Johnsons, Anohni (a sua nova identidade) apresenta-se revigurada e ladeada por dois grande produtores da eletrónica (Hudson Mohawke e Oneohtrix Point Never), abandonando assim a sonoridade mais barroca que antes tinha. Em Hopelessness discutem-se temáticas como a proteção ambiental, as guerras, o uso de drones, a defesa de minorias e ainda o seu descontentamento com Obama (a música menos bem conseguida deste trabalho). A visão de Anohni está aqui descrita e assim se percebe que esteja sem esperanças.
Melhor faixa: "Drone Bomb Me".



3. Elza Soares - A Mulher do Fim do Mundo (The Woman at the End of the World)

Elza Soares, no alto dos seus 79 anos é a autora de um dos álbuns mais brutais e de maior contestação ao status quo, feitos nos últimos tempos. E sim, Elza Soares conta já com 60 anos de carreira e este é o seu primeiro disco de originais. Parece impensável esta contabilização, mas Elza Soares mais uma vez demonstra que não é uma mera cantora. É uma artista do passado, mas também do presente e, sobretudo, do futuro. Sem censura alguma às suas palavras, Elza conta-nos histórias do que já passou (incluíndo histórias de violência doméstica e a sua brutal solução: atirar água à ferver ao homem) e também do que ainda pretende passar.
Melhor faixa: "Mulher do Fim do Mundo".



2. Solange - A Seat At The Table

A Seat At The Table é um álbum paradoxal, no sentido em que tanto aparenta ser acessível como é bastante complexo, abrindo-se lugar a bonitos interlúdios inteligentemente construídos e onde também se abre lugar a temas românticos mas hipnotizantes como “Cranes In The Sky”, que foi escrito há 8 anos, o que demonstra que esta maturidade e consciência não é de todo de agora, mas que este foi o tempo para que esta obra chegasse ao mundo. E ainda bem que chegou, a tempo de ser o 2º melhor álbum do ano, e a tempo de ter todo o reconhecimento que merece, ao contrário do autor daquele que é, para nós, o melhor álbum do ano.
Melhor faixa: "Don't Touch My Hair".



1. David Bowie - Blackstar

A morte de um artista não deveria conferir à sua última obra mais qualidade, mas Bowie terá de ser, como sempre foi, a excepção. Blackstar apresenta-se como um álbum de despedida, um álbum consumido pela cólera do sofrimento dos últimos dias do artista. Um álbum construído por Bowie em que este brinca com a própria morte, mantendo-a no segredo de todos e o lança deixando o mistério nas suas músicas. O mistério ficou (infelizmente) resolvido com o seu desaparecimento, poucos dias depois de Blackstar ser editado. Assim, David Bowie faz do seu falecimento uma obra de arte absoluta.
Melhor faixa: "Lazarus".





Sem comentários:

Com tecnologia do Blogger.