|Concert Reviews| - Benjamim aquece o Teatro Aveirense

Benjamim

TEATRO AVEIRENSE, 08 DE FEVEREIRO


Numa fria quinta-feira, a Sala Estúdio do Teatro Aveirense encheu-se como nunca para ouvir e dançar ao som de Benjamim. Numa sala tradicionalmente ocupada com cadeiras via-se apenas um imenso espaço, para que fosse ocupado por muito mais pessoas do que as cadeiras albergariam.  Luís Nunes, mais conhecido precisamente por Benjamim apareceu no palco pouco depois, mas apenas acompanhado do seu teclista. "Disparar" (do álbum 1986 com Barnaby Keen) foi a intimista canção que tocaram. Os restantes dois elementos da banda juntaram-se à festa logo após, mas foram saindo de cena, a espaços, para os momentos do cancioneiro de Benjamim que tocam mais na alma.

A Sala Estúdio do Teatro Aveirense estava acolhedoramente composta para este serão, ocupando-se as primeiras filas com fãs dos 8 aos 80 sentados calmamente no chão. Neste pop-rock de cantautor português que lhe é tão seu, Benjamim põe todas as cabeças a mexer, ora da esquerda para a direita, ora da direita para a esquerda, introduzindo, por vezes, excitações mais "rockeiras" - se assim lhes posso chamar - que não fugiam do agrado de ninguém. O concerto deu-se em saltos constantes entre Auto Rádio - álbum editado em 2015 - e 1986, o já referido álbum a meias com Barnaby Keen - o 9º melhor álbum nacional do último ano. Contudo, para mim, o momento alto da noite foi a interpretação de um tema de Fausto Bordalo Dias, composto em 1973, que não chegou a ser editado. Foi aqui que se viu em Benjamim uma magia maior do que a de "apenas" um dos melhores cantautores portugueses modernos. A magia da liberdade do 25 de abril de 1974 apoderou-se de Benjamim, como se este estivesse intimamente ligado a incontornáveis nomes como Zeca Afonso, Fernando Tordo, Sérgio Godinho ou o próprio Fausto, em pleno 2018. Foi uma curta magia, mas valeu certamente a pena.





Texto: Eduardo Antunes

Fotografia: Filipa Rodrigues (Edição: João Coutinho)

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