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2018 Vai Ser Deles! - As nossas apostas


Ilustração: João Coutinho

É verdade que já entramos em 2018 há alguns dias, mas sentimos que agora conseguimos fazer um balanço do que sabemos e, assim, podemos projetar o ano de 2018 na música. Estas são as nossas apostas para este ano, quer sejam novos nomes que estão a dar os primeiros passos na indústria musical, ou de artistas consolidados do passado e que apresentaram, nos últimos tempos, trabalhos menos conseguidos, diminuindo a sua base de fãs. Esta é uma lista para muitos gostos, mas acima de tudo, esta é uma lista para 2018.


MGMT

O célebre duo da indietronica carregada de tonalidades psicadélicas regressou ao ativo depois de, em 2013, ter editado o seu terceiro álbum. A história dos MGMT é diferente de qualquer outra. O sucesso de “Kids” e “Electric Feel” no início da sua carreira sempre aparentou ter um peso na consciência dos MGMT, nomeadamente numa preocupação por se desmarcarem desses sucessos que podem não ser verdadeiramente definidores da musicalidade da banda. Little Dark Age, contudo, aparenta continuar a ter resquícios desses êxitos pop, mas junta-lhe um toque mais antigo, maduro até, talvez fruto da consciencialização dos MGMT da paranoia digital em que vivemos. Como outros diziam: “seja pop, seja rock”… será certamente um álbum que marcará 2018.




Yaeji


Nascida nos EUA de pais coreanos, Kathy Yaeji Lee, conhecida na música por apenas Yaeji, passou a sua juventude entre os dois países. Em 2016 lançou o single “New York 93”, o seu primeiro, e desde aí que as suas letras são, simultaneamente, divertidas e introspetivas abordando tópicos como a identidade coreana, a ansiedade social e a tirania racial do mercado cosmético. A introspeção está também patente na maneira como Yaeji canta ou até sussurra as suas letras. Por sua vez, podemos rever novamente a diversão na sonoridade que mistura o hip-hop com o house, que lhe é muito peculiar. Após 2 EPs editados em 2017, 2018 poderá ser o ano em que Yaeji lança o seu primeiro álbum, mas também no qual poderá consagrar estas suas primeiras músicas ao vivo.





Nadia Schilling

A cantautora original de Caldas da Rainha, editou em 2017 o seu disco de estreia, Above The Trees, no qual retrata e se embala na inspiração que um momento tão doloroso como a morte da sua mãe deverá ter sido. O luto resultou num álbum onde comparações com Fiona Apple, Cate Le Bon ou Sharon Van Etten, são por demais evidentes. Um álbum que figurou na nossa seleção de melhores álbuns nacionais do ano, mas sobretudo um álbum que tem atravessado curiosas fronteiras no fim de 2017 e início de 2018, deixando a imaginação flutuar sobre onde 2018 levará a arquiteta paisagista Nádia Schilling, que, por enquanto, apenas é artista nas horas vagas.





Black Eyed Peas

Muito provavelmente o nome de sucesso mais mainstream desta lista, os Black Eyed Peas são agora um trio, desde a saída de Fergie. Muito se escreveu sobre o futuro dos BEP, atirando-se possíveis nomes de substitutas femininas ao lugar que Fergie ocupou durante cerca de 15 anos. A verdade é que os Black Eyed Peas surpreenderam, abandonando a mistura de pop e EDM que os caracterizava nos últimos tempos e lançando uma banda desenhada da Marvel intitulada Masters Of The Sun, que contou também com a edição do primeiro single em 7 anos. “Street Livin” é hip-hop das raízes dos BEP que dispara sobre a guerra racial que se vive nas ruas americanas. “Fuck the system” até dizem eles no fim. Veremos se mais virá neste ano, e se a mensagem contra sistema continua na ordem dos seus dias.





Sunset Rollercoaster

Esta banda do Taiwan pode ser uma das escolhas mais surpreendentes desta lista. Formada em 2011, ano marcado pelo lançamento do álbum Bossa Nova, a banda entrou num longo hiato que apenas terminou no fim de 2015. 2016 deu lugar a um curto EP, Jinji Kikko, do qual saiu um êxito que não foi, de todo, instantâneo. “My Jinji” é uma música romântica com um ritmo em constante crescimento que nos deixa a ansiar por mais. Foi, também, aparecendo ao longo do final de 2017, cada vez mais, nas sugestões do YouTube, responsáveis pela criação de alguns fenómenos nos últimos anos. A banda anda em tour pelo continente asiático, e adivinha-se novo registo neste ano, após tão surpreendente sucesso.





