Artigos Glass Journal

Milhões de Festa - Dia 21


Ao dia 21, o Milhões de Festa toma um corpo maior e a música do festival barcelense, faz-se o dia todo, nesta que é a 10ª edição. Fomos então então experimentar a mítica piscina e o seu palco, que este ano apresentavam uma novidade: colunas debaixo de água. A experiência é cada vez mais imersiva. Orchestra Of Spheres eram o nome maior desta tarde e o seu concerto fez jus à curiosidade levantada. Animação tropical e harmoniosa, extravagância no som e na imagem. Par perfeito para estar tarde de Barcelos de quase 30ºC. Com bem menos extravagância que os neozelandeses, mas de um modo mais ritmado, o turco Mehmet Aslan subiu também a este prateado palco que tem curadoria da Red Bull Music Academy. Os tons das arábias atingem as ancas de todos e a piscina deste dia encerra sobre este mote de descontração musical.


Conjunto Cuca Monga
Após o regresso ao campismo e o jantar tomado, estávamos de volta ao recinto. No Palco Milhões está algo a acontecer de estranho. É a hora de concerto do Conjunto Cuca Monga, com mais de 10 pessoas em palco (era demasiada gente para se contar) e não muitas pessoas a assistir. Parece estranho que se reúnam concertos de celebração de êxitos de bandas recentes e em crescimento, principalmente quando músicas do projeto maior - os Capitão Fausto - não figuram na setlist. O resultado é uma passagem pelos temas de Modernos, BISPO, Ganso e El Salvador, que estranhamente nos leva a um concerto de família. A música tem qualidade, mas este não é o modelo. 

Seguimos do Palco Milhões para o Palco Lovers, que tem a Lovers & Lollypops como pano de fundo, onde os Ifriqiyya Électrique criam uma sonoridade post-industrial, onde as músicas tribais africanas são a base, que depois os pedais da guitarra e do baixo musculam, resultando num noise agressivo e paradoxalmente, divertido. É apocalíptico e é dançável.

No Palco Milhões segue-se o momento em palco que recebe o prémio de mais estranho deste festival.  Passo a citar: betoneiras, baldes com pedras, baldes de água, bidões de metal, uma senhora das limpezas a varrer o chão, uma cabeça de manequim que nem um gigantone divino, braços e pernas dessa manequim mexem-se com as bailarinas cobertas de panos pretos. Tudo isto fez parte da atuação inédita de faUSt & GNOD. Os primeiros são uma instituição do krautrock, os segundos são presença regular no Milhões. A proposta para este casamento foi da própria organização. De destacar o fim do concerto com uma música criada pelos GNOD para homenagear os faUSt.
O misticismo foi quebrado com uma hora de um indie rock no feminino muito bem recebido que é mais soalheiro que noturno. Falamos das Sacred Paws, são 2 (há uma baixista que se junta nalgumas músicas) que se dividem entre Glasgow e Londres. Diria que é provável que o futuro lhes traga mais dias juntos.


The Gaslamp Killer

Gaslamp Killer foi a cereja em cima do bolo neste recheado dia. O seu set foi construído como um videojogo em que o 8-bit marca o tom, mas não é o rei, quem o é é o próprio Gaslamp e as viagens que faz pelo rock e grunge (ouviu-se Nirvana) mas sobretudo pelos sons da West Coast, origem (orgulhosa) do próprio. Muito se ouviu de Kendrick Lamar e muito esteve entretida a plateia. Houve ainda tempo para saber que a música "Oh Sheit, It's X!" (ouvir aqui) de Thundercat foi escrita na casa de Gaslamp Killer, com a presença de também Mono/Poly, durante uma passagem de ano novo sobre o efeito de ecstasy
Foi sobre esta explosão em que, sobretudo, o hip-hop mandou, que encerrámos as festividades deste dia 21. Restavam-nos dois dias cheios pela frente.





Texto: Eduardo Antunes

Fotografia: Francisco Morais Soares (https://www.behance.net/franciscomsdotcom)

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