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Kero Kero Bonito

MUSICBOX, 27 DE JANEIRO


A introdução de Kero Kero Bonito em Portugal foi num dos menores palcos do NOS Alive 2016, apenas seguido do palco EDP Fado Café, e já na altura criaram bastante comoção em qualquer um que tenha tido a sorte de se perder pelo recinto para encontrar o palco. Muito facilmente o trio ultrapassa o tamanho do coreto para um concerto que quem viu relata como não dando espaço a desânimo, mas a dança, saltos e cor, um pequeno tesouro perdido no festival. 

Crescentes expectativas para o álbum e todas respondidas, Bonito Generation é divertido. Não se pode dizer muito mais sobre o álbum, mas isso não será dizer pouco. É o álbum mais divertido de 2016, uma festa simples mas extrovertida de sintetizadores e cultura pop isolada num ano de música maioritariamente deprimente. Então, só poderia ser com muita surpresa quando três semanas antes do evento é anunciado o concerto do trio no MusicBox.

A noite começa com Catxibi. A integrante das Thug Unicorn faz um set parecido com o habitual do grupo, sem muita ação em palco, essencialmente passando músicas sem grandes efeitos ou mixes. Não foi marcante de forma alguma, mas também não tentou sê-lo. No entanto, entre trap remixes de hip hop e grandes hits de meme music, foi suficiente para aquecer o público para o que se aproximava.

O palco recheado de peluches, balões pelo ar, purpurinas nas caras e, no público, tudo de mais extravagante desde bonecos a boias. Sarah entra no palco já com o público conquistado de antemão e a banda abre o concerto com o seu hit mais antigo, self-titled (“Kero Kero Bonito”). Como iria acontecer no resto do concerto em muitas músicas, o público junta-se a banda nas pequenas repetições no final de versos, muito incitado pela vocalista à qual ninguém conseguia dizer não mesmo que quisesse, apaixonados

O concerto continua da mesma forma, entre synths e vocais japoneses (tanto em língua como timbre), com esse tipo de felicidade que desperta tanto ao histerismo como ao relaxamento. Um set consistente mas com surpresas (seguindo o pensamento antagónico) e uma certa progressão que nunca deixou o público ficar saturado. Destaques incluem uma variedade de danças extrovertidas e excentricidades, num leque que vai desde guarda-roupas universitários às imitações de Sarah de flamingos, mas também momentos calmos como a “Break” e ainda os mais funky como “Lipslap”. Acidentalmente, acabo por falar do concerto todo como um enorme highlight, mas estou certo também que qualquer pessoa que o terá visto não me censurará.

O concerto acaba em agitação e saltos com o single da banda com mais sucesso. Expectavelmente, “Trampoline” leva o concerto ao seu auge e fim. Ainda voltariam pouco depois para um encore tocando “Build it up”, um final não tão digno como o que a música que o precedeu daria ao concerto, na minha opinião, mas sem nunca anular o positivismo com que todos saímos e muito menos a expectativa de uma próxima confirmação em terreno português.





Fotografia e Texto: Pedro Maia

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