Milhões de Festa - Dia 22


Na 10ª edição do barcelense Milhões de Festa já tínhamos experimentado o festival na sua plenitude, mas a vontade de ver mais existia. Voltamos ao Palco Piscina curado pela Red Bull Music Academy, onde nesta tarde solarenga o foco dos nossos olhares e ouvidos estava no set de MVRIA + Supa, onde as cervejas e os mergulhos na piscina foram estrelas das danças que a música nos causava.
De banho tomado após o regresso ao campismo, apressamo-nos para o recinto, para assistir a parte dos Yussef Kamal, o brilhante baterista Yussef Dayes. Apresentando-se ao centro do Palco Milhões, é ladeado por um teclista e um guitarrista, mas o foco está na percussão. A dedicação de Dayes é notória nos seus ritmos e contra-ritmos, criando-se um clima de jam session sublime, em que o esforço é contemplado. Sai de cena de rastos, mas recebendo justos aplausos.

Cave Story

A seguir, o Palco Lovers encheu-se de portugalismo com mais um coletivo. Cave Story + Duquesa + Ra-Fa-El era um "concerto em nome de amizade", como os próprios disseram, e que de facto fez jus a esse repto lançado no seu início, nesta que foi das horas mais pop e descontraídas desta edição do Milhões.

No Palco Milhões, o concerto que se seguia era de um dos maiores nomes desta edição. Os suecos Graveyard registaram aquela que nos pareceu ser a maior enchente deste ano no Milhões de Festa, durante cerca de 1h30 em que se procurou regressar à época áurea do rock, que nos soou a menos intensa do que devia, ou pelo menos, do que aquilo que esperávamos com tanta antecipação de alguns fãs do hard rock. Seguiu-lhes o concerto dos Sex Swing, projeto de reunião entre Part Chimp, Dead Neanderthals e Mugstar, numa mistura de noise rock com jazz, onde o saxofone se destaca, mas que não chega a arrebatar a plateia.

Janka Nabay & The Bubu Gang faz regressar a animação a este Milhões. É o espelho da mundialização desta noite. Janka Nabay é da Serra Leoa, e é sobre esse tropicalismo ritmado que nos conquista, mas os seus músicos são de paragens tão dispersas, resultando na expressão da world music. A animação era a ordem do dia e os "comboios" não pararam de surgir.


Moor Mother

Os concertos que se seguiram poderiam ser resumidos num "turbilhão noise", porém não seria justo, pelo menos para Moor Mother. O seu set foi curto mas impactante. Os seus sons de instrumentalização de base hip-hop, mas que se distorcem e contorcem conquistaram o Palco Lovers. Não se despediu sem fazer freestyle na que disse ser a única música de Death Grips que gosta.
Yves Tumor pegou neste noise e demorou a dar-lhe forma. O público estava cada vez mais reduzido e todos aparentavam se esforçar para desfrutar deste concerto, tendo sempre em mente a qualidade de Serpent Music (álbum recém editado), mas mesmo quando o noise se tornou minimamente dançável (apenas no fim do concerto), foi - infelizmente -  sempre difícil de apreciar. Saímos deste dia de Milhões de Festa, sem perceber o que tínhamos assistido, mas sabendo que não estávamos de "alma cheia".




Texto: Eduardo Antunes

Fotografia: Francisco Morais Soares (https://www.behance.net/franciscomsdotcom)

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