Noname

2016 foi um ano em grande para Noname. Telefone, a sua mixtape foi editada nesse ano com grande sucesso e a sua parceria com Chance The Rapper florou, levando-a a cada vez maiores palcos. A sua crescida base de fãs foi pedindo o lançamento de mais músicas, mas Noname cobriu-se de um misticismo, chegando a afirmar que apenas lançaria mais duas mixtapes e depois pararia o projeto. Contudo, Noname lançou em outubro passado “Part 1”, a sua primeira música pós-Telefone e escreveu, recentemente, no Twitter, que o próximo trabalho se chamará Room 25. A sua mistura de hip-hop com spoken word torna-a uma poeta moderna, que poderá ter neste ano uma afirmação mais global.






FKA Twigs

Em 2013 apareceu em alguns radares com o seu EP2, mas foi em 2014 com LP1 que a sua popularidade disparou, com êxitos como “Pendulum” e “Two Weeks”. No ano seguinte editou M3L1SSX, EP que transformou em obra visual ao criar um curto filme que interligava as 5 músicas e contava histórias de submissão, enredo já típico de FKA Twigs. Parecia que FKA seria uma artista prolífera e que a sua criação de música seria verdadeiramente imparável. De facto, tirando músicas lançadas em curtos filmes para a Nike, não têm existido novidades no capítulo musical de Twigs, exceto o lançamento de "Good To Love" em 2016. A inglesa já lançou uma Instagram zine chamada AVANTgarden, e tem entrado noutros projetos artísticos, mas após esta pausa, espera-se que 2018 seja o ano em que FKA Twigs terá novidades na sua carreira musical, apesar desse futuro estar coberto de um misticismo que tanto a caracteriza.





Clairo

Clairo é um daquele fenómenos de YouTube que surpreende e muda, completa e repentinamente, a própria vida. Há um ano atrás, Clairo era uma normal estudante de um secundário dos subúrbios de Boston, que preparava uma futura vida universitária, mas que nos seus tempos livres criava músicas sobre paixonetas no seu quadro. Agora é um fenómeno da era digital, tendo até já aberto concertos de Tyler, The Creator. Grande quota parte desta explosão deveu-se a “Pretty Girl”, música que fala de mudanças para se enquadrar nas preferências de outra pessoa. À simplicidade DYI desta música juntou-se um vídeo num dia caseiro de Clairo. Um dia no qual, segundo a própria, se sentia muito mal com o seu corpo. A solução para enfrentar estas auto-depreciações foi fazer um videoclip irónico para esta música, filmando-se como se encontrava. O resultado está à vista e o vídeo tem somado cada vez mais visualizações.





Vampire Weekend

Numa altura em que a sonoridade indie não está tão em voga com nalguns anos atrás, é bastante interessante analisar o que é que os maiores nomes dessa vaga procuram trazer de novo. Se, com sucesso, os The xx pegaram nos ritmos dançáveis de Jamie xx; com menor fulgor, os Arcade Fire sucumbiram perante a pressão e apresentaram um álbum mediano de dance-rock, no qual se tiram apenas duas ou três boas canções. Os Vampire Weekend estão já há 5 anos sem lançar um álbum, mas 2018 trará certamente novidades. O nome já se sabe. É Mitsubishi Macchiato e, segundo Ezra Koenig, o som é mais primaveril que o anterior. Por agora, não sabemos se será um sucesso ou não, mas certamente que escutar este álbum será um momento necessário de 2018.





Clarence Clarity

Dono de uma sonoridade singular, o produtor britânico que se intitulou em homenagem a um conhecido meme, Clarence Clarity, poderá ter um 2018 de afirmação. O seu experimentalismo cheio de glitches que anda entre a pop e o r&b foi muito aclamado pela pouca crítica que reparou na sua música, aquando do lançamento de No Now, extensivo álbum vanguardista lançado em 2015 – dono, na altura, do 15º melhor álbum do ano para a nossa redação. Após ter lançado 4 singles e um EP com apenas uma música (tocada 5 vezes e intitulada “Same”), mas também de ter trabalhado com Rina Sawayama nestes últimos tempos, 2018 será o ano em que o 2º disco será editado. Leave Earth será o seu título. Esperamos não ter essa vontade, mas aguardamos fervorosamente a sua edição.






Rina Sawayama

Rina Sawayama apareceu-nos no radar como uma sugestão pessoal de Clarence Clarity. O britânico produziu-lhe o mini álbum RINA, editado no fim de 2017, e participou de forma ativa na elaboração das músicas. RINA foi a tempo de figurar como o 15º melhor álbum desse ano para a nossa redação. O seu pop simultaneamente nostálgico e vanguardista soa a uma mistura de Mariah Carrey e os primórdios de Britney Spears com PC music e os glitches de Clarence Clarity. O resultado é um pequeno álbum veludoso, em que a temática são as crises digitais, a ansiedade e a parafernália social. No caso de Rina, a ansiedade das redes sociais resulta como carburante da sua música. 2018 não aparenta vir a reduzir o potencial de ansiedade causado, por isso mesmo, pode ser um ano prolífico para a japonesa.





infinite bisous

Após anos de tours como músico nas bandas ao vivo de Mac DeMarco e de Connan Mockasin, o inglês Rory McCarthy mudou-se para Paris, a cidade do amor, e é sobre esse clima que escolhe um novo stagename: infinite bisous. Assim mesmo, sem maiúsculas, com toda a delicadeza possível canalizada num pop lo-fi que embala cada momento de conforto, mas também de profunda tristeza, com o/a amado/a. O próprio diz que este é o projeto mais pessoal que já teve, o que também se consegue adivinhar nas músicas do álbum que editou no passado ano: with love. Foi uma das surpresas do ano, acabando no lugar do 13º melhor álbum estrangeiro de 2017. Este novo ano pode trazer novidades na sua carreira ou até da editora que criou – tasty morsels -, na qual se pode fazer o download gratuito de todos os trabalhos.






