|Concert Reviews| - O Gajo veio ao GrETUA

O Gajo

GRETUA, 17 DE NOVEMBRO




No passado dia 17 de novembro o GrETUA foi o palco de João Morais que apresentou o seu mais recente formato a solo, O Gajo, mas algo parece não soar bem ao dar este sentido de singularidade ao seu projeto. Uma das partes que mais se realça n’O Gajo é a sua “gaja”, termo que usou no inicio do concerto para se referir à Viola Campaniça. Esta personificação parece menor e mais simples (embora lógica visto ser a viola pessoal do músico), sendo este um instrumento com forte passado e história, que servia para os célebres cantares à desgarrajada alentejanos, acompanhando durante tantos anos uma parte tão importante da música tradicional Portuguesa. É por isto que me sinto na obrigação de referir o projeto como um dueto entre um músico e uma entidade que, por muito portuguesa que seja, nos dá uma visão muito pessoal do mundo em que O Gajo vive.



O concerto foi marcado por um ambiente intimista que a própria musica cria, mas também por toda a preocupação que o artista teve em explicar as histórias em que se baseou para compôr as músicas. Exemplo disto é “A Carteirista” inspirada na detenção de uma senhora de 85 anos que roubava carteiras na zona do Porto, vulgarmente conhecida por “Quina”. Estes momentos de partilha permitiram uma mais profunda interpretação das músicas e dos ambientes criados pelo músico no concerto. 



Destaco também o som metálico de correntes ouvido em “Férias no Havai” pois este trás um enquadramento muito importante ao tema. Ao que parece O Gajo nunca passou férias no Havai, mas um dia cruzou-se com um amigo que não via há muito tempo, que justificou a sua ausência com a sua própria ida de “férias para o Havai”, porém esta história sofre um revês, pois parte destas férias tão demoradas deveram-se à pena de prisão que teve de cuprir nas ilhas (daí o som das correntes escutado na música). 



Para concluir junto-me às mais de 100 pessoas que fortemente aplaudiram o concerto e viveram as intensas composições d’O Gajo, querendo deixar aqui um sentimento de gratidão pela partilha de dedicação a um projeto que nos trás uma nova interpretação da histórica Viola Campaniça. 





Texto: Bruno Costa

Fotografia: Francisco Morais Soares (https://www.behance.net/franciscomsdotcom)

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