|Concert Reviews| - Surma em Aveiro no GrETUA

Surma

GRETUA, 08 DE NOVEMBRO



No alto dos seus 22 anos, Débora Umbelino aka Surma percorre o país de cima a baixo e de baixo a cima para apresentar o seu Antwerpen. Felizmente tive hipótese de a ver na sua paragem por Aveiro, num GrETUA a abarrotar de gente. Já aí o coração estava quente, por ver a música da amável Débora a chegar a cada vez mais gente. O concerto não fugiu a esse calor, apesar de muitas vezes nos levar para paisagens mais nórdicas.

Antwerpen é um disco que não cansa, que entretém de audição em audição, permitindo quase infindáveis descobertas de pormenores e sons diferentes no quotidiano de um disco por quantas mais vezes se o ouve. É, sem dúvida, um álbum difícil de encaixar e, por conseguinte, de descrever. Podemos apontar à inter galáctica Bjork, ao melodramático Nick Cave, ou ainda ao jogo de loops dos tUnE-yArDs mas a comparação mais precisa será, talvez, com Deradoorian (ex-Dirty Projectors), que é, de facto, uma referência da própria Surma - segundo o que consegui apurar. De todo o modo, a magia deste álbum extrapassa estilos, comparações, ou referências, tamanho é o seu poder apesar de ser minimalista.

Neste concerto, Surma foca-se neste recém-editado Antwerpen, mas não deixa de fora outros temas. Há direito a uma versão de uma música de Agnes Obel, mas também à interpretação de "Wanna Be Basquiat", "Lo-fi" e ainda do single que a catapultou para o mundo "Maasai", aqui apresentado numa versão high-pitched e suavizada, que se enquadra, de melhor forma, no registo deste álbum de estreia.

Reparo que há uma crescente e positiva confiança em palco, que em nada é derrubada pela amabilidade e simpatia que demonstra nas pausas entre músicas, exteriorizando a sua contagiante felicidade. Será, também, interessante atentar à evolução nos palcos de Surma, que se vê ainda a tomar decisões de concerto para concerto para interpretar ao vivo músicas que se prendem com jogos de camadas e samples sobrepostas. De todo o modo, o trabalho tem nota máxima! "Hemma" é, sem dúvida, a mais familiar para todos, mas destacam-se, quase igualmente, a sonoridade africana de "Voyager" e o ritmo dançável de "Nyika". Estas duas últimas traduzem-se para português como "Viagem" e "Mundo" (como a própria nos revelou aqui), provas por si só da globalidade de inspirações e sonoridades que a jovem de Leiria conseguiu reunir neste trabalho. Só se adivinha cada vez maior brilho neste promissor futuro musical de Surma.




Texto: Eduardo Antunes

Fotografia: Francisco Morais Soares (https://www.behance.net/franciscomsdotcom)

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