|Album Reviews| - Superorganism em estreia

Superorganism - Superorganism

 8,2/10 



Colocar um rótulo de “superorganismo” a o que quer que seja pode acarretar um peso desmedido nos ombros de quem o rotulou. Porém, quando se juntam 8 jovens criativos provenientes de paisagens distintas na culturalmente vibrante cidade de Londres, o rótulo assenta e assenta bem. 


Superorganism são uma colorida banda londrina que não procura assumir uma tarefa musical minimamente hercúlea. O objetivo é apenas divertirem-se a criar música, utilizando as peculiaridades de cada um na construção de cada música. Ou pelo menos, conseguiram aparentar isto mesmo…

Acreditando que não se trata de nenhum golpe comercial: os Superorganism reúnem no seu homónimo álbum de estreia 10 simples e sinceras canções que debatem, sobretudo, o estado de arte da juventude atual. Relações cibernáuticas, a procura da vida famosa, a despreocupação adulta pela vida dos outros, tudo isto faz parte do cardápio do “superorganismo”, que lhe junta ainda sons menos usuais nas canções (latas de cerveja a abrir, dentadas em maçãs e demais instrumentalizações invulgares) assim como visuais arrojados à volta da cultura de memes atual. Junte-se-lhe batidas simples com sintetizadores a puxar pelo revivalismo e pelo futurismo e o organismo fica composto. Modo “super” ativado. 

Numa hora apenas dá para ouvirmos por duas vezes esta divertida obra que retrata 2018. E com estas duas audições podemos ficar agarrados a esta loucura! O álbum ataca a infelicidade juvenil geracional começando com um “It’s All Good” que nos apoquenta e, muito estranhamente, nos aquece o espírito. Este reconforto continua na monotónica “Nobody Cares”, que nos diz precisamente tudo o que precisamos de ouvir: “Sweet relief when you grow up and see for yourself / Nobody cares / Have a drink, have a smoke / Do whatever you need to, although nobody cares”. A mensagem é mesmo esta: “vive a tua vida, faz o que quiseres. Se queres a fama, tens um valente hino aqui para pensares nisso [“Everybody Wants To Be Famous” foi o single inicial que me chamou a atenção para este jovem fenómeno], se queres refletir na existência digital tens aqui outro hino.” “YOLO”, “Carpe Diem”, “Seize the day”, tudo isto espelhado nesta obra, mas felizmente sem roçar o piroso. 

A verdade é que os Superorganism trabalham bem as suas originalidades. Orono, jovem frontwoman japonesa de recém feitos 18 anos, é uma personificação fidedigna desta peculiaridade. O seu espírito desajeitado vai de encontro às suas letras, que são honestas, mas simultaneamente, despreocupadas. Tal como se espera de uma jovem de 18 anos que viajou continentes para fazer música com os amigos. Em “SPRORGNSM” [outro valente pedaço de vício] conta-nos que quando crescer quer se tornar num “superorganismo”, como num déjà vu musical e letrista. O seu desejo parece, agora, concedido.

Para nota futura fica apenas a curiosidade de saber como será a evolução deste coletivo britânico. Há aqui algumas conexões à construção de um mundo individualizado e peculiar dentro do universo pop tal como os MGMT orquestraram quando apareceram musicalmente. Existe, assim, a curiosidade em saber se o “superorganismo” ficará confuso com a sua própria identidade, como os extravagantes MGMT parecem ter ficado. A outra hipótese parece ser a de crescer de forma incontrolável. 

Mas talvez me deva deixar de previsões. Vou é ouvir de novo esta alegria.

Músicas a ouvir: “It's All Good”, Nobody Cares, “Everybody Wants to Be Famous”, “SPRORGNSM” e “Something For Your M.I.N.D."


Texto por: Eduardo Antunes

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