Childish Gambino

Após ter assinado um novo contrato discográfico, desta feita com a RCA Records, Childish Gambino, o moniker musical de Donald Glover, afirmou que música nova pode ser esperada mais tarde neste ano. Não nos podemos esquecer que, no ano passado, também tinha dito que o próximo álbum como Childish Gambino seria o último. Isto quer dizer que 2018 pode ser o derradeiro ano para Childish Gambino, mesmo após o tremendo sucesso de Awaken, My Love!, o álbum editado no final de 2016.






Superorganism

Este é um criativo coletivo pop de variadas partes do mundo, que se decidiu juntar em Londres para trabalhar em música em conjunto. “Something For Your M.I.N.D.” foi a 1ª música a sair deste processo criativo. Pelas mãos de Emily, um dos 6 originais elementos, a música chegou à japonesa Orono de 17 anos, que iria estudar para Maine, nos EUA, e que decidiu escrever uma letra a acompanhar a música e a cantou. Foi assim que este “superorganismo” cresceu, chegando ao atual número de 8 membros, soltando banger atrás de banger – bem acompanhados de inovadores visuais, diga-se -, anunciando o homónimo álbum de estreia para o início de março. Trazem um renovado ar de felicidade à música, que 2018 tanto, mas tanto, necessita!





Ermo

Os Ermo foram uma das maiores surpresas no mundo da música nacional em 2017. O duo bracarense não se está a iniciar nestas lides, mas este segundo álbum carregado de glitch - Lo-fi Moda – abriu um novo capítulo para esta ainda jovem banda. Se no fim deste passado ano se viram e reviram elogios a este inovador trabalho, 2018 poderá ser um ano de maturação e consagração dos Ermo. Falamos, sobretudo, da transposição deste disco para o seu registo ao vivo, que pelo pouco que nos chegou, é uma verdadeira experiência sonora e visual, bastante distinta no panorama musical lusitano. Esperamos poder assistir a um destes espetáculos em breve, vendo com os nossos olhos o crescimento dos Ermo.






Blood Orange

No início de 2017, Devonté Hynes aka Blood Orange, anunciou que estava a trabalhar no sucessor de Freetown Sound, de 2016, um álbum que foi crescendo em nós com o passar do tempo. Segundo o próprio, este será um álbum sobre a sua infância e adolescência em Inglaterra. Perto do final do ano, Dev Hynes voltou a dar notícias, afirmando que o álbum estava “78% pronto” e que teria tonalidades um pouco mais sombrias do que o seu antecessor de 2016. Será, de certo, interessante perceber se Dev Hynes conseguirá repetir o sucesso recente com um álbum que é menos festivo e até dançável do que os seus últimos registos.





Capitão Fausto

Depois de um Capitão Fausto Têm Os Dias Contados que foi de consagração, os Capitão Fausto assumem-se, de momento, como a banda de maior hype na música portuguesa. Desta feita, foram já com músicas praticamente finalizadas gravá-las a São Paulo, no Brasil, em dezembro passado. Apesar das músicas já estarem compostas, o contágio da dinâmica de S. Paulo pode chegar a ser notório no resultado final deste próximo álbum. Um álbum que afirmam ser também de canções, mas que dizem, por sinal, que será bastante diferente do anterior. 2018 pode ser o ano em que repetem a distinção de melhor álbum nacional para a nossa redação.





Jungle

Baseado num duo musical central, conhecidos simplesmente como J e T, os Jungle cresceram ao ponto de se tornarem uma verdadeira selva de funk, pop e disco, com 7 elementos. Após o sucesso do álbum de estreia, editado em 2014, muito se especulou sobre o futuro desta banda de repentino crescimento, contudo, poucos sinais foram dados. Por um lado, há declarações onde afirmam que o álbum terá um som mais calmo e mais inspirado pela natureza, mas por outro, já afirmaram que esperam que este próximo álbum tenha uma sonoridade ainda mais ousada, fruto da confiança que ganharam após estes anos. O que é certo é que no fim de 2017 os Jungle anunciaram uma série de concertos para 2018, e estarão, parte do ano, em tour. Poderá ser neste ano que descobrimos qual a próxima página deste musculado coletivo britânico.




Imagem principal: João Coutinho
Textos: Eduardo Antunes


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