|Concert Reviews|

Luís Severo

PASSOS MANUEL, 29 DE JUNHO




Foi com uma aura levantada que Luís Severo chegou ao Passos Manuel. O músico lançou este ano o álbum homónimo pela Cuca Monga, é o seu 2º sobre este desígnio, e é com este que Severo atinge a sua consagração. Um álbum sobre amor e sobre Lisboa, mas que parece que também tem os seus efeitos na cidade invicta.

Este concerto partia desde logo com uma novidade. No palco do Passos Manuel apenas o piano e a voz de Severo. Um único e belo foco no piano aberto, cujas teclas acompanhavam as músicas qual dança hipnotizante. Uma noite simples mas composta.

A noite para dentro destas portas. Luís Severo tem este efeito em todos nós. O silêncio é total, a amplificação quase não é necessária. Cada um de nós entra numa viagem nostálgica em que cada música nos atinge. Sentimos que os amores e desamores são nossos, e se não os são, depressa nos apropriamos destas. As interrupções existem e fazem-nos regressar à noite de 29 de junho, à sala do Passos Manuel, e nesses momentos podemos conhecer um pouco melhor o homem por detrás desta voz que nos representa. 

O encore foi feito à guitarra, na escadaria do palco, inicialmente com amplificação, mas que rapidamente foi descartada. Severo confia no seu poder vocal, ao contrário da sua entourage. Tinha razão. O som não era estridente, mas o intimismo deste fim de noite pedia exatamente essa calma para os nossos corações. Fomos todos de alma cheia para as nossas vidas, com a boa companhia (entenda-se o trocadilho) deste disco do Severo a musicar os nossos percursos.





Texto: Eduardo Antunes

Fotografia: Tomás Barão da Cunha (http://ishouldliveinanalog.tumblr.com/)

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