Melhores Álbuns Nacionais de 2019


A tradição está cada vez mais cimentada: o terminar de um ano traz um conjunto de destaques da música produzida. Para começar a ronda de distinções da música feita em 2019, começamos por lançar a lista de 20 álbuns da música nacional. Isto é, antes de, nos próximos dias, viajarmos até ao que internacionalmente foi produzido neste ano, sempre com a subjetividade que implica escalar álbuns e EPs numa ordem. Com um conjunto de listas que marcam o final desta década, damos início à List Week - 2019, com a lista daqueles que são, para nós, os 20 Melhores Álbuns Nacionais.



20. First Breath After Coma - NU

A ouvir: "Change"



19. Born-Folk - Come Inside!

A ouvir: "Fall-inn"




18. Little Friend - A Substitute For Sadness

A ouvir: "Singing in my Sleep"




17. Marinho - ~

A ouvir: "Window Pain"




16. PAUS - YESS

A ouvir: "YESS"




15. Maria Reis - Chove na Sala, Água nos Olhos

A ouvir: "Odeio-te"




14. Bia Maria - Mal Me Queres, Bem Te Quero

A ouvir: "Brócolos com Queijo"


13. Cassete Pirata - A Montra

A ouvir: "Outro Final Qualquer"



12. Lavoisier - Viagem a um Reino Maravilhoso

A ouvir: "Frustração"




11. Zarco - Spazutempo

A ouvir: "Tava num Bar"



10. Lena D'Água - Desalmadamente

O ressurgir de Lena D'Água nos ouvidos de todos nós deu-se, em primeiro lugar, pela sua junção a Primeira Dama e pelos concertos que, juntos, apresentaram com a banda da Xita Records por vários festivais. "Desalmadamente" levou-a a outras colaborações consolidadas, e marca o verdadeiro regresso da diva, outrora perdida, da música portuguesa, com um bom punhado de cantigas pop descontraídas, onde os altos e baixos da vida de Lena D'Água são a inspiração central. Esperamos que este não seja um regresso fugaz.
A ouvir: "Hipocampo"







9. Cosmic Mass - Vice Blooms

Crítica a este disco aqui: "O início desta última década trouxe uma onda de seguidores de reinterpretações do psicadelismo. Ora pintando-o de tons mais alegres e vivos, ora mais sombrio e obscuro. Este é um caso que cabe na segunda opção, em que a distorção parece servir uma ideia de conquista de uma batalha triunfal ou de um videojogo, caso sejam mais modernos. No fim? Fica a dúvida se ganhámos ou perdemos, mas pelo menos foram pouco mais de 40 minutos de uma desgarrada psicadélica dos novos tempos." 
A ouvir: "Starting To Lose My Head"








8. Montanhas Azuis - Ilha de Plástico

Um "super-grupo" não é um termo que surja frequentemente na cena musical portuguesa, mas, de certa forma, auxilía a descrever os Montanhas Azuis, trio que junta Marco Franco, Norberto Lobo e Bruno Pernadas. Três mestres da instrumentalização que neste projeto conseguem atingir duas sensações muitas vezes opostas: a serenidade e a inquietação.
A ouvir: "Duas Ilhas"








7. Luís Severo - O Sol Voltou

"O Sol Voltou" voltando com ele Luís Severo para os destaques musicais do ano, um lugar a que o jovem cantautor tem-se habituado nos últimos anos, sendo agora um dos mais destacados compositores da cena musical independente portuguesa. Este seu terceiro disco é, talvez, mais um passo a caminho de ser cada vez menos expansivo e apenas simples e melancólico, quer a nível instrumental como na sua crescente capacidade como poeta.
A ouvir: "Primavera"








6. emmy CurlØPorto

Catarina Miranda já assinou como Emmy Curl cinco discos, dos quais este, criado, produzido e lançado pela própria, é o mais recente. Porém, este quinto álbum apresenta-se com algumas peculiaridades. É uma longa dedicatória à cidade que a acolheu durante largos anos - Porto - mas que também a teve de ver partir. É também marcado por uma abordagem mais experimental, e que procura juntar a tecnologia à natureza.
A ouvir: "Dança da Lua e do Sol"








