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Entrevista a Surma - Antuérpia no coração e a inspiração no Mundo


Antwerpen é o nome do muito aguardado disco de estreia de Surma (Débora Umbelino), a jovem leiriense que se assume como uma one-woman band e que não se prende a rótulos musicais. Tivemos a oportunidade de falar com ela sobre todo este caminho até aqui e sobre o intrigante mundo que cria e deixa em mutação.


Glass Journal - Sabemos que “Surma” é o nome de uma população indígena da Etiópia, mas como chegaste a este nome e o que te fez escolhê-lo?
Surma - No momento em que estava a ver um documentário na Discovery, sobre tribos indígenas ouvi o nome Surma e ficou automaticamente no ouvido vários dias! Tinha vários nomes escritos num caderno mas nenhum deles me soava tão bem como "Surma"! Foi então que decidi arriscar em ir em frente com esse mesmo nome! Fez-me escolhê-lo também pelos costumes e pelo modo como eles levam a vida. Não pensam no futuro e levam a vida toda muito no momento.

Surma - Antwerpen


GJ - A cidade de Antuérpia tem um significado especial para ti?
S - Tem um significado enorme para mim! Foi onde gravei o video-clipe do meu primeiro single ["Maasai"] e foi uma das cidades onde me senti melhor até hoje! Tem uma aura incrível e um ambiente tão enigmático que não sei explicar toda aquela magnificência!


GJ - Antes de teres gravado esse video-clipe já tinhas visitado a cidade?
S - Nunca! Foi a primeira vez, fui mesmo apanhada de surpresa! Amei tudo aquilo.


GJ - Porque é que outras músicas já lançadas como “Maasai” não figuram neste Antwerpen?
S - Quis lançar um registo completamente novo e dar a conhecer a Surma mais experimental que sempre quis fazer! Como já tenho andado a tocar as músicas antigas há imenso tempo, pensei em fazer tudo de raiz e trabalhar no projeto ainda com mais afinco.




GJ - Qual é o teu processo de criação das músicas? Como é que lhes ligas títulos tão invulgares?
S - Desde o início que nunca quis dar um género específico à Surma! Num modo geral não gosto de "labelizar" qualquer tipo de música! Tento criar um mundo próprio!
Os nomes das músicas não foram ao acaso, quis dar ao álbum um ar mais do Mundo e não estar limitado apenas ao inglês. Todas as palavras traduzidas para português fazem sentido juntas! E têm sempre uma ligação com a música em si, mas também estão abertas a uma interpretação tua! 
A começar:
Rascunho ["Drög"];
Vácuo  ["Plass"];
Hemma
Destino ["Kismet"];
Serra ["Saag"];
Ilusão ["Miratge"];
Viagem ["Voyager"];
Ínfimo ["Begrenset"];
Mundo ["Nyika"];
Geração ["Uppruni"].



Foto: Hugo Domingues


GJ - Qual o momento mais insólito que já viveste em palco?
S - Um momento que me recordarei para sempre será, sem sombra de dúvida, o concerto que dei no Bons Sons ! Nunca me senti tão em casa como lá! Dos melhores momentos que tive até hoje. Não foi exatamente um momento insólito, mas sim um momento marcante. Momentos insólitos já tive muitos mas agora não me estou a recordar de nenhum em específico.



GJ - Preferes ser uma one-woman-band ou preferes atuar em banda?
S - Têm ambas vantagens e desvantagens! Sempre andei em bandas mas nunca senti que estava a dar tudo de mim! Daí ter decidido começar um projecto apenas só meu. Tens muita liberdade de composição (metes e tiras o que queres), não tens que estar preocupada com as opiniões dos teus colegas de banda! Mas é óbvio que tendo banda tens sempre um background por trás que te ajuda sempre. E divides sempre os nervos com alguém! Estando sozinha és tu que tens que estar consciente de tudo o que se passa. Mas eu sou suspeita, gosto mesmo muito de andar sozinha! (risos)



GJ - Nice Weather For Ducks, First Breath After Coma, Les Crazy Coconuts, Surma… estes são alguns dos jovens nomes da música de Leiria que têm aparecido nos últimos anos. Sabes explicar o motivo para este sucesso leiriense?
S - Boa pergunta (risos) nem nós sabemos! Leiria tem crescido mesmo muito nos últimos anos! Não só em música mas também a nível do cinema, artes plásticas, pintura. O crescimento que temos tido com a cultura tem elevado muito a cidade para variadas partes do país! Acho que isso nos inspira ainda mais a estarmos concentrados e focados neste mesmo objectivo de fazer música e de querer agradar às pessoas!


Foto: Eduardo Antunes


GJ - Que artista sentes que mais te inspirou neste projeto?
S - Annie Clark (St. Vincent), sem sombra de dúvida! No início ela trabalhava muito à base de loops e de camadas e foi muito por causa dela que comecei neste registo



GJ - Se tivesses que escolher apenas um instrumento para toda a tua vida, qual seria?
S - Ui, pergunta muito difícil mesmo!!! Vou arriscar e dizer contrabaixo. Sempre foi um instrumento muito querido para mim! Daquelas paixões mesmo muito afincadas! (risos) Amo contrabaixo! É um instrumento mesmo incrível.


Antwerpen (com selo Omnichord Records) está agora disponível para streaming via Spotify.


Fotos: Eduardo Antunes e Hugo Domingues.
Texto: Eduardo Antunes.

1 comentário:

  1. Boa. Faz um dueto com o Jorge da Rocha e o seu contrabaixo Élias. 😉😗

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