Artigos Glass Journal

Milhões de Festa 2018 - Último Dia


O quarto e último dia do Milhões de Festa teria menos concertos, mas arrancava com garra, pelo podcast/DJ set que se ouvia no Taina com o nome de Independent Music Podcast onde Gareth Main e Anthony conversaram sobre música “relativamente estranha e obscura” dos diferentes cantos do mundo. Entretanto no arranque da despedida da piscina os Paisiel eram os primeiros e coube a eles explorarem o som de uma forma vincada e única, a obscuridade sonora não ficava por aqui com a atuação dos Pharaoh Overloard, sob um manto tenebroso e sombrio com os olhares postos fixamente no público fizeram passar, maioritariamente, o seu som de stoner rock rancoroso e sujo. Mais tarde o coletivo Suave Geração tratou de tirar uma boa parte do público das toalhas e soltar aquele pé de dança escondido com um DJ set bastante bailável desde o início ao fim, estes que anteciparam a chegada do fenómeno brasileiro Johnny Hooker. Ele é cantor, compositor, ator e guionista, e sem sombra de dúvidas foi quem provocou o ponto alto do Palco Piscina dos últimos 3 dias. Esta foi a sua primeira atuação em Portugal e, na sua bagagem, trouxe os seus temas que colocam um ponto de interrogação no que toca a preconceitos raciais e de género com a missão de combater o conservadorismo existente. Foram 45 minutos onde viajámos para o clima quente do nordeste brasileiro, onde ouvimos os seus lamentos, ambições, desilusões e confissões sentimentais. 


The Heliocentrics foram a primeira banda a pisar o Palco Milhões. Vieram com o seu característico jazz incorporado no psicadelismo com um som que vai desvendando lugares exóticos, uma banda que ao vivo executa plenamente os seus temas que são capazes de tocar no céu.

A dupla Mouse on Mars, que vem de Berlim, é conhecida no mundo da música pela sua própria música eletrónica, com uma sonoridade única que não se rege ao som padrão da conhecida eletrónica alemã. Fizeram com que, junto à margem do Rio Cávado, se tornasse, durante uma hora, numa pista de dança. Com as suas transições sempre perfeitamente executadas foram estrondosos, o seu som transportou cada pessoa para um mundo onde a eletrónica é a fundação de tudo.

Os Tubarões

Provavelmente os senhores da noite foram Os Tubarões, que vêm da “ilha do fogo”, como é calorosamente conhecido o Cabo Verde, e que são muito acarinhados no nosso país. Trataram de montar um "festão" como já seria esperado. Houve tempo para dançar, maravilhar, deslumbrar e tempo para o tradicional “comboio” entre o público, uma perfeita comunhão que se fez sentir entre os festivaleiros e a banda. Sem deixar de frisar, a pedido do forte público, atuaram mais tempo do que estava previsto, com isto deu para confirmar o que já estava mais que confirmado: a banda é bastante acarinhada pelos portugueses.

O último concerto do festival estava ao cargo de UKAEA. Para além de ter sido um concerto foi uma espécie de instalação artística. Entre a audiência houve pessoas escolhidas a dedo para serem "batizadas", houve rituais que ninguém conseguiu explicar, o imprevisível tomou de assalto o Palco Lovers. Atingindo por vezes o "anormalismo" tudo isto culminaria com o convívio entre as pessoas ao som do techno mais visceral e abrasivo de UKAEA, uma espécie de rave de outro mundo.

O dia encerrava no Taina com Silent Disco que consistia em dois DJ sets em que quem estivesse interessado em ouvir tinha que requisitar uns auscultadores próprios e escolher um dos sets para ouvir.

Entretanto o festival mais acarinhado e simpático que a cada ano nos dá tudo de bom, tudo de diferente e do melhor, chegava ao fim. Quatro dias de momentos e atuações incríveis que ficarão cravadas na nossa memória a longo prazo ou até eternamente. A festa foi feita aos milhões. O Milhões de Festa não é efémero, é eterno e a saudade vai perdurar até à próxima edição.






Texto: Valley Rosário

Fotografia: Francisco Morais Soares (https://www.behance.net/franciscomsdotcom)

Sem comentários:

'; (function() { var dsq = document.createElement('script'); dsq.type = 'text/javascript'; dsq.async = true; dsq.src = '//' + disqus_shortname + '.disqus.com/embed.js'; (document.getElementsByTagName('head')[0] || document.getElementsByTagName('body')[0]).appendChild(dsq); })();
Com tecnologia do Blogger.