Artigos Glass Journal

Milhões de Festa - Dia 23


O último dia da 10ª edição do barcelense Milhões de Festa foi marcado, acima de tudo, pelo cancelamento de Powell, que atuaria no fim da noite deste dia, e pela maneira como a organização contrariou este contratempo. O dia foi assim, assumido por Hieroglyphic Being, produtor de techno de explorações astrais, que inicialmente tocou 15 min com Sarathy Korwar no Palco Piscina que tem a curadoria da Red Bull Music Academy. Ainda antes desse concerto, vimos o rapper português em crescimento: Mike El Nite, que se fez acompanhar de Ghost Wavvves e num misto de originais seus com clássicos pop dos anos 2000, foi um bom início de festa urbana nesta piscina que tanta vida dá ao Milhões de Festa.  
Ainda no que toca à programação deste Palco Piscina, vimos o entusiástico concerto dos Shame que juntou uma boa plateia, e fizemos questão de esperar pelo set a solo de Hieroglyphic Being, cujo seu techno aproveitou da melhor forma as colunas aquáticas dentro da piscina, e foi a maneira mais requintada de encerrar este palco nesta edição.


Mike El Nite

Já à noite, os Meatbodies abriram o Palco Lovers com músicas que parecem partir de uma base indie rock, mas na verdade, o seu som pode ser melhor descrito quando se associa ao punk ou ao stoner devido à agressividade e distorção gritante (das guitarras) que colocam nas suas músicas. 
Regressamos ao Palco Milhões para assistir a uma banda que é meia colombiana, meia francesa- Falo dos Pixvae, que se inspiram no tropicalismo latino das músicas tradicionais colombianas, mas dá-lhe uma roupagem rock e industrial mais europeia, resultando num concerto animado, mas poderoso nos momentos certos. As vozes das duas vocalistas femininas - Alejandra Charry e Margaux Delatour - são extremamente harmoniosas e dão um toque místico a este som intrigante dos Pixvae. Intrigante e bem recebido ao ponto de fazerem um encore, isto apesar de só terem um álbum editado (homónimo, lançado em 2016).

Chúpame El Dedo

O Milhões de Festa, sendo um festival eclético de grande variedade musical, passamos de um concerto tropical e leve para o Palco Lovers onde os Chúpame El Dedo chegaram sobre um manto de misticismo, em que a distorção manda, mas só não manda mais que os próprios. "Hacemos lo que nos da gana" lançam como mote inicial. O que quiseram foi lançar-nos numa espiral eletrónica de muitas batidas experimentais e poderosas, que apenas eram interrompidas pelo repto que lançavam entre músicas: "cerveza" foi repetida vezes sem conta.

No Palco Milhões, seguia-se um dos concertos mais assertivos desta edição. O punk dos Bad Breeding foi muito bem recebido por alguns, dando aso a vários ansiosos mosh pits, já que parte do público deste Milhões de Festa parecia pedir um concerto deste gênero. Teve-o no fim, e teve o bem.
Para finalizar a noite e esta edição, vimos a animada sessão de DJ Fitz, ao qual se seguiu, de novo, Hieroglyphic Being com o seu techno de inspirações ambient, que eleva novamente a qualidade musical deste festival, e fecham esta edição em grande nota, apesar de se estar a preencher o cancelamento de um dos nomes mais esperados desta edição. Ansiamos por nova edição do Milhões de Festa, pelos seus palcos à noite, e por muitos mergulhos na mítica piscina.





Texto: Eduardo Antunes

Fotografia: Francisco Morais Soares (https://www.behance.net/franciscomsdotcom)

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