Melhores Álbuns Nacionais de 2020



Após um ano atípico para todos, que trouxe mudanças inesperadas e até pausas prolongadas por aqui, não deixámos de estar atentos à música que pautou este maldito 2020, seja à procura de alegrar as vidas de cada um de nós, seja a nos remeter para maior reflexão interior. Num ano onde a música foi sobretudo ouvida de forma individualizada e caseira, surgem as habituais listas de fim de ano, também como objeto dessa introspeção inspirada pela arte da criação de discos. Em Portugal, o ano foi prolífico, e é precisamente isso que procuramos demonstrar com este escalonamento subjetivo de 25 discos nacionais, entre EPs e trabalhos de longa duração. Nomes como Bia Maria, Clã, Monday ou Lourenço Crespo merecem menções honrosas, apesar de não figurarem nesta curta lista de 25 trabalhos.




25. RAKUUN - RAKUUN EP



A ouvir: "Globo é Balão em Galego"





24. anrimeal - Could Divine



A ouvir: "I Am Not"





23. Marvel Lima - Mal Passado



A ouvir: "Amistad"





22. Holy Nothing - Plural Real Animal



A ouvir: "Caixa Preta"





21. himalion - EGRESS



A ouvir: "(海岸) Hour + Glass"





20. Bejaflor - Bejaflor 2 EP



A ouvir: "Pós-Irónico"





19. Filipe Karlsson - Teorias do Bem Estar EP



A ouvir: "Sem Ser Sincero"






18. ACID ACID - JODOROWSKY


A ouvir: "JODOROWSKY - A"






17. IAN - RaiVera



A ouvir: "What the Eyes Cannot See"






16. Samuel Úria - Canções do Pós-Guerra



A ouvir: "O Muro"






15. Primeira Dama - Superstar Desilusão


A ouvir: "Ser Diferente"






14. Grand Sun - Sal y Amore


A ouvir: "Veera"




13. Galgo - Parte Chão


A ouvir: "Muda"





12. David Bruno - Raiashopping



A ouvir: "Café Central"






11. Noiserv - Uma Palavra Começada Por N


A ouvir: "Eram 27 Metros de Salto"





10. mema. - Cidade de Sal EP


Sofia Marques lança-se como mema. com este "Cidade de Sal", ode eletro-pop à portugalidade e, em especial, a Aveiro, terra onde nasceu e foi criada, e que surge já depois de Sofia ter saído da cidade aveirense. O projeto mema. nasce das saudades de casa, quando Sofia estava em Dublin, Irlanda, e "Cidade de Sal" é expressão disso mesmo. Este EP de estreia procura juntar a raiz da tradição folclórica portuguesa à roupagem da pop eletrónica.
 

A ouvir: "Outro Lado"










9. Benjamim - Vias de Extinção


Largam-se as cordas e abraçam-se os teclados analógicos. Este poderia ser um resumo sucinto deste disco. Se, por aqui, apontava-se o mais recente trabalho de Benjamim como um exercício forçado, não é com essa tonalidade que "Vias de Extinção" vê a luz do dia. O terceiro disco de originais que Luís Nunes assina como Benjamim remete-nos para a natural melancolia das noites da vida boémia, cada vez mais distantes neste ano atípico. Agarre-se num copo de vinho e se brinde a que também esses tempos não se extingam.

A ouvir: "Vias de Extinção"











8. Sreya - Cãezinha Gatinha


O pop leve e brincalhão de Sreya soa algo mais maturo e refinado neste "Cãezinha Gatinha", disco de dualidades, mas com uma tonalidade mais instrospetiva que o antecessor apesar do nome não o aparentar - "Emocional", produzido em 2017 por Conan Osiris. Desta vez, Sreya surge com selo da Maternidade e a produção vincada de Primeira Dama e Bejaflor, também eles com trabalhos a destacar nesta lista.
A ouvir: "Iceberg [...]"

 








7. EVAYA - Intenção EP


"E eu escolho a paz em vez de querer estar certa" conta-nos EVAYA, projeto de Beatriz Bronze, no single "Doce Linguagem", numa descrição que acenta perfeitamente à música que faz. A serenidade do seu canto que alia à introspeção eletrónica, sem perder oportunidades de momentos pop, faz deste EP de estreia um dos trabalhos da pop nacional do ano. Resta-nos esperar por um longa-duração de EVAYA, com a expectativa de se consagrar este seu universo sonoro e estético que, até aqui, é certamente cativante.
A ouvir: "Doce Linguagem"











6. Filipe Sambado - Revezo


"Revezo" é a consolidação de Filipe Sambado como um dos cantautores de destaque da música pop portuguesa. O lado mais rock visto nos seus discos anteriores dá lugar à "portugalidade", como peça central deste longa duração, que se expressa quer nas camadas de sons como na escrita das letras das músicas. Tradição celebrada mas não saudosista. Filipe Sambado trabalha essa nostalgia tão portuguesa, atirando-a para a frente, que é para o futuro que todos caminhamos, inclusive, e por vezes a custo, os portugueses.
A ouvir: "Tusa Mole"