5. Niki Moss - Gooey

O vocalista dos Savanna, Miguel Vilhena, lança-se nos discos a solo com o nome Niki Moss, acompanhado por este "Gooey" que é verdadeiramente pegajoso, no melhor sentido do termo. Antes de chegarmos ao fim do ano, lançou também "Standing In The Dark EP", o que demonstra vontade de explorar esta sonoridade. De regresso a "Gooey": 10 canções orelhudas compõem este disco pop composto por muita dança entre o eletrónico e o rock, tendo sempre o pop colorido como matriz. E nessa praia, tem o álbum nacional mais bem conseguido do ano.
A ouvir: "Soylent Green"








4. Jasmim - Culto da Brisa

Foi mesmo no início de 2019 que Martim Brás Teixeira, teclista dos Mighty Sands, e que assina como Jasmim, lançou este "Culto da Brisa", disco que explora a sonoridade onírica apresentada no seu EP de estreia, "Oitavo Mar", em 2017. Dois anos depois, o seu folk-rock com ares de chamber pop matura-se num conjunto de 9 intimistas canções, indicadas para serem sussuradas aos ouvidos de quem queremos levar a passear, por airosos jardins de uma tarde de primavera.
A ouvir: "Ouro, Prata e Jasmim"










3. David Bruno - Miramar Confidencial

Há dois nomes que se repetem da lista de melhores álbuns nacionais de 2018 (ver aqui) para esta. Só esse facto nos parece ser destaque suficiente. David Bruno é um desses dois nomes, e apesar de este ano não liderar novamente a lista, "Miramar Confidencial" continua o bom caminho, solidificando o nome de David Bruno enquanto artista a solo, já que o próprio tem também construído o seu caminho com os Conjunto Corona, marcando a diferença sonoricamente, de forma subtil, entre esses projetos. 
A ouvir: "Aparthotel Céu Azul"








2. Sensible Soccers - Aurora

Os Sensible Soccers regressaram com este seu terceiro disco, "Aurora". Reduzidos a um trio com a saída de Filipe Azevedo, as guitarras reverberadas que já sustentaram o som da banda ficaram de lado, dando protagonismo aos sintetizadores, e invocando a década que os propagou por completo: os anos 80. "Aurora" bebe da, atualmente muito convocada, nostalgia. É por isso, digno de mestria que esse uso soe, apesar de tudo, fresco, e que provoque a vontade de dar uns valentes paços de dança.
A ouvir: "Elias katana"








1. Mayra Andrade - Manga

Nascida há quase 35 anos em Havana, Cuba, Mayra Andrade desde cedo se mostrou do mundo. Após ter nascido em Cuba foi para Cabo Verde, país dos seus pais, mas ainda durante a infância viveu em países como Senegal, Angola e Alemanha. A ligação a Cabo Verde nunca se perdeu, e prova disso são os discos que edita desde 2006, onde sobretudo a morna cabo-verdiana é trabalhada. Seis anos após "Lovely Difficult" de 2013, Mayra Andrade regressa aos álbuns, aperfeiçoando a sonoridade das suas músicas, tornando-a verdadeiramente sua. Este lançamento acontece três anos depois de Mayra Andrade ter trocado Paris, onde viveu por largos anos, por Portugal, residindo atualmente em Lisboa. É por isso mesmo, cada vez mais, uma artista nacional. Ainda antes de se chegar a 2019 já Mayra tinha revelado um pouco da doçura que "Manga" iria conter, lançando os singles "Afeto" e "Manga", que se apresentam entre o português e o criolo cabo-verdiano, respetivamente. O disco tinha ainda muito mais a se revelar, com o pop urbano de "Pull-Up", a onomatopeia musical de "Tan Kalakatan", ou as felizes "Vapor di Imigrason" e "Segredo". Pelo meio, há ainda lugar a colaborações com nomes como Luísa Sobral e Sara Tavares, mas se tem de existir um destaque neste longa duração, esse tem de ser a faixa que lhe dá nome. "Manga" - a faixa - resume, de melhor forma, o que significa "Manga" - o álbum. É uma música suculenta onde a sensualidade é driblada com classe e doçura, ao som de uma instrumentalização revivalista e futurista da música cabo-verdiana. Mayra parece ter, por fim, encontrado o seu verdadeiro lugar ao sol, até porque esta "Manga" merece ser plenamente desfrutada em momentos de enorme calor.
A ouvir: "Manga"





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