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José Cid - 10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte

CASA DA MÚSICA, 06 DE MAIO


A criação de 10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte foi um verdadeiro fenómeno da música portuguesa, e foi exatamente isso que se sentiu no passado dia 6 de maio, na Casa da Música. Os minutos que antecederam o concerto foram passando e a ansiedade do público era visível e crescente, por verem o homem que muitos conhecem apenas pelo "Como o Macaco Gosta de Banana", "20 Anos" ou "Um Grande Grande Amor", a reinterpretar a história de despovoamento, destruição e recolonização do Planeta Terra por um casal com um perfil de Adão e Eva 2.0. O próprio José Cid fez questão de explicar todo esse conceito no início do concerto, assim como toda a estrutura deste concerto que não se limitou à reprodução fiel da magnífica obra de rock progressivo editada em 1978 pela editora Orfeu (que foi homenageada no concerto pelo próprio). 

O espetáculo iniciou-se com músicas que José Cid já tinha tocado em 2014 nos concertos de homenagem a este álbum, prometendo que fariam parte daquele que diz ser o seu "último álbum de rock progressivo" e que contará com poesia do próprio, mas também de grande nomes como o de Sophia de Mello Breyner. Este álbum irá se chamar Vozes do Álem e tudo indica que será editado no fim de 2018. Ainda antes de se chegar ao 10000 Anos, José Cid e todos os músicos que o acompanharam nesta jornada interpretaram Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas, EP do Quarteto 1111.

Após a passagem por essas andanças chegou o momento pelo qual todos esperavam. Cid perguntou: "estão preparados?". A verdade é que mesmo que achássemos que sim, de facto não estávamos. Acompanhado de projeções visuais que acompanhavam cada uma das seis músicas desta obra, José Cid arrebatava a plateia com uma sonoridade impactante e fortemente emocionante, cuja quantidade e, sobretudo, qualidade dos músicos ampliava.

Todas as músicas foram alvo de uma interpretação soberba, que enchiam a larga Sala Suggia da Casa da Música. "Podes ver, 10.000 anos depois, no ecrã do radar, entre Vénus e Marte, um planeta vazio à espera que o descubram. Onde recomeçar, outra civilização" foi marca de toda esta noite e foi repetido quase até ao exaustão, isto caso a exaustão pudesse existir numa noite destas. Uma daquelas verdadeiras noites em que damos por nós a pedir ao tempo que não passe.







Texto: Eduardo Antunes

Fotografia: Ricardo Jorge (https://www.flickr.com/photos/ricardosjorge)

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