5. Branko - Branko Presents: Enchufada Na Zona Vol. 2


Branko aponta-se, cada vez mais, como o porta-bandeira da produção eletrónica em Portugal. O círculo criativo que foi construíndo à sua volta bebe da sua brilhante capacidade de produção de ritmos de dança, tal como o próprio acaba por beneficiar desse cozinhar musical. Vejam-se os nomes aqui reunidos, de Dengue Dengue Dengue a PEDRO, ou ainda de Dino d'Santiago a Catalina García. Celebrando a sua label Enchufada, o produtor português, mas cada vez mais do mundo, apresenta o seu trabalho a solo mais coeso.
A ouvir: "Agua Com Sal - PEDRO Remix"

 








4. B Fachada - Rapazes e Raposas


"Viola Braguesa" em versão reeditada foi a exceção ao interregno de 6 anos entre novos discos de estúdio de B Fachada. O verdadeiro regresso fez-se mesmo com o disco mais longo da sua admirável e admirada carreira, mas a frescura é a de sempre, e a quase hora de audição deste álbum nunca cansa. Começa-se com "Regabofe d'abertura", a primeira faixa, e sente-se a familiaridade de B Fachada a ecoar nos ouvidos. A felicidade do bailarico requintado dá lugar, a espaços, à crua desolução, como se ouve na penúltima e chuvosa "Prognósticos". Um disco completo, como tão bem tem habituado B Fachada.
A ouvir: "Prognósticos"












3. Selma Uamusse - Liwoningo


Em 2018, Selma Uamusse estreava-se, belamente, nos discos a solo com "Mati". "Liwoningo" (que significa "luz" em Chope, língua falada no território moçambicano) explora essa sonoridade, talvez de forma mais complexa que o antecessor - ao que, certamente, muito contribui a produção de Guilherme Kastrup, vencedor de um Grammy pelos discos de Elza Soares, que produziu. A música de Selma é, à semelhança da de Elza, um cruzar de sonoridades da world/global music de raíz africana, à qual se junta o olhar da artista sobre o mundo, mas, neste caso, em particular sobre Moçambique, terra natal de Selma Uamusse.
A ouvir: "HOYO HOYO"

 








2. Cristina Branco - Eva


O jazz e em especial o fado, não costumam figurar na Glass Journal. Porém, com este "Eva", Cristina Branco obriga-nos a uma audição redobrada. Um disco construído para o alter-ego Eva Haussman, que não deixa de parecer um reflexo da vida da própria Cristina Branco, e que foi construído com contributos que não são novidade no seu trabalho - nomes como Francisca Cortesão, Pedro da Silva Martins, Filipe Sambado ou Sara Tavares. A riqueza da poesia é tamanha que merece ser a peça central deste disco, e assim, e muito bem, geralmente o é, seja em momentos de maior delicadeza como em momentos de maior triunfalismo popular. Cristina Branco vai a todas, conjugando tudo neste Eva, que quase figura como o longa duração de maior destaque nacional.
A ouvir: "Delicadeza"











1. Dino D' Santiago - KRIOLA


"Mundo Nôbu", o anterior disco de Dino d'Santiago, e que o catapultou mediaticamente, já nos convidava para danças. "Kriola" redobra o convite, mesmo que estes sejam tempos de recolhimentos e quarentenas. Sem haver festa ao vivo - que espera por melhores tempos -, faz-se a festa nas casas. "Kriola" possibilita essa mesma sessão de dança solitária, expansiva e até apoteótica - como em "Kriolu (feat. Julinho KSD)" ou "Kem Ki Flau" - mas também abre caminho a maior reflexão sobre o que move, de forma mais profunda, Dino d'Santiago. O próprio lançou este disco sentindo que marcava um aproximar ao seu pai (de quem a distancia não pode, agora, ser diminuída), homenageando a sua mãe (aliás, é daí que o nome do álbum se faz no feminino, em jeito de oferenda às mulheres, em particular uma das mais importantes da sua vida). É ainda uma homenagem às suas raízes cabo-verdianas, evidente por entre os ritmos do funaná, do tarraxo e até da morna. E é sobretudo evidente a homenagem ao crioulo e a toda a marca histórica e cultural que carrega. Dino d'Santiago cria e canta a essa mistura que o crioulo representa, por inteiro neste disco, fazendo da mescla cultural a sua musa. Amor e felicidade sobre batidas que criam festas por si só. Emoção carregada de história. Certo parece ser que Dino d' Santiago continuará a criar a sua história na música, e por isso, e também pela celebração de "Kriola" ao vivo, não queremos esperar.

A ouvir: "Morna"





Sem comentários:

Com tecnologia do Blogger.