Milhões de Festa 2018 - Terceiro Dia


Chegava o 3º dia do Milhões de Festa e o conhecido documentalista Eduardo Morais tratava de ser o primeiro homem a dar-nos música neste dia no Palco Taina. Na piscina entre os banhos e os finos, uma boa parte tratava de apreciar os concertos de Kink Gong, Gonçalo e mais tarde da apresentação de Natalie Sharp de BodyVice. Esta última foi uma performance artística a roçar os limites do estranho, mas com necessidade de invocar a ira, a revolta e a estranheza com recursos ao noise a à musica eletrónica. Afrodeutsche tratou de fechar a piscina com os seus sons que vagueiam pelo techno e house, uma perfeita sessão que serviu de preparação para o que vinha à noite. 


Natalie Sharp apresenta BodyVice

Pela cidade barcelense atuava Vaiapraia juntamente com as suas Rainhas do Baile. Transmitiram aos presentes, sem qualquer tipo de pudor e de vergonha, as suas letras compostas pelo realismo sentimental. No Palco Taina tínhamos música para os de ouvido pesado com o heavy metal puxado e raivoso dos Nashgul, Greengo e dos Pé Roto, estas 3 bandas que foram escolhidas para representar o SWR Barroselas Metalfest nesta edição do Milhões de Festa. 


Vaiapraia & as Rainhas do Baile

O dia que levou mais gente ao recinto calhou com uma noite que iria ser praticamente tomada de assalto pelas mulheres. No Palco Milhões WWWater foi a primeira banda a ser chamada, alguns entendidos afirmam que esta é uma promessa proveniente da Bélgica e quem esteve no recinto às 21h00 pode exatamente confirma-lo. Charlotte Adigéry, de seu verdadeiro nome, instalou a monarquia por uma noite e tratou de ser a rainha. Com a sua voz que impõe respeito a atingir tons ancestrais deliciosamente cristalizados que combinam perfeitamente nos instrumentais eletrónicos, juntando-lhe a percussão avassaladora do baterista, resultou numa perfeita ode do que é a música, uma cara e voz dócil que muito provavelmente irá voltar a colocar os pés em nosso território em breve. 

O obscuro, o cru e o real foi sentido quando Gazelle Twin entrou de rompante no Palco Lovers entoando a sua lírica por cima de instrumentais eletrónicos com influências na música industrial direcionada para os problemas reais que assombram cada um sem qualquer tipo de papas na língua. Ouviram-se faixas do disco fortemente antecipado que está quase para sair e terá o nome de "Pastoral" e alguns temas anteriores da carreira de Elisabeth Bernholz. 

A conceituada revista Rolling Stone afirmou que Nubya Garcia é uma artista de jazz que estava prestes a explodir no ano 2018 e nós podemos assistir em primeira mão à sua explosão. Ela e a sua banda de serviço concretizaram um dos concertos mais esbeltos do festival, os toques de saxofone possuidores de uma alma majestosa cheias de cor deslumbraram o público que esteve em Barcelos. Impossível alguém ter ficado indiferente à preciosidade que Nubya Garcia e a sua banda transmitiram, tendo Nubya, durante alguns momentos do concerto, protagonizado até várias sessões de improviso, levando ao delírio os ouvintes. 

As Bala vieram do nosso país vizinho, são duas e trouxeram com elas o punk arrebatador e furioso das ruelas de Corunha. Sem nunca perderem a compostura atacaram com unhas e dentes a um ritmo avassalador sem quebras. Os que estiveram lá para as ver foram obrigados a entrar neste furioso turbilhão do início até ao fim. Um concerto suado e bem vivido. 


Electric Wizard

Passava pouco das 01h20 e eis que estava na hora do concerto mais aguardado, ia atuar a banda que iria provocar a maior enchente do festival. Os Electric Wizard, banda mais que conceituada e venerada que moram no doom metal, com os seus enormes temas que provêm de um lugar negro e denso, fizeram vibrar uma boa parte de quem esteve no recinto. Um concerto longo que nunca perdeu a sua força, desde o primeiro ao último acorde. Os que estiveram nas fileiras dianteiras provocaram também um espetáculo de headbangings completamente e perfeitamente sincronizados. 


The Bug é jornalista, produtor e mais alguma coisa e não é novo por estas andanças do Milhões de Festa. Veio este ano com a artista israelita Miss Red e juntos trataram de ressuscitar as partes mais adormecidas dos corpos do forte público que se dirigiu ao Palco Lovers a meio da madrugada. Sem nunca perderem o seu músculo, as sonoridades que andaram de mãos dadas com o dub, a música industrial e claro, com o dancehall, provocaram momentos de pura dança magistral num ambiente festivo. O terceiro e penúltimo dia encerrava então com DJ Paypal que expeliu faixas de footwork, e não só, que foram completamente dançáveis, durando até ao pico da noite calorosa que assolou a cidade.






Texto: Valley Rosário

Fotografia: Francisco Morais Soares (https://www.behance.net/franciscomsdotcom)

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