Indie Music Fest - Dia 2 (setembro)


Ao terceiro dia do Indie Music Fest, numa tarde solarenga, juntámo-nos na piscina do IMF, que já não visitávamos há 2 anos. Mais do que uma ida à piscina, fomos para assistir ao único concerto secreto desta edição. Na zona onde costumam estar os DJs que animam a tarde estava Caio e a sua guitarra. Caio é um singer-songwritter que resulta melhor em paisagens mais saudosas e menos festivas que uma piscina, onde os ruídos da animação vivida são pano de fundo que não dá para camuflar. De todo o modo, foi uma oportunidade interessante de ver um concerto deste recente projeto de João Santos.

Saídos da piscina, procuramos ir rapidamente para o Palco Relva onde os Miami Flu estavam a dar início às festividades. É verdade que esta banda tem já um nome e um estatuto dentro da cena indie portuguesa que os permitiria maior destaque no cartaz, contudo, tinham programado outro concerto num outro festival nessa mesma noite, daí terem sido relegados para este 2º plano. Mesmo assim, para um concerto às 16 horas, estava reunido um número considerável de festivaleiros.

Twin Transistors foi o primeiro concerto do dia no palco principal. Têm o selo da crescente e reputada Omnichord Records, de Leiria, e iniciaram a noite leiriense do Palco Indie Music Fest. Fizeram, inclusive, questão de o referir, parabenizando os conterrâneos logo no início do seu concerto, antes de nos trazerem o seu rock n' roll com aquele toque de misticismo western.



Nice Weather For Ducks

Seguiu-lhes os Nice Weather For Ducks, um dos cabeças-de-cartaz desta edição. Também com selo da Omnichord, apresentam o seu indie rock que mergulha em águas tropicais e que vem ao de cima em territórios synth pop misturados com sons da diápora latina. A mescla de sons não para por aqui e por vezes atingem sonoridades mais caraterísticas do post-rock. São sobretudo, um dos poucos nomes desta edição, que trouxe aguerridos fãs ao seu concerto. O ritmo tropical de "Marigold", single deste último álbum - Love Is You And Me Under The Night Sky - fez grande sucesso, mas "2012", retirado do 1º álbum - Quack! - foi entoado pelo público de uma forma quase imparável. 

A toada mais sintetizada do universo indie continuou com Paraguaii. Aproximam-se mais do synth pop e a sua música tem um toque negro e místico que lhes acrescenta um caráter mais interessante. Chegam ao ponto de confessarem que estavam num "improviso descomunal" devido a problemas com os instrumentos e por isso são um mote para o resto do concerto num modo muito irónico à utilizador das redes sociais: "#tamojunto".

Regressámos ao palco que era, nesta noite, dos leirienses, para ver The Poppers. O vocalista disse, inicialmente, que este era o último concerto da tour e que, por isso, queriam fazer a festa. O desejo foi concedido e foi exatamente isso que se fez, registando-se os maiores moshs desta edição! Como é normal nos seus concertos, perguntaram ao público quem é que saberia tocar guitarra e chamaram de seguida um fã ao palco para uns momentos de improviso, como uma jam session, enquanto o vocalista navegava pelos fãs em crowdsurf.

No Palco Indie Music Fest, para fechar em grande este palco nesta edição, estavam os Stone Dead, banda que tem estado em grande crescimento neste ano, cimentado com o lançamento do álbum Good Boys, do qual são retirados um punhado de temas punk com uma pujança de destacar. "Apple Trees" ou "Candy" originam os últimos grandes moshs desta edição, acompanhados pela loucura e despreocupação em palco, o que confirma os créditos deste pessoal de Alcobaça.

A noite acabou com a parafernalia musical dos Pás de Probléme, uma banda de Lisboa difícil de enquadrar em qualquer canto estilístico musical. Certo é que trazem o seu álbum de estreia, Silence Is Gold, para cantar e encantar, mas todo o seu espetáculo sai completamente dos desígnios normais que foram vistos durante todo o Indie Music Fest. Esta é, sobretudo, mais de uma hora em que emergimos num circo de algum bom gosto, onde até battles de dança entre espectadores existem e todos nos sentamos no chão para assistir atentamente. O frontman é um entertainer de se dar valor, e faz com que o último concerto desta edição não seja nostálgico mas sim festivo, como deve sempre ser. O Indie Music Fest acaba, assim, num grande clima de festa que esperamos repetir no próximo ano!









Texto: Eduardo Antunes

Fotografia: Tomás Barão da Cunha (http://ishouldliveinanalog.tumblr.com/)

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