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Milhões de Festa - Segundo Dia


O segundo dia do Milhões de Festa começava com o projeto Cumbadélica de Igor Ribeiro e de Marie Lopes. O concerto deu-se no Palco Taina à hora do almoço. Este era o primeiro dia onde os 5 palcos passaram a estar ativos. Como não podia faltar, o mítico Palco Piscina já cedo se apresentava composto com os Cacilhas, que foram os escolhidos para abrir este palco de maior descontração diurna. Seguiu-se o rock explosivo russo com ligações fortes ao free-jazz das Mirrored Lips passando-se para o concerto bizarro dos míticos Grabba Grabba Tape que premiaram pela fantástica interação com os festivaleiros que se encontravam na piscina. A interação foi visível, apesar de ter contado, infelizmente, com alguns problemas técnicos que não fizeram o público arredar pé do concerto destes, que voltaram depois de um longo hiato na carreira. O espanhol DJ K-Sets tal como o próprio nome indica, com a ajuda de cassetes, tratou de nos dar sons provenientes do Médio Oriente e do norte de África. Indumentária de homem do lixo, um homem que pôs uma boa parte de quem se encontrava nas margens da piscina a dançar. Pela cidade atuaram os The Evil Usses

A noite assolava a cidade de Barcelos e depois dos concertos de Peter Gabriel Duo, Decibélicas e da exploração sonora de Phantom Chips estava na hora dos portuenses Sereias causarem o caos sonoro, eles que afirmam fazer jazz-punk-pós-aquático provocaram estragos à hora de jantar no Palco Taina. Foi um concerto marcado pela sua impetuosidade, como se viesse do lugar mais sujo das trevas, uma autêntica turbulência que se sentiu por complemento no Taina. 


Krake Ensemble


Krake Ensemble, que estavam a jogar em casa, eram a banda que iniciava as atuações no palco principal. Aventuraram-se no seu post-rock a encaminhar para o som experimental e eletrónico que ia desvendando caminhos por descobrir. Apresentaram-se em peso no Palco Milhões para um concerto que funcionou mais como uma experiência do que outra coisa. 

Depois de Krake Ensemble acontecia então a primeira romaria para o Palco Lovers para ver um dos nomes que suscitou maior surpresa no cartaz. Tratava-se da lendária e respeitada Lena d'Agua que ao seu lado tinha o lisboeta Primeira Dama, e eram acompanhados ainda pela Banda Xita. Um concerto onde Lena D'Agua presenteou os demais festivaleiros com temas clássicos da sua longa carreira, mas onde também Primeira Dama executou as suas canções enquanto a "figura principal" servia de espectadora. Um acontecimento memorável e uma combinação surpreendente que irá ficar no quadro de honra do festival, sem dúvida uma celebração da música portuguesa. 

Circle, que são uma banda finlandesa com um vasto material na bagagem, contam com mais de 50 discos lançados que vagueiam pelos mundos do krautrock, heavy metal e do rock progressivo. Os próprios afirmam não ser a melhor banda do mundo mas fizeram-se sentir em grande força no palco principal com um concerto a fazer lembrar outros tempos áureos dos géneros que os definem e sem nunca perderem a compostura, concretizando tudo perfeitamente 

De volta ao Palco Lovers tínhamos à nossa espera os londrinos Warmduscher que tiveram o prazer de redefinir o rock e molda-lo da forma que bem pretendem e sabem. Atuação marcada pela forte interação do frontman com o público que levou a vários momentos de dança até a um cauteloso mosh, que marcou o terminar deste concerto da banda proveniente do Reino Unido. 

Squarepusher

Tinha chegado a hora de subir ao palco não só um dos cabeças de cartaz do festival como o nome mais sonante do segundo dia do Milhões de Festa. Tom Jenkinson conhecido no mundo da música como Squarepusher chegou com o seu fato de tratador de abelhas e tratou imediatamente de pôr uma boa parte do público a mexer ao som do seu característico IDM. O restante público ficou a tentar perceber como entrar no ritmo deste homem, com a sua sonoridade a transportar-nos para o mundo digital e com os efeitos visuais a darem ainda mais cor à performance do artista que tem já uma carreira digna de respeito no mundo da eletrónica. 

Scúru Fitchádu é certamente um dos nomes mais badalados no panorama nacional do diferente do que se faz e apresentou-se num horário digno só para os mais resistentes. Não seria por isso que teria uma casa menos bem composta, para esta junção triunfante do punk sujo com a beldade do funáná de Cabo Verde que caiu com estrondo quando já passavam das 3 da manhã. Foi uma hora intensa que teve direito a moshes, a dança, à celebração da música de combate africana e até de relâmpagos indesejados. Quem não viu Scúru Fitchádu perdeu um dos momentos altos da música portuguesa no festival. 

Tinha acabado de sair Scuru Fitchadu e começava imediatamente a atuação inesperada da chuva no festival o que, arrastou uma boa parte dos festivaleiros para o campismo, mas mesmo assim ainda alguns não arredaram pé para verem DJ Lynce a fechar este dia 2 do Milhões de Festa de 2018..









Texto: Valley Rosário

Fotografia: Francisco Morais Soares (https://www.behance.net/franciscomsdotcom)

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