Artigos Glass Journal

Indie Music Fest 2018 - Dia 31 (agosto)



O segundo dia do Indie Music Fest de 2018 já se realizou na sua plenitude. Começamos a celebração artística independente deste dia com o concerto dos Maquina del Amor num horário - 18h00, no Palco Relva - que lhes fez pouca justiça. A sua eletrónica hipnotizante criou uma atmosfera de magia e contemplação na assembleia que se reuniu neste palco. Olhos e ouvidos muito atentos, como não podia deixar de ser.

A contemplação da máquina musical terminou e os indies deslocaram-se para o Palco Antena 3. Os Prana estreavam o palco de maior destaque deste festival. Apesar do nome ambicioso - o conceito de "prana" pode ser definido como a energia vital que os seres vivos respiram - o concerto foi de grande descontração. O seu indie rock fazia todo o sentido neste palco maior, fazendo jus à sonoridade deste festival. 

Mexemo-nos rapidamente em direção ao pequeno Palco Cisma, na única vez que o frequentamos esta noite. Os Vaarwell e o seu dream pop foram a razão desta deslocação. A energia que transmitem é simultaneamente delicada e muito contagiante, convidando todos a dar um pé de dança. Retomaram o clima de contemplação no pouco público que se reuniu neste concerto. Fiquei com a impressão de que mereciam maior destaque e mais tempo de atenção - o concerto durou cerca de 30 minutos. A vontade de ouvir mais ficou, talvez por me fazerem lembrar os Snakadaktal, banda australiana que ouvia na minha adolescência que, infelizmente, terminou o projeto há uns anos atrás. A fofura e a delicadeza terminavam aqui, por esta noite. Os Solar Corona chamavam-nos, de novo, para o Palco Antena 3. Assim que entraram avisaram-nos: "Nós somos os Solar Corona. Isto é só instrumental. Vai ser difícil seduzir-vos...". Não nos pareceu uma tarefa assim tão complicada. O largo espaço do Palco Antena 3 compôs-se de festivaleiros para se divertir ao som deste rock desgarrado. 


Vaarwell
Keep Razors Sharp

























Após tantos concertos seguidos, uma pausa para jantar era imperativa. Já de barrigas cheias ouvíamos o anúncio vindo do Palco Antena 3, de que um dos nomes grandes desta edição iria começar o seu concerto. Eis os Keep Razors Sharp. O público foi-se compondo, mas o recinto deste palco maior esteve longe de estar cheio. De qualquer modo, foi um concerto fiel ao nome. "Sharp", tanto no estilo apurado como na musicalidade mais rock dos Keep Razors Sharp.
O segundo dia do Indie Music Fest ia passando e começava-se a perceber qual seria o destaque da noite, nem que fosse pelo número de pessoas que levariam a vê-los. Pois bem, Throes + The Shine e os seus constantes "quero ouvir barulhoooo!" enchem o Palco Antena 3, com os indies rendidos, por completo, a este kuduro que também é rock e não é menos eletrónica. Este trio que faz uma ponte entre Luanda e o Porto esteve sempre muito dinâmico e energético, como de resto se espera em todos os concertos que dão. A interação foi constante, e existia uma sensação de que o público indie também estava a puxar pelos Throes + The Shine, fazendo cumprir a missão anunciada pelo trio: "elevar a faquia!". A fasquia foi mesmo elevada e nem uma aparatosa queda do palco abaixo de Mob, o hiperativo vocalista, demoliu todo o espírito festivo. Com muitas palmas foram brindados por terem dado, literalmente, o corpo ao manifesto. No fim até de um encore inesperado por muitos dos indies não se podia esperar nada mais do que um genuíno "foi do c******, f***-**!" ao se irem embora. A verdade é que foi mesmo.









Texto: Eduardo Antunes

Fotografia: Tomás Barão da Cunha (https://www.behance.net/tomasbcunha)

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