50 Best Albums of 2019


A semana de revisão daquilo que foi a música do último ano, chega ao fim com esta lista. Estes são os 50 melhores álbuns internacionais de 2019 para a redação Glass Journal. Muitos dos artistas presentes na playlist das 75 melhores músicas de 2019, estão presentes nesta lista, que procura ordenar os álbuns e EPs, o que não deixa de contar com alguma subjetividade à mistura. Há por isso, um conjunto de menções honrosas a fazer, a trabalhos a destacar neste ano, mas que não figuram nesta lista de 50 discos. São eles os álbuns de Kirin J Callinan, (Sandy) Alex G, Nihiloxica, Mdou Moctar, Danny Brown, Sessa, Durand Jones & The Indications, Panic GirlThom Yorke ou Charlotte Adigéry.
Eis a lista dos 50 álbuns, ordenados do número 50 ao disco de maior destaque deste ano, finalizando assim a List Week de 2019.


50. Nilüfer Yanya - Miss Universe

A ouvir: "Heavyweight Champion of the Year"



49. KAYTRANADA - Bubba

A ouvir: "DO IT"



48. HARAM - Where Were You On 9/11

A ouvir: "Jihad, Jihadi"



47. Ariel Pink - Odditties Sodomies Vol. 2 

A ouvir: "Stray Here With You"


46. infinite bisous - period

A ouvir: "Sole Mate"




45. Alber Jupiter - We Are Just Floating In Space

A ouvir: "Intro"




44. Malibu Ken - Malibu Ken

A ouvir: "Tuesday"




43. The Comet Is Coming - Trust in the Lifeforce of the Deep Mistery

A ouvir: "Summon The Fire"




42. Lizzo - Cuz I Love You

A ouvir: "Juice"




41. tricot - リピート (repeat) EP

A ouvir: "good morning"





TOP 40





40. Sleater Kinney - The Center Won't Hold

A ouvir: "Can I Go On"




39. Tinariwen - Amadjar

A ouvir: "Zawal"





38. Michael Kiwanuka - Kiwanuka

A ouvir: "You Ain't The Problem"




37. KOKOROKO - KOKOROKO EP

A ouvir: "Uman"





36. Altin Gün - Gece

A ouvir: "Süpürgesi Yoncadan"





35. Sui Zhen - Losing Linda

A ouvir: "Matsudo City Life"




34. Jesca Hoop - Stonechild

A ouvir: "Shoulder Charge"





33. Toro y Moi - Outer Peace

A ouvir: "Freelance"



32. Hama - Houmeissa

A ouvir: "Terroir"


31. Devendra Banhart - Ma

A ouvir: "Carolina"





TOP 30




30. Angel Olsen - All Mirrors

A ouvir: "All Mirrors"




29. Yazz Ahmed - Polyhymnia

A ouvir: "One Girl Among Many"




28. Steve Lacy - Apollo XXI

A ouvir: "N Side"




27. Kelsey Lu - Blood

A ouvir: "Due West"



26. Derya YıldırımGrup Şimşek - Kar Yağar 

A ouvir: "Kürk"



25. Papooz - Night Sketches

A ouvir: "You and I"



24. Ivan "Mamão" Conti - Poison Fruit

A ouvir: "Que Legal"


23. Jenny Hval - The Practice of Love

A ouvir: "High Alice"


22. Lafawndah - Ancestor Boy

A ouvir: "Uniform"



21. JPEGMAFIA - All My Heroes Are Cornballs

A ouvir: "Free The Frail"



TOP 20




20. Sharon Van Etten - Remind Me Tomorrow


A ouvir: "Comeback Kid"




19. Ana Frango Elétrico - Little Electric Chicken Heart

A ouvir: "Chocolate"




18. Lambchop - This (Is What I Wanted To Tell You)

A ouvir: "This Air Is Heavy And I Should Be Listening To You"




17. Little Simz - GREY Area

A ouvir: "Selfish"





16. Big Thief - Two Hands

A ouvir: "The Toy"




15. Jessica Pratt - Quiet Signs

A ouvir: "This Time Around"





14. Sudan Archives - Athena

A ouvir: "Iceland Moss"





13. Solange - When I Get Home

A ouvir: "Almeda"





12. Andrew Bird - My Finest Work Yet

A ouvir: "Sisyphus"




