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|Concert Reviews| - John Maus no Maus Hábitos

John Maus

MAUS HÁBITOS, 31 DE OUTUBRO




Comecei a noite com o pé esquerdo, ou não fossem os habituais problemas da CP que nos trocam os planos. Foi, assim, mais de 1 hora depois da festança ter começado que cheguei ao 4º andar do edifício portuense onde reside o Maus Hábitos. Não cheguei a tempo de ver o que a Orquestra Favela Discos preparou com Luís Severo, que vestiu aqui a pele do seu antigo projeto: O Cão da Morte. Cheguei, porém, a tempo de encerrar as minhas dúvidas sobre Gary War, um ex-membro da touring band de Ariel Pink que bebe muito desta inspiração, procurando juntar-lhe uma toada mais psicadélica. Também se diferencia no número de pessoas que coloca em palco. Ao contrário de Ariel que costuma se apresentar com mais 3 ou 4 músicos, Gary War está em palco apenas com o seu baterista.

Gary War
Foto: Joana Peres
John Maus era o cabeça de cartaz desta noite e a antecipação foi totalmente justificada. Sendo um acérrimo fã de Ariel Pink, foi já há algum tempo que dei conta de John Maus e fiquei fã dos seus registos. Contudo, não estava à espera de ver no Maus Hábitos um verdadeiro entertainer, um animal de palco! A sua sonoridade pode ser enquadrada no hypnagogic pop, género do qual é um autêntico precursor, assim como o próprio Ariel Pink, com quem colaborou nos inícios de carreira de ambos e do qual fez parte da banda. As músicas de John Maus são como temas que desafiam as leis cronológicas, pois são simultaneamente do passado como do futuro. São também um espelho do percurso académico do próprio. John Maus foi professor universitário de Filosofia e é doutor em Ciência Política. As suas letras têm referências ao seu posicionamento de esquerda no espectro político tradicional, mas nunca de uma forma linear. Provocam-nos reflexões, assim que as conseguimos entender. A subtileza, contudo, não tinha lugar em palco nessa noite, mas sim a brutalidade das suas emoções. "Touchdown", do novo Screen Memories fez o Maus Hábitos dar um pézinho de dança, "Cop Killer" do aclamado álbum We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves foi cantada em côro, assim como "Believer", single desse mesmo álbum, que foi interpretada no encore. Ficou a faltar a doce e nostálgica balada "Hey Moon", mas não se podia pedir muito mais neste concerto.



A noite foi por outros caminhos tendo subido a palco a dupla apaixonada pela eletrónica francesa Vive Les Cônes, que já se apresentou para uma plateia significativamente menos composta. Foi nesse ambiente de descontração, que estas duas personagens francesas - Jean Ronde e Jean Mocard - sabem criar, que acabou a minha noite de Halloween em festa no Maus Hábitos.



Texto: Eduardo Antunes

Fotografia: Joana Peres

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