Artigos Glass Journal

|Album Review|

Flaming Lips - Oczy Mlody

 8/10 




Quando soube que o álbum se chamaria Oczy Mlody pensei imediatamente em duas direções diferentes: seria esta uma alusão à oxitocina ou apenas uma maneira estranha de nos dizerem que o álbum seria estranhamente melódico? Sendo os Flaming Lips, nenhuma dessas razões poderia considerar estranhas. A verdade é que a justificação é ainda mais incomum do que estava à espera. Wayne Coney (frontman) pegou em Blisko Domu, a tradução polaca de um livro do escritor americano Erskine Caldwell, e foi escolhendo palavras e expressões que lhe soavam interessantes, mesmo sem saber o seu significado. Isto resultou, por vezes, em músicas com título cuja letra só era composta ao se descobrir o verdadeiro significado dessas expressões. Oczy Mlody acabou por ser a escolha mais admirada e ficou como título do álbum, traduzindo-se para inglês como “eyes of the young”, o que está também ligado com uma das músicas presentes neste trabalho.




Depois de um The Terror marcado por vários acontecimentos infelizes nas vidas dos Flaming Lips, Oczy Mlody aparece como a sua reconciliação com a vida, o regresso dos arco-íris ao seu imaginário. Um universo de arco-íris que só os Flaming Lips conseguem observar, a que nos tentam dar um pequeno vislumbre. Como quem observa pelo buraco da fechadura de um reino onde cabe a fantasia em esteróides onde sapos demoníacos, unicórnios e até Jesus Cristo acompanhado de naves espaciais são personagens, mas também onde a visão da morte tem corpo presente. “Have you ever seen someone die?”, não podia ser mais direto (em “Listening To The Frogs With The Demon Eyes”, e não, o título não nos diz tudo).


O resultado é assim um álbum que apesar da infinidade de inspirações é, na sua generalidade, bastante coeso e interligado. Apesar deste nível de ligação entre faixas, a meio da audição do álbum, receei que Oczy Mlody já tinha dado tudo o que tinha a dar, tendo já se passado por duas das melhores músicas anteriormente lançadas – “How?” (a faixa mais política do álbum) e “Sunrise (Eyes Of The Young)” (que se enquadrava perfeitamente no The Soft Bulletin) – assim como por “There Should Be Unicorns”. Felizmente, estava enganado. A já referida “Listening To The Frogs With The Demon Eyes” volta a por o álbum acima, partindo-se para o primeiro single lançado, “The Castle”, que resulta num dos momentos mais ternurentos da discografia dos Flaming Lips. “Almost Home (Blisko Domu)" segue-se e ganha o lugar de destaque neste álbum. Diria mesmo que parece um misto dos tempos mais irrequietos e eletrónicos dos Radiohead (talvez até mais dos Atoms For Peace), misturados com as miragens musicais que a vertente psicadélica dos Flaming Lips tem. 


Apesar de tudo, este álbum não é nenhum Soft Bulletin ou Yoshimi…, mas os Flaming Lips nunca mais se vão voltar a colocar claramente nesse estilo. Oczy Mlody até bebe da inspiração melódica desses dois clássicos álbuns, misturando-a com os psicadelismos de The Terror ou de Embryonic, tentando acabar numa apoteose alienígena desta trip com “We A Famly”, mas as desafinações de Miley Cyrus acabam, claramente, por o impedir.


Músicas a ouvir: “Almost Home (Blisko Domu)”, “The Castle”, “Sunrise (Eyes Of The Young)”, "Listening To The Frogs With The Demon Eyes" e "There Should Be Unicorns" 


Texto por: Eduardo Antunes


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