Indie Music Fest 2018 - Dia 1 (setembro)



A edição de 2018 do Indie Music Fest passou a correr. O último dia do festival deu as boas vindas a setembro, com uma grande levada de artistas de destaque. Foi com uma boa dose de um maturo pop rockeiro que começamos este terceiro dia. Os Trêsporcento abriam o Palco Antena 3, num concerto morno, que teve o seu maior entusiasmo com "Cascatas" um dos singles mais conhecidos desta banda. Os próprios disseram que da última vez que tocaram esta música com uma transmissão da Antena 3, começou a chover assim que a canção começou. Obra divina, pode haver quem diga. Decerto que os Panado não serão de acreditar nessas coisas. Com um espírito jovem punk rock, este trio dominou o Palco Cisma com uma atitude desgarrada muito característica deste festival. A nossa despedida deste palco, deu-se assim, num frenesim musical que, pouco ou nada, carrega no travão.


Num dia carregado de bons nomes como este, não há maneira de colocar "cabeças-de-cartaz" a tenras horas de festival. Caso não fosse os atrasos de início de dia, Luís Severo teria tocado com um pôr de sol por cima de si, no Palco Antena 3. Este foi o tempo de ver o amor a transbordar. Os indies amam Severo como ninguém, e as manifestações de afeto em casais e grupos de amigos são a paisagem para as melodias doces do antigo Cão da Morte. Em canções como "Boa Companhia", para além dos sing-alongs que foram constantes no concerto, houve especial dose de um bom mel amoroso de fabrico independente. Sempre com vontade de retribuir o amor e cantar mais e mais, Severo ia verificando que tempo tinha, terminando este belo concerto com a requerida "Olho de Lince" antes de interpretar a suave "Tchuca" que diz "Não sei porque não me ligas nenhuma". Não foi de todo o caso. Os olhos de um Palco Antena 3 cheio estiveram sempre postos em Luís Severo, até ao último acorde da sua guitarra. 


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Luís Severo


























Fomos com muita rapidez dar um salto até ao Palco Relva para ver os :papercutz, que encheram a atmosfera da celebração independente da música com uma magia eletrónica cheia de reverbs e distorções que encantaram os poucos presentes neste concerto, que o aproveitaram deitados e sentados nesta "relva". Foi de passagem que lá tivemos, por obrigações maiores, mas a pena instalou-se em nós por não vermos este concerto em pleno.

Seria difícil superar um concerto como o de Luís Severo, mas Filipe Sambado, com os seus Acompanhantes de Luxo, deu uma valente resposta. O público presente era sensivelmente menos que aquele que acompanhou Severo, mas Sambado não se mostrou afetado. O concerto reuniu êxitos antigos do seu Vida Salgada, mas também novas malhas do melhor da pop portuguesa atual como "Deixem Lá", retirada do álbum homónimo editado este ano. Essa foi mesmo recebida em grande festa final, pois foi a última música deste concerto com acompanhamento de luxo. Enquanto iam saindo, Sambado foi ficando em palco, virando-se de costas e interpretando uma exclusiva e surpreendente versão delicada da sua "ASS SAMBADO". Nádegas à mostra e em todo o esplendor ao som de um dedilhar fofinho, enquanto se ia entoando o refrão "Ass Ambado. Ass Ambado. Não faço mal a ninguém.". Só fez bem a todos nós. Vestiu-se e partiu, Sambado deixou um misto de emoções na plateia, sendo que a nostalgia de um momento acabado de viver também teve de marcar presença.


Um dos momentos memoráveis deste Indie Music Fest, após uma pausa para re-jantar (sim, este conceito tem de existir nos festivais), só poderia ser ultrapassado pelo concerto que mais espera criou no público. Mundo Segundo, nome maior deste cartaz fez o hip-hop tomar de assalto este Indie Music Fest. Sem quaisquer questões, o coletivo de suporte a Mundo Segundo brindou os indies que se tornaram hiphopers neste quase final desta festa que se celebra em Baltar anualmente. Mundo Segundo não estranhou o Indie Music Fest, e o Indie Music Fest não estranhou Mundo Segundo. A energia sentiu-se a subir, aumentando também o calor, numa noite que, já por si, era bastante quente. Foi de coração cheio que Mundo Segundo e o seu coletivo aparentou estar enquanto abandonava o Palco Antena 3.

A noite acabou com o nome sensação de 2018: Conan Osiris. Num Palco Relva a abarrotar, Conan e o seu dançarino João Moreira foram estrelas apesar do clima geral de cansaço que pairava sobre todos. Afinal já passava das 3 horas da manhã, e todos somos humanos. O próprio Conan demorou a ganhar a energia célebre das suas atuações. Os problemas de som existentes durante o concerto foram gerando irritação no autor de Adoro Bolos, mas não pareceram incomodar o público. Risos, piadas e entoações dissonantes - por vezes algo irritantes também - foram o pão nosso de cada. Ou melhor, o bolo nosso de cada dia (a piada tinha de ser feita). Conan foi lutando e sabendo dominar as adversidades, pedindo apoio aos muitos indies presentes em tardes horas, brindando-os não só com a sua alienígena e simultaneamente muito terrestre música, como com novas músicas. Nota-se que existe em Conan uma vontade de criar novos sons e perpetuar o hype que este ano se desenvolveu. Pela reação do público, o caminho está a ser o certo. E assim esperamos que o seja.

Foi deste modo que se fez o Indie Music Fest em 2018. Diversidade em todas as noites e menos toada indie numa análise geral, mas com celebração musical e artística em grande dose. Esperaremos por 2018. Até lá IMF! 






Texto: Eduardo Antunes

Fotografia: Tomás Barão da Cunha (https://www.behance.net/tomasbcunha)

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