Entrevista aos 10000 Russos - A grande influência não vem da Rússia


Os 10000 Russos são uma da bandas que fará parte da passagem por Aveiro - no GrETUA - da tour Super Nova. Tivemos a oportunidade de falar com João Pimenta - também conhecido como Joca - o baterista e vocalista desta banda de post-punk do Porto. No meio de uma correria de responsabilidades caseiras de "homem comum", Joca deu-nos logo a entender que é um homem como os outros, isto apesar de ser artista.


Glass Journal - Ouvimos dizer que são do Porto, apesar de nenhum de vocês os três ser verdadeiramente do Porto. Queres explicar-nos isto?
João Pimenta - Eu moro no Porto desde 1999 e o Pedro desde 2000 acho. Eu sou de Barcelos e ele do Funchal. Não somos de cá mas é a cidade onde vivemos há 17 anos. O André é de Gaia, por isso em termos de identidade será o mais Porto dos 3. A banda formou se no Centro Comercial Stop, no Heroísmo. É la que ensaia e faz os discos, por isso, mesmo não o sendo, a banda “é do Porto”.


GJ - Apesar disto, o vosso som não nos parece ter sonoridades típicas portuenses ou sequer portuguesas. Discordas desta ideia?
JP - O som é nitidamente mais influenciado por coisas germânicas e britânicas. De português tem o nome e a nacionalidade. Não sei também o que é a sonoridade típica portuense. Às tantas são aquelas senhoras da Sé que estão a cantar ali naquele tasco mesmo à entrada do bairro da Sé.


GJ - Discordas então da ideia de que todos os estilos musicais têm uma terra/um sítio ao qual estão intrinsecamente ligadas?
JP - Por acaso concordo. Há cidades que vomitaram, no bom sentido, uma série de bandas boas dentro de um género. Lembro-me de Dusseldorf por exemplo onde já tocamos 2 vezes. Uma cidade como aquela influenciou-nos mais musicalmente do que o Porto. Kraftwerk e Neu! são de lá.





GJ - A Rússia disperta-vos algum tipo de inspiração?
JP - Nem por isso. Nem sequer tenho grande interesse em lá ir. Gosto dos escritores deles, no entanto. Muito, até!


GJ - Algum nome em particular?
JP - Aqueles magos do costume. Gogol e Dostoievski. Embora o Gogol seja ucraniano. Maximo Gorki também.

Fiódor Dostoiévski


GJ - A Antena 3 já descreveu o vosso som como uma “espécie de rolo compressor do pós-punk carregado de fuzz”. Concordas com esta afirmação?
JP - Nem por isso, até porque evitamos ao máximo a compressão sonora. Isso é muito do som norte-americano. A nossa música vive mais de detalhes embora numa espiral hipnótica. Detalhe na hipnose sonora. Assim fica melhor. Também não usamos assim muito fuzz. É mais delays.



GJ - Consideras-te fã de algum tipo de música em específico que esteja menos relacionado com a música dos 10000 Russos?
JP - Eu considero-me fã de praticamente todo o género de música. Embora isto seja algo genérico de se dizer, mas há pouco estava a ouvir Robbie Basho por exemplo, que não podia estar mais distante de nós.





GJ - O que esperas de 2018? Algum artista que vais querer mesmo seguir neste novo ano?
JP - Ainda não tive mesmo tempo de pensar nisso. Eu normalmente não sou muito de seguir artistas. Gosto particularmente de ir a lojas de discos, tentar encontrar pérolas e depois ouvir exaustivamente aquilo. Realmente encontrar música nova, mas que na maior parte das vezes acaba por ser música editada há 3, 4, 5 ou 6 décadas.


Distress Distress foi lançado em novembro de 2017.


Foto (10000 Russos): Stephan Vercaemer
Texto: Eduardo Antunes.

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