11. Tyler, The Creator - IGOR

A ouvir: "EARFQUAKE"






TOP 10






10. Raveena - Lucid

Raveena é uma jovem artista residente em Nova Iorque e de raízes indianas, que durante a sua juventude foi desenvolvendo a sua música, passando pelo soul e pelo jazz fusion indiano, até ao lançamento do EP "Shanti" em 2017, no qual apresentou o seu r&b sonhador ao mundo. "Lucid" é o seu longa-duração de estreia e marca o aprimorar de toda a sua estética. Sintetizadores redondos e apetitosos constituem grande parte da tela musical das músicas de Raveena, às quais se juntam os seus vocais sussurados carregados de ternura. A combinação é um trabalho r&b de enorme segurança, ao qual se pode juntar a estética indiana, diy, e da cultura queer, que Raveena procura combinar com a música. É por tudo isso, que merece ser um dos 10 destaques principais do ano.
A ouvir:
 "Stronger"






9. Sampa the Great - The Return

Paz, família, casa, legado cultural. É sobretudo isto que Sampa The Great - rapper australiana nascida na Zâmbia - embarca com "The Return", o seu álbum de estreia. As músicas em si, ficam para depois, mas isso não significa que não sejam destaque suficiente neste disco. São sobretudo um pano de fundo entre o jazz e o hip-hop, que não poderiam ser melhor companhia para a viagem de descoberta pessoal que Sampa The Great desdobra neste trabalho. Pelo meio, vai deixando alguns bangers, como "Freedom", "OMG" ou uma "Final Form" a ecoar "black power".
A ouvir: "Final Form"






8. Cate Le Bon - Reward

Após alguns lançamentos anteriores, a singer-songwritter Cate Le Bon decidiu mudar-se para uma casa na zona montanhosa inglesa do Lake District. Ali se isolou, tendo apenas a companhia de um piano, que utilizou para construir o esqueleto daquele que seria o seu próximo álbum. "Reward" é claramente marcado pelo sentimento de solidão que a quirky Le Bon foi enfrentando na sua estadia no Lake District, e é por isso um disco sombrio e melancólico mesmo nos momentos que aparentam ser mais alegres e solarentos.
A ouvir:
 "Miami"








7. Aldous Harding - Designer

À semelhança de Cate Le Bon, Aldous Harding é uma singer-songwritter de uma estranheza doce, capaz de construir o seu pequeno mundo com a sua estética musical e visual. "Designer" tem um ótimo trabalho de produção, conseguindo que mesmo nos momentos mais expansivos do disco pareça que a neozelandesa nos está a sussurar as suas idiossincrasias adoráveis, como "what am I doing in Dubai?" em "Zoo Eyes", um dos singles do álbum.
A ouvir: "Fixture Picture"







6. Caroline Polachek - Pang

Mais de dois anos separam o fim dos Chairlift e o regresso à música pop de Caroline Polachek, co-fundadora do antigo duo de eletropop. "Pang" bebe de toda a experiência de Polacheck com os Chairlift e apresenta-se como um disco pop de enorme segurança e que fica no limbo entre o pop mais underground e aquele capaz de circular em qualquer rádio. A americana nunca perde esse balanço, sem deixar de nos introduzir ao seu universo. "The Gate" é precisamente o portal de abertura para este mundo, no qual a hipnotizante e circular "Door" tem de ser o maior destaque. É o derradeiro hino pop do ano.
A ouvir:
 "Door"







5. Nick Cave & The Bad Seeds - Ghosteen

Nick Cave é daqueles artistas que sempre que lança um novo disco se arrisca a figurar nas listas de destaques musicais desse ano, de uma forma quase unânime na crítica. "Ghosteen" não poderia deixar de ser exceção. Este é um disco arrebatador, que à escuta atenta deixa qualquer um sem qualquer hipótese de reação. É uma visão poética e ligeiramente esperançosa sobre o luto, e é por isso mesmo um lição de vida - ouça-se a faixa que dá nome ao disco, para se vislumbrar esse raio de sol que, por vezes, galga sobre um céu cinzento.
A ouvir:
 "Ghosteen"






4. Jamila Woods - LEGACY! LEGACY!

Jamila Woods tem em "LEGACY! LEGACY!" um longo retrato da multiplicidade de identidades que sente corresponderem a si. Há um belo casamento entre o comentário político e a reflexão pessoal e individual, que conduz as músicas deste disco. Woods já tinha demonstrando em "HEAVN", disco de 2017, a capacidade que tem de conjungar doçura e robustez nas suas músicas, mas é com este seu mais recente disco que o prova por completo. Música após música, "LEGACY! LEGACY!" parece um álbum constituído inteiramente por singles. Por aqui escolhemos "GIOVANNI" como o maior desses destaques.
A ouvir:
 "GIOVANNI"






3. FKA Twigs - Magdalene

Após o lançamento de "LP1" em 2014, FKA Twigs catapultou-se para o topo da nova música entre o r&b e o pop eletrónico. O EP "M3LL155X" foi lançado um ano depois, e desde aí pouco mais. É assim expectável que a cada ano que passou, tenha aumentado a ânsia por novas músicas de Twigs. 2019 foi novamente o seu ano, de uma forma que não teríamos imaginado há quatro ou cinco anos atrás. "Magdalene" apresenta uma visão etérea e até acústica do pop cheio de glitchs que a caracterizou. Isto não significa que este disco não tenha traços da antiga Twigs; são várias as músicas que terminam numa apoteose sonora desse género - veja-se "Thousand Eyes" ou "Sad Days". Porém, a verdade é que nunca sonharíamos com a beleza de "Cellophane", e é essa surpresa que mais aquece os corações.
A ouvir: "Cellophane"






2. Brittany Howard - Jaime

"History Repeats" arranca com a dose certa de funkyness o disco de estreia a solo de Brittany Howard. Deixa-nos a imaginar que mais "surpresas na manga" terá a vocalista dos Alabama Shakes. Quando nos apercebemos do que aconteceu, passaram os 35 minutos deste disco a voar. Há, então, que ouvir outra e outra vez, porque Jaime é um disco que pede, lentamente e misteriosamente, que seja desdobrado em descobertas e interpretações. É aí que verdadeiramente descobrimos a ternurenta ingenuidade de "Georgia" - sobre um desamor dos tempos de escola de Brittany - ou um devaneio metaleiro inspirado pela eleição de Trump e pela morte de Prince - "13th Century Metal". "Jaime" é um disco que fala, quase na totalidade sobre como o amor acompanha vários momentos da vida de cada um, e é por isso um disco de Brittany Howard, mas também de todos nós. 
A ouvir: "Stay High"







1. Weyes Blood - Titanic Rising

O disco do ano é o quarto de Natalie Mering, que assina como Weyes Blood. "Titanic Rising" parte do amor como tema guia do seu chamber pop orquestral, tal como "Front Row Seat to Earth", disco de 2016. Mas constroi-o de forma bastante diferente. O disco leva-nos numa viagem em que Natalie conjuga a sua sonoridade algo revivalista dos anos 70, com os problemas amorosos e por vezes tecnológicos dos dias de hoje. "Titanic Rising" soa ao mais belo diário que se possa ler. Há dias de pura tristeza e desamor, outros em que esse desamor se transforma em algo engraçado - veja-se "Everyday" -, mas o diário vai continuando e revelando uma evolução pessoal da própria Natalie. É aí que este disco agarra no tópico do amor como Weyes Blood nunca o tinha mostrado. "Movies" é o maior exemplo disso mesmo. Natalie passa por todas as suas experiências um tanto ou quanto falhadas de amor por outras pessoas, até que se apercebe do que necessita de mais urgente: o amor por si própria. "Movies" é um hino aos momentos de solidão, um hino à valorização pessoal, e um hino à individualidade e ao amor próprio, para que este um dia se possa também tornar num amor pelo outro, desta vez sem tanto desamor pelo meio, e com o final feliz comum a tantos filmes. É com apoteose que Weyes Blood nos conta: "I wanna be the star of mine, of my own". É por aí que o disco continua o seu caminho, e "Mirror Forever" parte dessa reflexão pessoal como um passo necessário para que possa ser amada pelo outro. Antes de nos deixar, Natalie apresenta "Picture Me Better", uma música que compôs para falar das despedidas de quem amamos, e que se tornou na sua música de despedida a um amigo que entretanto se suicidou. É isto que a música tem de mais belo, quando consegue se transformar para quem a ouve, dando-lhe um sentido totalmente único e pessoal, o que neste caso, aconteceu até para quem a criou.

A ouvir:
 "Movies"




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